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O SALÁRIO EMOCIONAL E A BUSCA PELA FELICIDADE NO TRABALHO

Se há alguns anos a remuneração salarial era o fator decisivo no momento de escolha de um emprego, nos dias de hoje ela é apenas um dos elementos levados em consideração. Mais que o aspecto financeiro, as pessoas buscam realização profissional e bem estar e, muitas vezes, optam por salários mais baixos apenas para ter a garantia destes benefícios.

Estes elementos de cunho mais subjetivo compõem o chamado salário emocional, que,conceitualmente, é um conjunto de incentivos emocionais que proporcionam um clima positivo e fazem com que os colaboradores se envolvam com a empresa, aumentando o comprometimento e a produtividade. O termo foi inspirado na proposta da Felicidade Interna Bruta (FIB), uma medida de riqueza criada no Butão, país da Ásia, que avalia o índice de bem estar da população.

Em linhas gerais, o termoengloba tudo o que pode ser oferecido pela empresa e pelo gestor aos colaboradores, mas que não pode ser contabilizado financeiramente.Ações que façam com que o profissional sinta-se reconhecido pelas suas ações, engajado nos desafios do cargo ocupado e com a percepção de que suas necessidades não apenas profissionais, mas também pessoais, estão sendo atendidas.

O assunto está totalmente ligado a um movimento recente e que tem ganhado cada vez mais adeptos: o das pessoas que buscam serem felizes no trabalho. “A empresa não pode assumir a responsabilidade de fazer as pessoas felizes, mas ela tem de admitir que pode fazer as pessoas infelizes”, analisa Fábio Luchetti, presidente da Porto Seguro, em entrevista à revista Época Negócios.

A busca pela felicidade é uma realidade, sobretudo, entre os jovens profissionais. “Se a empresa não criar um ambiente de apoio, o jovem não vai querer estar dentro dela. Ele tem de estar conectado conosco”, afirma Luchetti. “Oferecer um salário emocional nada mais é do que praticar a empatia”, destaca Eliana Dutra, coach e sócia-diretora da empresa decoaching e treinamento Pro-Fit, em entrevista ao jornal Brasil Econômico

“Sabemos que as metas são fundamentais, que resultados determinam os negócios, mas perceber as pessoas e ser percebido como indivíduo têm sido sem dúvida umas das práticas mais modernas de relacionamento dentro da empresa. A remuneração pode até ser o que atrai um bom profissional para um emprego, mas o que o mantém dedicado é o salário emocional”. Novos tempos exigem novas maneiras de se enxergar e de se posicionar no mundo.

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À LA GARÇONNE APRESENTA COLEÇÃO INSPIRADA EM CLÁSSICOS DO CINEMA NOS ANOS 80 E 90

Personagens de filmes como E.T. – O Extraterrestre, Tubarão, Brinquedo Assassino, Jurassic Park e De Volta para o Futuro, clássicos dos anos 1980 e 1990, marcaram o desfile da coleção 1 de 2018 da À La Garçonne, marca de Fábio Souza e Alexandre Herchcovitch. Fora da SPFW desde 2017, quando resolveram seguir um cronograma à parte do calendário coletivo, os dois estilistas realizaram o evento na Biblioteca Mário de Andrade, no centro de São Paulo, para imprensa e alguns convidados.

“Há muito tempo eu venho fazendo desfiles em lugares públicos porque percebo que poucas pessoas conhecem essas locações. Fiz um desfile no Theatro Municipal com a minha marca e depois outro no mesmo lugar com a À La Garçonne, fiz na Praça das Artes, no saguão de entrada da Prefeitura de São Paulo e agora na Biblioteca Mario de Andrade, um lugar que sempre quis usar”, contou Alexandre, em entrevista ao site Glamurama.

Por realizar o evento durante o horário normal de funcionamento da biblioteca, a marca optou por um desfile em silêncio – no entanto, a trilha sonora, assinada por Max Blum, está disponível na Apple Music a quem estiver interessado com o nomeÀ La Garçonne Coleção 01-2018. A quinta coleção da brand contou com 63 looks entre peças festivas com jaquetas oversized acolchoadas e alfaiataria Príncipe de Gales com renda. As criações são resultado de parcerias com marcas como Vans, Hope, The North Face, New Era, Hering, Dickies, entre outras, além de licenciamento com filmes da Universal – que estamparam camisetas, jaquetas, moletons e bolsas em formato de lancheira dos anos 80.

“Não é uma coleção temática. São roupas que a gente tem vontade de usar, de ver por aí, é um mix. Na À La Garçonne, a coleção vira a cada ano. Quero que o meu cliente sinta que ele não comprou um produto perecível, é mais slow”, explicou Fábio Souza, em entrevista ao jornal Diário do Nordeste. Como já é característica da marca, o casting do desfile foi formado por modelos e “não modelos” e foi aberto com performance da atriz e escritora Fernanda Young, que interpretou uma bibliotecária que pedia silêncio ao público.

