Postado em

UM PLANO DE TRANSFORMAÇÃO

Ajudar meninas da periferia de São Paulo a tornarem reais os seus planos de vida. Este é o principal objetivo do Plano de Menina, projeto social criado pela consultoria Plano Feminino (especializada em estratégias de marketing voltadas para mulheres) da jornalista Viviane Duarte.

A iniciativa é realizada em bairros como Capão Redondo, Grajaú, Pirituba e Brasilândia e tem como público-alvo meninas de 13 a 18 anos. Durante o período de um ano, elas têm aulas de autoestima, autoconhecimento, liderança, empreendedorismo, finanças, vida digital, planejamento de carreira e teatro com profissionais voluntárias.

Em entrevista à revista TPM, Viviane conta que muitas das garotas participantes eram o que ela define como “nem-nem” (nem trabalha nem estuda), tinham baixa autoestima e nenhum plano para o futuro. “Muitas crescem num ambiente tóxico, que faz com que elas pensem não ter direito a nada. São pais, tios ou vizinhos que falam: ‘não adianta sonhar, isso não é pra gente’. Só que toda menina tem direito a ter um plano. Ter uma meta é o primeiro passo para que elas se tornem protagonistas de suas histórias”, afirma.

Não à toa, um dos exercícios propostos às meninas é um teste do espelho no qual elas contam para si mesmas, olhando para o próprio reflexo, o que desejam para o futuro. “A maioria não tem essa coragem de falar, de se encarar, porque elas foram tão invalidadas… Umas não querem nem olhar no espelho. “Queremos fazer essa menina olhar no espelho e acreditar em quem ela é para poder provocar essa mudança”, explica em reportagem do jornal HuffpostBrasil.

Para contribuir neste processo de empoderamento das garotas, o projeto conta com o apoio de mentoras conceituadas, como Eliane Dias, empresária do grupo Racionais MC’s, Camila Costa, CEO da ID, agência de marketing digital, e a ex-consulesa da França Alexandra Loras. “Na minha trajetória, já fui chamada de burra e de macaca por causa da minha cor. Mas também tive apoio de pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram a desafiar a ideia de que uma negra da periferia não poderia entrar numa escola de elite como a Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde boa parte dos presidentes da França estudaram. Eu consegui e virei a melhor aluna da turma. Hoje quero ajudar outras meninas da periferia a realizarem seus sonhos”, conta Alexandra, que também é embaixadora da iniciativa.

PROTAGONISTA DA PRÓPRIA HISTÓRIA

O Plano de Menina nasceu de uma necessidade de Viviane de promover alguma ação que contribuísse com a sociedade e que a reconectasse com as suas origens. Assim como as garotas do projeto, ela também cresceu na periferia paulistana, mas ao contrário de muitas delas teve a sorte de contar com uma mãe e uma avó que sempre a fizeram a acreditar que ela era alguém com valor e capaz de tornar os seus sonhos realidade. “Minha mãe sempre fez a gente estudar e deixou claro que isso faria a gente chegar mais longe. Sempre disse que a mulher tinha que pagar suas próprias contas. Do jeito simples dela, ela sempre me disse que eu tinha que ser protagonista da minha história”, relembra em entrevista ao site Projeto Draft.

Desde 2016, ano em que foi criado, o projeto já contou com a participação de 400 garotas. A próxima etapa é estendê-lo para as mães das meninas e também para os garotos dos bairros. “Percebemos que as meninas empoderadas começaram a achar os meninos chatos e vamos criar um ruído aí. Nosso foco são as meninas, mas precisamos falar com eles também, trabalhar o respeito, a admiração, o papel como homem. A gente está fazendo isso porque queremos um futuro melhor para elas”, explica Viviane.