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VETEMENTS

Conheça a marca símbolo da geração Y que está revolucionando o mundo da moda 

Ousada, contemporânea, conectada, jovem. Estes são alguns dos adjetivos atribuídos à Vetements, marca francesa que, nos últimos quatro anos, tem movimentado o cenário fashion mundial. E não apenas no estilo de suas criações, usadas por nomes como Rihanna, Kanye West e Kim Kardashian, mas também no modelo de negócio, focado no trabalho colaborativo e autoral. Vetements, em francês, significa roupa ou vestuário. Criada em Paris, em 2014, a Vetements é um coletivo (composto por oito profissionais) que tem Demna Gvasalia, atual diretor criativo da Balenciagacomo porta-voz e diretor criativo. Nascido em Sukhumi, na Géorgia (antiga República Soviética), em 1981, Gvasalia presenciou a queda do muro de Berlim, o estabelecimento do capitalismo (e o ingresso da Coca-Cola, da fast-fashion e de outros inúmeros elementos da cultura pop) e a eclosão de uma Guerra Civil, que o fez fugir de seu país e se estabelecer com a família na Alemanha. 

Formou-se na Bélgica, na Royal College of Art, uma das mais tradicionais escolas de arte da Europa, de onde saíram grandes nomes da moda, como Dries Van Noten e Ann Demeulemeester. Em sua trajetória profissional, trabalhou por anos com o estilista Martin Margiela e atuou como design sênior na Louis Vuitton, trabalhando com Marc Jacobs e Nicholas Ghesquière. Essa mescla política, econômica, cultural e acadêmica que o formou enquanto pessoa está bastante presente nas criações da marca, reconhecida pelo street style que mistura elementos underground e vintage com a fascinação por logotipos e estampas dos norte-americanos. “Vetements é sobre a rua”, explica Gvasalia, em entrevista ao jornal The Guardian 

E justamente por ser um reflexo das ruas, a marca se tornou objeto de desejo principalmente dos millennials (nascidos pós-1990) e da geração Z. As duas gerações compõem o Gen Exit, ou Geração Fuga, termo cunhado pela consultoria Box 1824 para explicar um fenômeno recente de jovens que, cansados da ilusão vendida pelo universo on-line, estão cada vez mais adotando hábitos analógicos – é importante pontuar que a Box 1824 também criou o conceito normcore, que teve forte contribuição na onda urban que vigora na moda atualmente e da qual a Vetements é fruto direto.  

APOSTA NO RISCO 
Inicialmente, Demna Gvasalia e seus amigos pensavam em abrir a Vetements em Londres, uma cidade mais aberta ao novo, diferente de Paris, mais conservadora e onde a moda é mais tradicional e apresenta poucas inovações. Mas o desafio e, principalmente, o risco os motivaram a apostar na Cidade Luz. “Assumir riscos é algo que me acostumei quando criança e isso está no DNA da Vetements”, explica Gvasalia. “Na moda agora, você precisa correr riscos para sobreviver”, acrescenta.

A aposta foi acertada. Sedenta por novidade, Paris se rendeu ao frescor jovial e questionador da marca. A boa aceitação da marca no mercado também foi favorecida por um movimento recente, iniciado com a Jacquemus, que tem incentivado cada vez mais o trabalho de jovens designers.  

                                 
Ao ser indicado ao prêmio promovido pela Louis Vuitton, que incentiva novos nomes do mercado, o coletivo foi ganhando cada vez mais destaque no mercado. “A França é muito conservadora culturalmente, mas parece que mais e mais pessoas estão ousando discordar de visões estabelecidas sobre a sociedade e a moda. Tentamos refletir o que sentimos que está acontecendo ao nosso redor em Paris e nos subúrbios”, contou Gvasalia à revista britânica i-D 

Para potencializar o burburinho em torno do próprio nome, a Vetements adotou estratégias de venda não convencionais como, por exemplo, não trabalhar com pedido mínimo, como é de praxe, mas com o máximo e fazer a demanda superar a oferta. A marca também firmou parceria com boutiques de sucesso, tendo assim acesso não apenas a seus clientes, como também se beneficiando da fama e tradição destes empreendimentos. 
As iniciativas deram certo e fizeram o número de postos de venda da marca dobrar em pouco tempo. Recentemente, o site Highsnobiety publicou matéria na qual afirmava que as vendas da Vetements estavam caindo vertiginosamente e que suas criações estavam ficando encalhadas nas lojasinformação posteriormente negada por Gvasalia e por compradores. “É especialmente desapontador ver alguns repórteres de moda atacando marcas jovens e independentes enquanto bajulam grandes conglomerados por causa de seus orçamentos para anúncios. Veículos sérios estão se tornando tabloides”, declarou.  