Herchcovitch assumiu o comando da À La Garçonne em 2016, quando se desligou da marca que leva seu nome e que ele fundou há 25 anos. Aos 45 anos, o estilista se reinventou na marca do marido, que antes vendia móveis e objetos antigos restaurados. Juntos, Alexandre e Fábio criam peças que seguem o conceito de streetwear couture, que valoriza o vestuário do dia a dia (moletom, jeans e camiseta de algodão) mesclado com tecidos fluidos e modelagens elaboradas.

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JORGE COLABORA COM ANA QUE COLABORA COM MARTA QUE COLABORA COM JORGE

A Economia Colaborativa e as novas formas de consumo

Repensar novas formas de viver e de estar no mundo é uma realidade global há alguns anos, especialmente após a crise econômica de 2008. A sustentabilidade, em seu sentido mais amplo, relacionada não apenas à preservação do meio ambiente, mas também aos aspectos social (o cuidado com as pessoas) e econômico (busca por formas de consumo mais conscientes), se transformou em um assunto-chave dentro deste contexto. 

Neste novo cenário, surgiram propostas como a da economia colaborativa, também conhecida como economia compartilhada. A proposta, em linhas gerais, incentiva o consumo compartilhado e o acesso a bens e serviços sem que haja necessariamente troca em dinheiro ou aquisição de produtos. Uma nova lógica em que o acesso é mais importante que a posse. “Hoje, de cada três pessoas, duas estão dispostas a vender ou alugar alguma coisa. É uma nova cultura de compartilhar coisas e recursos, sem tirar tanto do meio ambiente”, explica a publicitária Isabella Ceccato, criadora da plataforma Poder da Colaboração, em entrevista ao jornal O Globo.

Criado em 2016, o Poder da Colaboração tem como objetivo fomentar e disseminar a inovação social, a nova economia e o empreendedorismo. Para tanto, promove a cada dois meses encontros gratuitos nos quais empresas (grandes e pequenas), ONGs e inovadores sociais compartilham com o público suas histórias e cases – todas as palestras ficam disponíveis no canal do YouTube. 

A própria estrutura do evento é colaborativa: o local é gratuito (o Google Campus São Paulo), a equipe é voluntária, os palestrantes se apresentam sem a cobrança de cachê e os comes e bebes, servidos nos intervalos das palestras, são doados por empresas que acreditam na causa. Neste formato, o Poder da Colaboração já conta com uma rede composta por mais de 40 mil pessoas. “Todos precisam de dinheiro, mas a economia criativa não é movida só pelo lucro. O dinheiro pode e deve vir, porque sem ele o negócio acaba. Mas não deve ser o principal motor do negócio. Há ganhos que não são contabilizados em moeda”, analisa Izabella.

Na dinâmica da economia colaborativa, todos podemos ser fornecedores e consumidores ao mesmo tempo: você pode alugar um quarto vago no seu apartamento, conseguir alguém para cuidar do seu cachorro enquanto você viaja, por exemplo e oferecer o seus serviços para alguma empresa. O modelo dinâmico motivou a criação de diversos serviços colaborativos, como Uber (plataforma de tecnologia que conecta motoristas particulares a passageiros), Airbnb (serviço on-line de hospedagem) e a DogHero (aplicativo criado para hospedagem de cães).

“As pessoas estão no centro dessa transformação econômica ora fazendo bicos nas horas vagas, ora compartilhando de tudo: de veículos a furadeiras, de imóveis a espaços de trabalho; trocando objetos, como livros, armários e roupas”, afirma Camila Carvalho, em entrevista à revista Istoé. Ela é a fundadora do Tem açúcar?, uma plataforma que conecta pessoas interessadas em compartilhar objetos e bens entre a vizinhança. Criado em 2014, o aplicativo conta com mais de 150 mil usuários espalhados por cerca de dez mil bairros pelo Brasil e é atualmente a maior rede colaborativa de vizinhos da América Latina. “Essa nova organização da economia mundial facilita a troca de produtos e serviços, sem focar o lucro. Estamos diante de um novo ciclo de relações econômicas que mudou a cultura de consumo”, avalia. 

Segundo o levantamento, para 40% dos brasileiros entrevistados a hospedagem em casa de terceiros é uma das formas mais conhecidas de consumo compartilhado, seguido das caronas para o trabalho ou para a escola (39%) e do aluguel de roupas (31%) e de bicicletas (17%). “O consumo colaborativo é uma poderosa força econômica e cultural em curso capaz de reinventar não apenas o que consumimos, mas principalmente a forma como consumimos as coisas”, avaliou Eduardo Baer. CEO da DogHero, em entrevista à revista Istoé. 

Mais que consumo e lucratividade, o que realmente importa na dinâmica da economia colaborativa é a experiência, a troca entre seres humanos. Por conta disso, os serviços de compartilhamento valorizam bastante o sistema de avaliação, não apenas do serviço, como também do usuário. “A reputação é a medida de quanto uma comunidade confia em você. A reputação é uma moeda que eu acredito que se tornará mais poderosa do que o nosso histórico de crédito no século XXI. A reputação será a moeda que diz que você pode confiar em mim”, explica Rachel Botsman, em entrevista ao site Hypeness. Especialista em consumo colaborativo, ela ministrou uma palestra bastante interessante no TED sobre o assunto.  