ROUPAS DESEJÁVEIS 
Embora as estratégias de negócio adotadas sejam alguns de seus diferenciais, não há dúvidas de que foram o frescor e a ousadia de suas criações que elevaram a Vetements ao status cult em que ela se encontra hoje. A sandália com salto de isqueiro, a capa de chuva com a palavra Polizei (polícia, em alemão) e a camiseta amarela com o logo da empresa de entregas alemã DHL se tornaram itens desejados pelo público fashionista, sobretudo os jovens. Entram nesta lista também as hoodies (as queridinhas de Kanye West e Rihanna) e camisetas com letras estilo death metal ou com estampas de filmes (como Titanic, por exemplo), maxicasacos, jaquetas sintéticas, jeans com lavagens vintage e peças de veludo e de couro, focadas no estilo underground.  Em todas elas, a lógica aplicada é a da desconstrução dos conceitos da moda tradicional. Os cortes e o caimento não são perfeitos, as calças apresentam tecido sobrando, os vestidos são desconstruídos, as botas têm as pernas frouxas e as combinações fogem do lugar comum. “A maneira como trabalhamos é muito intuitiva”, disse Gvasalia ao Business of Fashion. “Não há horas de trabalho e estamos apenas nos divertindo o tempo todo”, declarou em entrevista ao Neue Journal 

Embora tenha uma proposta bastante autoral, o foco da Vetements está bem distante da moda conceitual e mais próximo da vida comum. “Nosso negócio é fazer roupas que as pessoas tenham vontade de usar. Tudo o que fazemos esta à venda”. Outro diferencial da marca está na escolha dos cenários para a realização dos seus desfiles. Já teve evento da Vetements em restaurante chinês, em sex club e na Galeries Lafayette, uma das mais tradicionais lojas de departamentos de Paris. O casting escolhido pela marca também foge à regra e conta com modelos de várias idades e perfis (um dos desfiles trouxe modelos carecas, por exemplo). A Vetements também se posiciona com o conceito no gender. Por conta disso, é comum ver modelos homens desfilando roupas da coleção, teoricamente, feminina e vice-versa.  

Quebrar regras, aliás, é uma prerrogativa da marca. No desfile que realizou durante a Semana de Alta Costura de Paris, em 2017, Gvasalia e seu squad firmaram uma série de parcerias com 18 marcas de moda esporte casual como Juicy CoutureLevi’sReebok, além de Manolo Blahnik, marca referência em sapatos de luxo (beijos, Carrie!). A ideia das parcerias, é importante dizer, surgiu não apenas para romper padrões, mas também para resolver um problema de tempo e de custos. Ao aceitar o convite para desfilar em julho, a Vetements teve de antecipar a sua coleção para poder atender aos compradores de lojas de departamento e multimarcas (que geralmente renovam seu estoque de produtos durante a semana de moda de alta-costura). Dessa forma, era preciso correr contra o tempo e contar com o máximo de mão de obra possível.
Seguindo a linha slow fashion, cada vez mais em alta, a Vetements lança apenas duas coleções por ano (e não quatro, como é comum) e se posiciona contra o modus operandi da indústria fast-fashionbastante questionado. Em fevereiro de 2018, por exemplo, a marca promoveu uma campanha contra o desperdício na Harrods de Londres, uma das maiores lojas de departamento mundo. Demna Gvasalia pediu para os ingleses enviarem peças que estavam encalhadas em seus guarda-roupas. O resultado foi uma vitrine lotada de roupas velhas, uma decoração-manifesto contra o sistema.   

Mais que uma marca de moda, a Vetements é símbolo de uma geração, a dos millennials, e de um novo conceito de empreendedorismo, e de economia (cada vez mais em voga), em que todo trabalho é feito no coletivo, na colaboração, em prol de uma ideia macro e em defesa de um valor comum. Um sistema no qual o lucro é importante, mas não é o ponto fundamental. Há ganhos que não podem ser contabilizados em dinheiro.

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SER CHIC É…!

Rodrigo Polack responde!   

Holly Golithtly desembarca de um táxi amarelo e para em frente à vitrine da Tiffany & Co. (a joalheria mais famosa do mundo, fundada em 1837). Nas mãos, um copo de café e um croissant, em plena Quinta Avenida, em NY. Ao som de Moonriver, a cena de abertura de Breakfast At Tiffany’s (Bonequinha de Luxo) dura apenas dois minutos, e está há 57 anos no imaginário de gerações, quando o assunto é elegância e sofisticação.   