Para Isabella Ceccato, a colaboração vai dominar o mundo, e em breve. “Enquanto a gente está na história, não a vê acontecendo. Mas, quando olharmos para trás, veremos que ela já está disseminada para dentro de governos, empresas e residências. Isso vai mudar nossa forma de agir. Quando falo em colaboração, falo em agir e transformar”, analisa. 

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UM PLANO DE TRANSFORMAÇÃO

Ajudar meninas da periferia de São Paulo a tornarem reais os seus planos de vida. Este é o principal objetivo do Plano de Menina, projeto social criado pela consultoria Plano Feminino (especializada em estratégias de marketing voltadas para mulheres) da jornalista Viviane Duarte.

A iniciativa é realizada em bairros como Capão Redondo, Grajaú, Pirituba e Brasilândia e tem como público-alvo meninas de 13 a 18 anos. Durante o período de um ano, elas têm aulas de autoestima, autoconhecimento, liderança, empreendedorismo, finanças, vida digital, planejamento de carreira e teatro com profissionais voluntárias.

Em entrevista à revista TPM, Viviane conta que muitas das garotas participantes eram o que ela define como “nem-nem” (nem trabalha nem estuda), tinham baixa autoestima e nenhum plano para o futuro. “Muitas crescem num ambiente tóxico, que faz com que elas pensem não ter direito a nada. São pais, tios ou vizinhos que falam: ‘não adianta sonhar, isso não é pra gente’. Só que toda menina tem direito a ter um plano. Ter uma meta é o primeiro passo para que elas se tornem protagonistas de suas histórias”, afirma.

Não à toa, um dos exercícios propostos às meninas é um teste do espelho no qual elas contam para si mesmas, olhando para o próprio reflexo, o que desejam para o futuro. “A maioria não tem essa coragem de falar, de se encarar, porque elas foram tão invalidadas… Umas não querem nem olhar no espelho. “Queremos fazer essa menina olhar no espelho e acreditar em quem ela é para poder provocar essa mudança”, explica em reportagem do jornal HuffpostBrasil.

Para contribuir neste processo de empoderamento das garotas, o projeto conta com o apoio de mentoras conceituadas, como Eliane Dias, empresária do grupo Racionais MC’s, Camila Costa, CEO da ID, agência de marketing digital, e a ex-consulesa da França Alexandra Loras. “Na minha trajetória, já fui chamada de burra e de macaca por causa da minha cor. Mas também tive apoio de pessoas que acreditaram em mim e me ajudaram a desafiar a ideia de que uma negra da periferia não poderia entrar numa escola de elite como a Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris, onde boa parte dos presidentes da França estudaram. Eu consegui e virei a melhor aluna da turma. Hoje quero ajudar outras meninas da periferia a realizarem seus sonhos”, conta Alexandra, que também é embaixadora da iniciativa.

PROTAGONISTA DA PRÓPRIA HISTÓRIA

O Plano de Menina nasceu de uma necessidade de Viviane de promover alguma ação que contribuísse com a sociedade e que a reconectasse com as suas origens. Assim como as garotas do projeto, ela também cresceu na periferia paulistana, mas ao contrário de muitas delas teve a sorte de contar com uma mãe e uma avó que sempre a fizeram a acreditar que ela era alguém com valor e capaz de tornar os seus sonhos realidade. “Minha mãe sempre fez a gente estudar e deixou claro que isso faria a gente chegar mais longe. Sempre disse que a mulher tinha que pagar suas próprias contas. Do jeito simples dela, ela sempre me disse que eu tinha que ser protagonista da minha história”, relembra em entrevista ao site Projeto Draft.

Desde 2016, ano em que foi criado, o projeto já contou com a participação de 400 garotas. A próxima etapa é estendê-lo para as mães das meninas e também para os garotos dos bairros. “Percebemos que as meninas empoderadas começaram a achar os meninos chatos e vamos criar um ruído aí. Nosso foco são as meninas, mas precisamos falar com eles também, trabalhar o respeito, a admiração, o papel como homem. A gente está fazendo isso porque queremos um futuro melhor para elas”, explica Viviane.

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VISIONÁRIOS DA QUEBRADA

Documentário apresenta empreendedores da periferia de São Paulo que estão mudando a realidade de suas comunidade

Retratar como moradores da periferia estão transformando a realidade de suas comunidades com iniciativas inovadoras. Este é o principal objetivo do documentário Visionários da Quebrada. “A ação surgiu da pesquisa e do desejo de saber sobre as transformações sociais a partir do nosso protagonismo. A gente começou a questionar a história [da forma como ela é contada], que sempre nos colocou no lugar de receptores, e não de realizadores”, explica Ana Carolina, idealizadora e diretora do filme, em entrevista ao site Bol. 

Nascida e criada no Capão Redondo, bairro da zona sul de São Paulo, Ana Carolina desenvolveu a produção em conjunto com a amiga Maria Clara Magalhães e outros amigos – juntos eles integram o coletivo Visionários da Quebrada. Com o apoio da Fundação Arymax, uma entidade sem fins lucrativos, realizaram as filmagens (captaram cerca de 40 horas de material) e recorreram a um financiamento coletivo na internet para editar, finalizar e distribuir o filme. 

“O que vem me fazendo ser um visionário é acreditar que o futuro é aquilo que a gente projeta”
– Dimas Reis Gonçalves

 

Com duração de 90 minutos, o documentário apresenta a história de dez jovens de bairros como Capão Redondo, São Mateus, Jardim Nakamura, Brasilândia, entre outros, com iniciativas bastante plurais. Empreendedores como o jornalista e gastrônomo Guilherme Petro, um dos criadores do Prato Firmeza – Guia Gastronômico das Quebradas de São Paulo; a educadora Rose Modesto, que coordena o Centro de Profissionalização de Adolescentes em São Mateus, na zona leste da capital; e Dimas Reis Gonçalves, morador da Brasilândia e ativista com atuação nas áreas da cultura, saúde e meio ambiente. “O que vem me fazendo ser um visionário é acreditar que o futuro é aquilo que a gente projeta”, afirma Gonçalves, em entrevista ao site Brasil de Fato. 

Para Ana Carolina, o documentário retrata personagens que conseguiram romper a barreira da invisibilidade. “Acreditamos nas mudanças estruturais vindas das margens, nos saberes das periferias e na potência das pessoas engajadas na construção de suas comunidades. É um convite para atravessarmos as pontes que já estão construídas”, explica, em entrevista ao portal Almanaque de Cultura Popular. O documentário está disponível gratuitamente pela plataforma Taturana Mobilização Social e qualquer pessoa ou instituição pode organizar uma exibição coletiva em seu espaço e ser uma parceira do filme. Basta se cadastrar e agendar a sessão para ter acesso à produção. Confira abaixo o teaser do documentário: 

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VOCÊ SABE O QUE É UM COOL HUNTER?

Antever um comportamento, uma tendência de moda ou uma preferência cultural. Esta é a principal função de um cool hunter, ou caçador de tendências. Considerado uma “antena sensível” do seu tempo, o profissional sai às ruas à “caça” dos sinais de tudo aquilo que, em um futuro não tão distante, fará parte do dia a dia das pessoas. Não à toa, tem sido um dos profissionais mais requisitados pelas empresas nos últimos anos.

Inicialmente associado apenas ao universo da moda, hoje o cool hunter atua em setores como gastronomia, arquitetura, design, publicidade, dentre outros. Além de apresentar quais serão os novos desejos, estilos de vida, anseios e valores do consumidor, o profissional também auxilia estes setores a utilizarem estas informações na direção da inovação e da criatividade. “Tem uma palavra que usamos muito em Cool Hunting que é “zeitgeist”. Em alemão, este termo significa o espírito do tempo. Então, é isso. É como se o cool hunter radiografasse a alma da cidade”, explica Sabina Deweik, especialista no assunto há mais de 17 anos, em entrevista à revista Exame.

O termo cool hunting começou a ser utilizado na década de 1990 (em 1997, Malcolm Gladwell, colunista da revista New Yorker, já falava sobre os jovens que estavam indo às ruas atrás de tendências, o chamado the “next big thing”, para ajudar empresas como Nike e Converse a desenvolverem novos produtos). No entanto, o profissional começou a ganhar espaço no mercado a partir dos anos 2000 (no Brasil, a demanda pelo cool hunter começou a crescer a partir de 2010). Por conta disso, é considerada uma profissão do novo milênio, associada às constantes (e rápidas) mudanças dos nossos tempos.

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O QUE O FILME PANTERA NEGRA PODE ENSINAR SOBRE EMPREENDEDORISMO?

Pantera Negra, o mais recente filme de super-heróis da Marvel, é um sucesso mundial que vem conquistando números impressionantes. No primeiro fim de semana de abril, a produção ultrapassou a marca de US$ 1,3 bilhão na bilheteria e figura no décimo lugar na lista das maiores bilheterias de todos os tempos. Dentro dos EUA, o filme acaba de passar Titanic e se tornou a terceira maior bilheteria da história no país, com uma arrecadação de US$ 661 milhões.   

Mas além dos resultados expressivos, da grande popularidade (é o filme mais comentado da história do Twitter), das críticas positivas e da inegável representatividade da população negra nas telas, a produção também é uma verdadeira lição de empreendedorismo. É o que aponta o investidor canadense Sean Wise em artigo publicado na revista Inc. Autor do livro Startup Opportunities: Know When to Quit Your Day Job, ele acredita que o blockbuster apresenta alguns elementos da estratégia do Oceano Azul (Blue Ocean Strategy).   

Em linhas gerais, a Blue Ocean Strategy consiste em buscar novos clientes (um oceano azul) ao invés de disputar com os concorrentes a atenção dos clientes atuais (um oceano vermelho). De acordo com Wise, como a maioria das startups trabalha com recursos reduzidos, a sua capacidade de competição diminui. Nesse sentido, é interessante optar por ações e cenários em que os outros (concorrentes) não estão. Há dois caminhos mais comuns seguidos pelos empresários ao implementar a estratégia do Oceano Azul: 1) novos clientes, produtos antigos; e 2) clientes antigos, novos produtos.   