Claro que ter Audrey Hepburn como intérprete e um look criado exclusivamente por Hubert de Givenchy, enriquece qualquer roteiro, mas o segredo não está em TUDO isso. Está na postura e na forma de andar com o longo preto sem fendas, na delicadeza ao comer o croissant (em pé e com as mãos vestidas em longas luvas) e ao destampar o copo de café.  Esses detalhes podem passar despercebidos diante de tanto glamour, mas ao meu olhar, são protagonistas e definem a palavra CHIC.   Afinal, o que é ser CHIC? Para muitas, um clássico vestido preto bem cortado + anel de brilhantes + óculos enormes Jackie O + scarpin preto, acompanhados de um bom corte de cabelo na altura dos ombros, definem esteticamente essa mulher. Sinto dizer para essas, que o “embrulho” não passa de um mero figurino, se algumas características (bem fora de moda nesse século!) não andarem juntas.   Lembra do álbum de figurinhas AMAR É, láááááá dos anos 80? Pois então, o usei como inspiração para fazer minha listinha abaixo. 

– Ser CHIC é… dar bom dia, boa tarde e boa noite no elevador.  

– Ser CHIC é… saber ouvir, mais que falar.  

– Ser CHIC é… tratar bem quem te trata bem.  

– Ser CHIC é… dizer obrigado como retribuição.  

– Ser CHIC é… não começar mensagens de WhatsApp sem um simples “Oi!”.  

– Ser CHIC é… não falar alto na mesa do restaurante.  

– Ser CHIC é… não obrigar ninguém a fazer o que não quer.  

– Ser CHIC é… não deixar vazar o som do headphone.  

– Ser CHIC é… voltar com o peso anterior do aparelho, depois de pedir para revezar na academia.  

– Ser CHIC é… gente bem humorada.  

– Ser CHIC é… olhar nos olhos.  

– Ser CHIC é … não ser racista, homofóbico, machista, sexista, xenófobo e misógino.  

– Ser CHIC é… ter bom senso.  

– Ser TRÈS CHIC é… ter educação.   

Não adianta em nada torrar seu rico dinheirinho em labels, labels e mais labels, com peças exclusivíssimas, frequentar as melhores festas e ser amigo de fulano ou coisa e tal, se você não tiver boa parte das qualidades acima. Não se iluda, está escrito em sua testa (em letras garrafais em neon pink!), e TODOS (mesmo os puxa-sacos) sabem quem você realmente é.   

Agora, se for o contrário, podemos ser grandes amigos. O mundo anda idiota demais, dando importância à gentinha, e pessoas especiais de verdade… ah, essas são realmente as mais inteligentes. Só um dado importante… Holly Golithtly, com todo seu garbo, era uma prostituta. De onde veio, com quem se relacionava e como ganhava a vida era o que menos importava. Ela sim era uma bonequinha que sabia o que é SER luxo. 

Rodrigo Polack é stylist há 15 anos, professor da Escola São Paulo no curso Styling, apresentador do programa 5 Looks, no Discovery Home & Health, ao lado de Chris Flores e colunista semanal da Revista QUEM Inspira. Clique aqui para ler a matéria original!

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POR TRÁS DOS FIGURINOS

Figurinos são importantes como ferramenta em processos criativos, seja no audiovisual, seja no teatro. Além de ajudarem os atores no processo de criação dos personagens, eles também apresentam ao público informações essenciais sobre aquelas pessoas em cena. Figurinista há mais de 30 anos, Marichilene Artisevskis afirma que a construção do seu trabalho leva em consideração dados ligados às histórias dos espetáculos e elementos que não necessariamente têm relação com as obras, mas que alimentam a sua criatividade.  A gente bateu um papo com ela para entender um pouco mais sobre o processo de desenvolvimento dos figurinos e a importância das referências no trabalho de criação no teatro: 

ESCOLA SÃO PAULO: O Mal Entendido, um dos espetáculos nos quais você trabalhou, é inspirado em uma história real que aconteceu em Belgrado, na década de 1930, e a montagem, embora não especifique o local onde se passa a história, buscou trazer à tona para o palco esse ambiente. Qual o peso do figurino neste processo?  

Marichilene: O teatro não tem muito essa função de caracterizar figurinos de época, porque o cinema já faz isso lindamente. No palco a discussão é muito maior, mesmo quando se trata de obras clássicas. Você as olha sob as perspectivas do hoje. Em O Mal Entendido, os figurinos não fazem referência à época em que a história se passa, mas sim a particularidades de cada personagem. Decidimos que os três personagens principais (mãe, filha e criado) apresentariam característica de habitantes de um lugar frio que parou no tempo. O figurino em si sugere algo antigo, mas não é. É uma mistura de coisas, na verdade. Todos os personagens estão com o corpo bastante coberto, usando luvas e casacos, justamente para caracterizar pouca exposição ao sol e transmitir a ideia de isolamento e de poucas referências de mundo.

ESCOLA SÃO PAULO: Quais foram as principais referências para criação do figurino deste espetáculo?  