De acordo com Wise, o filme Pantera Negra seguiu o primeiro caminho e levou para um mercado até então pouco explorado (em que a população negra esteja em evidência) uma fórmula de sucesso já comprovada (a dos filmes de ação). “Examinar seu modelo de negócios atual e evoluir de acordo é exatamente o que Pantera Negra fez, e seguir seu modelo pode oferecer a um novo empreendimento um status de ‘primeiro ao mercado’ e a possibilidade de estabelecer uma vanguarda em um novo segmento”, afirma.   

Em resumo, diz Wise, se a sua startup está se concentrando em um grupo de clientes carentes,  é importante que ela se concentre em implementar e alavancar inovações que já se mostraram um sucesso em outros mercados. “Use as histórias reais de seus usuários atuais para atrair o novo segmento de clientes”, explica.

Para exemplificar o outro caminho seguido pelos empresários (clientes antigos, novos produtos), no qual um empreendimento usa sua percepção profunda sobre os clientes para testar novos produtos para usuários atuais, o autor lança mão de um outro blockbuster: o filme Deadpool, lançado em 2016, que trouxe humor para  um público já familiarizado com os super-heróis. “Se você deseja expandir sua receita vendendo uma inovação, comece com os clientes com os quais você tem um relacionamento mais profundo. Colabore com seus melhores clientes para garantir que a inovação proposta cumpra sua promessa”, pontua.   

No texto, o investidor também faz algumas ressalvas com relação à aplicação da estratégia do Oceano Azul. Em primeiro lugar, diz ele, o empreendedor nunca deve seguir os dois caminhos ao mesmo tempo. Ou seja, nunca tente vender novos produtos para novos clientes. Em segundo lugar, pontua Wise, nenhum oceano permanece azul para sempre. “À medida que você prova a viabilidade de um novo mercado, os concorrentes verão seus ganhos e tentarão seguir você até o oceano azul, transformando-o em vermelho”, finaliza

Fotos: Divulgação

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QUE DIFERENÇA TERÁ FEITO SUA PASSAGEM POR ESTE PLANETA?

Por André Camargo, time da Humans Can Fly e colunista da Escola São Paulo

Em 2015, a Microsoft completava 40 anos de existência. Para celebrar a data, Bill Gates enviou um e-mail a todos os funcionários da empresa. Na mensagem, relembrava o ‘delírio’ que inspirou sua criação, em um tempo em que computadores eram gigantescos e caríssimos:

Logo no início, Paul Allen e eu definimos a meta de  
um computador em cada mesa e em cada lar. Era uma ideia ousada, e muita gente pensou que estávamos loucos por imaginar que isso era possível.  

No trabalho com meus clientes de Coaching de Propósito de Vida, uma das etapas fundamentais é investigar a Visão Externa.
Em poucas palavras, sua visão externa corresponde a uma imagem do mundo que você gostaria de criar, com seus talentos e com sua energia, para deixar como legado quando você partir. 
Como, por exemplo, “um computador em casa mesa e em cada lar”.
Em contrapartida, a Visão Interna, outra das etapas fundamentais da investigação do Propósito de Vida, é uma imagem da pessoa que você deseja se tornar, como consequência de seus esforços para mudar o mundo.

A busca da visão, seja interna ou externa, corresponde à criação de um holograma que torna presente seu futuro desejado. É a realização imaginativa do seu sonho hoje mesmo, aqui e agora. Essa é a base da prática de visualização, consagrada em diferentes tradições espirituais e cada vez mais utilizada no campo da alta performance por atletas, cientistas, políticos, artistas, visionários e empreendedores.  
Quanto mais nítido for o holograma que você criar e sustentar, quanto mais sentido fizer para a pessoa que você é, mais irá te nutrir ao longo da jornada.  Poucas coisas fazem tanta diferença para o sucesso de um projeto quanto estar apoiado sobre uma forte visão compartilhada. A visão de futuro se torna um núcleo de vitalidade, até que por fim a realidade corresponda ao holograma. 
Uma dificuldade que encontro no trabalho com meus clientes é a tendência de buscar a visão por uma via intelectual. Mas a uma visão que seja apenas intelectual, por mais lógica, coerente ou genial que pareça, faltará tônus. Será uma visão flácida.

Para que seja, de fato, transformadora, potente, a visão precisa emergir do corpo e das emoções, precisa tocar a alma e o coração. Precisa co-mover. 
A busca da Visão pode ser empreendida por meio de viagens, intercâmbios, encontros, retiros na Natureza e práticas espirituais. Uma das estratégias possíveis, que uso nos processos de coaching, é convidar a alma a falar por meio de Perguntas de Poder. Como a do título deste artigo. 

  • Que impacto você gostaria que sua existência tivesse no mundo? 
  • Se não existisse nenhum tipo de limitação, que mudanças você sente mais vontade de produzir no jeito que as coisas são? 
  • Que causas, lugares e pessoas te tocam mais fundo?  
  • Que tipo de mundo você gostaria de deixar para as próximas gerações? 

No nível pessoal, uma clara visão pode funcionar como um Norte para a sua vida. E, provavelmente, também para as vidas das pessoas que se conectarem com você e com o seu Propósito. 
Ser capaz de gerar e sustentar uma clara visão de futuro, portanto, é algo imprescindível na vida de um(a) líder.
Escrevo este texto motivado por um livro que comecei a ler: a biografia do Elon Musk, fundador da Tesla e da SpaceX. 
Já leu?
Lá encontrei um exemplo poderoso de visão externa.  
“Qualquer análise sobre Elon Musk”, diz o autor, “deve começar pela sede da SpaceX, em Hawthorne — um subúrbio de Los Angeles, Califórnia.” 

Ali os visitantes encontrarão dois pôsteres gigantes de Marte pendurados lado a lado na parede que antecede a baia em que Musk trabalha. O pôster à esquerda retrata o planeta como é hoje — um orbe vermelho frio e árido. Já a imagem à direita mostra a superfície de Marte como uma imensa massa de terra verde cercada de oceanos. O planeta foi aquecido e transformado para abrigar humanos. Musk está determinado a tentar tornar isso realidade. Transformar humanos em colonizadores do espaçé sua missãdeclarada de vida.  

Por um lado, achei essa imagem extraordinária. Todo dia o cara vai trabalhar e lá está sua visão materializada. Imagino o efeito que isso tem.
Por outro lado, acho a visão inquietante. Mesmo que tenha um bocado de gente que eu gostaria de mandar para o espaço, na minha opinião, já causamos estrago suficiente em um único planeta. 
Mas, no fundo, não importa.
O que isso significa é somente que não faria sentido, para mim, trabalhar na SpaceX. Porque não compartilho da mesma Visão nem do mesmo Propósito.
E o que não significa é que eu não possa me encantar, me inspirar e me nutrir, seja na vida pessoal, seja no meu trabalho, pela força dos exemplos de Bill Gates e Elon Musk.
Pessoas que levam tão a sério seus sonhos mais delirantes que chegam a se acreditar capazes de mudar o mundo.  

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COWORKING E EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE

Uma dobradinha cada vez mais eficaz.

Já falamos aqui no blog sobre como a tecnologia alterou para sempre a maneira como nos relacionamos com o mundo, em todos os sentidos. No campo do trabalho, ela contribuiu para a criação de tendências como a do freelancing, em que profissionais decidem abrir mão de cargos fixos em empresas e optam pelo trabalho autônomo, em busca de uma realização pessoal, ou se reinventam como prestadores de serviços independentes diante de uma demissão.  

Essa nova dinâmica de trabalho demandou a criação de ambientes mais adequados à novidade, modelos como o do coworking. O termo surgiu em 2005 nos EUA, quando o engenheiro de software Brad Neuberg criou uma comunidade de trabalho com os amigos e percebeu que a troca de ideias e experiências em grupo resultava em maior produtividade. Totalmente conectada a uma outra tendência mundial, em que o compartilhamento de informações e a troca constante são valorizados, a proposta rapidamente ganhou adesão e passou a ser reproduzida mundo afora. 
No Brasil, o conceito chegou há quase dez anos e, desde então, tem crescido de uma maneira bastante expressiva, não apenas nas capitais, mas também em cidades do interior. Segundo levantamento do site Coworking Brasil, que reúne empresas do setor, em 2017 havia 810 espaços de coworking conhecidos no Brasil, um aumento de 114% em relação a 2016.  

De uma maneira geral, os coworkings são espaços nos quais profissionais de diferentes áreas trabalham de maneira autônoma, porém dividindo o mesmo local. Inicialmente, o modelo foi adotado por profissionais das áreas de Comunicação e Direito, mas hoje em dia abarca também jovens empreendedores, profissionais liberais e até funcionários de multinacionais. Em geral, profissionais e empresas que adotam o modelo de coworking buscam flexibilidade ambientes de trabalho mais descontraídos, menos formais e mais propensos à troca de conhecimento. “[É] muito melhor do que trabalhar no isolamento de casa ou fechado em um escritório. Aqui tem o inusitado, não sabemos quem está ao lado, o que vou encontrar e isso é ótimo porque possibilita novos encontros”, disse o estrategista de marketing Wesley Silva, em entrevista ao portal R7 

Com a adesão cada vez maior de profissionais, surgiu a possibilidade de ampliação do modelo de coworking para além do âmbito do trabalho e do compartilhamento de ideias, alcançando as esferas do empreendedorismo e do impacto social. O Co labore é um exemplo dessa nova dinâmica. A iniciativa busca promover a aproximação de empreendedores criativos e sociais com potenciais investidores, um verdadeiro celeiro de novos negócios. “A Co_labore é um espaço que acolhe um coletivo de pessoas que gera um coletivo de ideias. Um coletivo de ideias que inspira estimula cada pessoa a criar seu negócio e cada negócio a evoluir. É uma nova forma de trabalhar e gerar riquezas. Esse é o jeito que encontrei de contribuir com este mundo de trabalho que está surgindo. Um mundo onde a força nasce da colaboração”, explica Antonin Bartos Filho, fundador da proposta.  

Outro exemplo interessante dessa nova vertente é o Cubo, espaço de inovação e empreendedorismo do Itaú Unibanco criado em parceria com o Redpoint eventures (um dos principais fundos de investimento do mundo). Aberto em 2015 e considerado o maior e mais relevante centro de empreendedorismo tecnológico da América Latina na atualidade, o espaço conecta empreendedores, grandes empresas, investidores e universidades com o intuito de discutir sobre tecnologia, inovação, novos modelos de negócios e novas formas de trabalhar 

Na mesma linha, temos também o Campus São Paulocriado em 2016 e, atualmente, o maior coworking do Google no mundo, com mais de 100 mil membros cadastrados. O espaço abriga dez startups a cada seis meses, mas cede espaço também para profissionais interessados em fazer uso da sua estrutura – basta fazer um cadastro gratuito no site. “Nós envolvemos nosso time com as startups e aprendemos com elas. Além de ajudar os empreendedores a entenderem nossos produtos, como tecnologia de nuvem, uso do YouTube ou nossas soluções de publicidade, a gente tem a oportunidade de saber o que eles precisam para evoluir. Com isso, podemos desenvolver o que será necessário no futuro”, explica Fernanda Caloi, gerente de programas do Campus São Paulo, em entrevista à revista Época Negócios

Outro exemplo interessante de incentivo ao empreendedorismo e à economia criativa e colaborativa em voga é o House of Food, um coworking, também instalado em São Paulo, que reúne chefes, professores, estudantes de culinária e aspirantes dispostos a pilotar um fogão industrial e criar receitas. “Aqui, as pessoas podem experimentar, testar receitas e ver o que tem ou não aceitação no mercado, se esse for o objetivo”, explica Wolfgang Menke, criador do espaço, em entrevista ao Draft. Os interessados alugam o espaço por um dia ou por uma semana, podem utilizar o staff da casa na realização de seus eventos e ficam com 100% do lucro obtido na empreitada. 

COWORKING E IMPACTO SOCIAL 
Há também diversos exemplos de coworking que buscam incentivar a realização de projetos que tragam melhorias para a sociedade ou promover atividades em prol da comunidade na qual estão inseridos. É o caso do Civi-co, o primeiro coworking do país com foco em negócios de impacto cívico-social. Inaugurado em São Paulo, em 2017, o espaço conta com startups e ONGs como a Feira Preta, a Hype60+, a Pipe Social e a RedeDots, entre outras.  

O nome Civi-co vem de civismo, da ideia de pertencimento, de cidadania. “Nosso propósito, resumindo, é tornar o Brasil mais justo. Não dá pra olhar só para o lucro. Estamos entre as dez maiores economias do mundo, mas também entre os países mais desiguais. Isso pode ser mudado. As pessoas querem mudança”, explica Ricardo Podval, um dos sócios-investidores do espaço, em entrevista ao Draft. “Queremos que o Civi-co vá além do espaço. Que crie vínculos, sinergias de trabalho e seja um caldeirão de ideias”, diz Patrícia Villela Marino, também sócia-investidora, em entrevista à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios
Civi-co conta ainda com uma iniciativa voltada a startups que não conseguem pagar para ficar no espaço. Batizado de Adote uma Startup, o projeto é subsidiado por empresas que queiram causar impacto social ajudando outros empreendedores sociais. Podval, que por sete anos atuou na China como business developer de uma fabricante de bens de capital, conta que sua experiência na Ásia o fez conhecer de perto o impacto da chamada Nova Economia e que a proposta de ampliação do modelo de coworking, adotado pelo Civi-co, está totalmente atrelado a este novo modelo econômico.  “Na China, hoje, parece que em cada cidade, em cada província, existe um ‘Vale do Silício’ talvez maior até do que o californiano, com mais investimentos, novas formas de trabalho, modelos de escritórios extremamente modernos…Há uma nova visão de empreendedorismo”, afirma.

No Rio de Janeiro, alguns espaços de coworking começaram a oferecer cursos, palestras, bate-papos, clube de cinema, almoço e até happy hour. O Templo, por exemplo, é um coworking que, além das estações de trabalho, funciona como um clube e transformou o seu espaço em cenário para exposições, cineclube, palestras, workshops, aulas de meditação e de ioga.  

Já o Fazedoria oferece cursos de idiomas, iluminação, cosmética natural e de conteúdos voltados mais para o dia a dia dos participantes. “A curadoria dos cursos também é feita com base no que diz o slogan daqui, do fazer acontecer, e por isso eles têm um caráter mais prático. A coisa de querer fazer e de movimentar a economia criativa faz parte do nosso DNA”, explica Marcos de Oliveira, gerente do coworking, em entrevista ao jornal O Globo 

Mantendo o espírito colaborativo, que é a essência do coworking, grande parte das atividades oferecidas nestes espaços acontecem por sugestão dos clientes (em alguns casos, são organizados por eles) e atraem um público bastante diverso, que não necessariamente frequenta os espaços no dia a dia. Provas de que a máxima “juntos somos mais” (e melhores) tem feito cada vez mais sentido. 

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O FUTURO DAS PROFISSÕES: ESTAMOS PREPARADOS?

Vamos ser substituídos por robôs? Você possivelmente já fez esta pergunta ou a debateu em alguma roda de conversa. Afinal, nas últimas duas décadas, vivenciamos um período de transformações tecnológicas extremamente impactante. No campo do mercado de trabalho, a tecnologia melhorou estruturas e agilizou processos, mas também  colocou em dúvida a necessidade de muitas profissões em um futuro próximo. “As profissões não são imutáveis. Elas são um artefato que construímos para atender a um determinado conjunto de necessidades em uma sociedade industrial baseada em impressão”, explicam os pesquisadores Richard Susskind e Daniel Susskind. Autores do livro O Futuro das Profissões: Como a tecnologia vai transformar o trabalho de especialistas humanos, lançado em 2015, eles acreditam que, conforme avançarmos como sociedade tecnológica, muitos trabalhos serão extintos por não atenderem às demandas do novo modelo do mercado.  

Segundo estimativa do DaVinci Instituteconsultoria dedicada a pesquisas sobre o futuro, 2 bilhões de postos de trabalho desaparecerão até 2030. Já um levantamento da consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) aponta que 48% dos trabalhadores dos EUA serão substituídos por máquinas até 2027 – na Alemanha serão 35% e no Japão 21%. O relatório The Future of Jobs and Skills (O Futuro do Trabalho e das Habilidades), publicado em 2016 pelo Fórum Econômico Mundial, aposta que inteligência artificial, robótica, nanotecnologia e impressão 3D serão algumas das áreas que movimentarão o mercado do futuro. Já funções de apoio à gestão e trabalho operacional tendem a ser eliminadas total ou parcialmente. “Profissões que são muito repetitivas obviamente serão substituídas por softwares. E as que são por natureza muito humana, como serviços de cuidadores e de atendimento, tendem a ter seus valores pressionados para baixo em razão da robotização, por exemplo”, analisa Arthur Igreja, especialista da multiplataforma AAA, em entrevista ao IDGNow.

Richard e Daniel Susskind destacam que, apesar da extinção de muitos trabalhos, outras profissões serão criadas. Em sua palestra no Fórum Econômico Mundial, em 2017, Jeff Weiner, CEO do LinkedIn, destacou que 2 milhões de novos trabalhos deverão ser criados nos próximos quatro anos dentro dessa dinâmica. De acordo com uma pesquisa da consultoria McKinsey, para cada posto de trabalho eliminado pelo avanço da tecnologia, 2,4 novos serão criados, especialmente em startups. Envoltos em um cenário tão complexo e em rápida transformação, fica a dúvida: estamos preparados para este futuro já tão presente? A resposta é sim se entendermos que o novo mercado vai priorizar profissionais mais focados em desenvolver sua vida profissional como um todo do que em constituir carreira. Para entender melhor isso, precisamos fazer uma breve análise histórica da relação do homem com o trabalho nos últimos dois séculos.   

O TRABALHO ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Há 50 anos, o objetivo de qualquer profissional era conquistar um emprego fixo e estável. Naquela época, entrava-se jovem em uma empresa e de lá só saia aposentado, em geral na mesma função. Na década de 1990, a geração X entra em cena e muda as regras do jogo. O objetivo profissional passa a ser criar currículo, mudar de cargo, ganhar mais dinheiro. Neste ponto, experiência vale muito e trocar de empresas durante a vida profissional é uma opção viável e eficaz. 

Após este período, mudanças econômicas e, principalmente, avanços tecnológicos reconfiguraram o mercado de trabalho e obrigaram empresas e profissionais a se reinventarem. É o começo da chamada era da freelancer economy, ou economia sob demanda, que vivenciamos nos dias de hoje, em que profissionais assumem o controle da própria carreira e se reinventam constantemente não apenas para atender a uma demanda de mercado, mas também em busca de uma realização pessoal. 
No futuro, a tendência, de acordo com os pesquisadores, é que deixaremos de enxergar o trabalho em termos de profissões, como médicos e advogados, por exemplo, e passaremos a entendê-lo como tarefas. Em um mundo cada vez mais tecnológico e digital, serão analisadas quais tarefas podem ser desempenhadas por máquinas, quais só podem ser feitas por seres humanos e quais podem ser feitas em conjunto, homens e máquinas (robôs ajudando médicos em cirurgias, por exemplo, algo que já é uma realidade).  

Para os especialistas, terão espaço neste novo contexto de mercado os profissionais flexíveis, criativos, críticos, empáticos, dispostos a mudar, aptos a desempenhar múltiplas tarefas e, principalmente, preparados para solucionar problemas. Habilidades que não são necessariamente adquiridas em cursos de especialização, mas que estão incutidas em cada um de nós e se desenvolvem no decorrer da vida. “Em um mundo onde o conhecimento está crescendo em velocidade exponencial, vão dar certo as pessoas que tratarem as suas profissões como grandes oportunidades aceleradas de aprendizado na teoria e na prática. Como processos de tentar, errar e aprender dinamicamente, no tempo dos acontecimentos”, analisa o cientista Silvio Meira, um dos mais importantes nomes do país ligados à inovação e ao empreendedorismo. É até irônico pensar que, em um mercado cada vez mais tecnológico, a capacidade humana (e singular) tende a ser o grande diferencial do futuro. Viva a nossa humanidade!