Marichilene: Como figurinista, as minhas referências vem de diversos lugares: moda, cinema, arte. A criação para cada personagem é muito particular. A Marta (a filha), por exemplo, a personagem principal do espetáculo, tem várias características pessoais que me ajudaram a desenhar o figurino dela, como o desejo de ver o mar (que me fez mergulhar no universo dos marinheiros), e uma inocência quase infantil. Por isso, as roupas dela têm tons de azul e ela utiliza sapatos de boneca. 
ESCOLA SÃO PAULO: Quanto tempo é preciso para definir e criar cada uma das peças apresentadas em cena?  

Marichilene: Geralmente é um processo longo que envolve a participação direta nos ensaios. A primeira coisa que eu faço é uma pesquisa de imagem para abrir o olhar e entender o universo da obra. Neste processo, eu entro em contato com as mais diversas referências possíveis. Nem todas eu uso, mas todas de alguma forma alimentam a minha criatividade. Neste espetáculo, eu fui fazendo provas nos atores durante os ensaios para entender o que funcionava em cada personagem, mudando o que não funcionava em cena. Este processo é necessário porque faz com que os atores e a direção da peça se apropriem daquele figurino a ponto dele quase não ser notado em cena de tão integrado que está ao espetáculo.

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MODA E MÚSICA TEM A VER?

Rodrigo Polack responde! 

Hoje, logo pela manhã, ao pesquisar alguns vídeos no Youtube, me deparei com um especialíssimo — e me emocionei de imediato. Tinha a mais que absurda cantora islandesa Bjork, se apresentando no desfile de Alexander McQueen. 

Vou (tentar!) descrever a cena: o vestido era um haute couture longo, com bordados e plumas, e uma ventania de dar inveja à Beyoncé, que fazia a islandesa flutuar na passarela. As modelos, passavam por Bjork, compondo um lindo ballet de preciosismo fashion. O evento era o Fashion Rocks, o ano 1997 e a música era Bachelorette. 

Esse vídeo curto, de três minutos e meio, desencadeou uma pesquisa por outros, também icônicos para a moda, que tivessem uma relação direta com a música. Ali estava o tema da minha coluna desta semana. 

Em seguida, digitei na busca “Viktor & Rolf + Tori Amos”. Recordei do memorável, delicado e estranhamente lindo desfile de fall/winter 2005 da dupla, em Paris. A cantora Tori Amos, de cabelos vermelhos frisados e robe de seda pink, tocada um piano de calda, numa passarela escura e dramática. Quem abriu o desfile foi Lily Cole, num vestido-casaco-edredom com direito a travesseiro e muito cabelo armado. A terceira foi Carol Trentini. Raquel Zimmermann e Cintia Dicker vieram pouco depois, para completar o time das brasileiras.  Eu, que estava há apenas 2 anos na carreira de stylist, fiquei impressionado com tamanha sensibilidade. A união de imagens lindas arquitetadas com perfeição, ao som de uma trilha tão única, criaram uma espécie de atmosfera noir, digna de um sonho do Batman. Quem já assistiu a um desfile, sabe o que é a sensação gostosa de bater o pezinho ao som da batida perfeita. 

Para mim, a moda foi, é, e sempre será emocionante. Abra os olhos e deixe os ouvidos atentos, pois quando menos esperar, cores, texturas, brilhos e formas vão  formando imagens como num passe de mágica. E nem precisa ser tão entendedor do assunto. Basta ser livre para voar. 

Jean Paul Gaultier criou o corset de Madonna para a Blonde Ambition Tour, de 1990. Dentre tantas, com certeza absoluta, é a peça mais lembrada de todo o acervo da Rainha do Pop. Basta olhar para uma foto, que toda a performance vem à mente. Com coreografia, rabo de cavalo, bailarinas e afins. Claro, para quem é da época, assistiu ou leu alguma matéria sobre o assunto.  

Madonna uma vez disse, “Não sigo as tendências, as faço!”. Mas não faz sozinha. É rodeada dos melhores designers de moda (stylists e profissionais da beleza também, of course!) que dão tudo para serem os escolhidos. Com a mesma máxima da loira ambiciosa, Maria Antonieta, esposa do Rei Luis XV, em pleno século XVIII, foi a primeira rainha a entender e usar a moda como instrumento de poder.   

No MTV Awards, também de 1990, Madonna com muitas joias, penteado monumental e um vestido riquíssimo  (que deixava seu peito quase todo à mostra, em um decote pra lá de profundo), deixou o mundo extasiado com sua performance ao vivo, em homenagem à abusada Maria Antonietta. Mais uma vez, a música se rende aos encantos da moda e também da história. Lady Gaga e Beyoncé em Paparazzi, David Bowie em Life On Mars, George Michael em Freedom (ao lado de uber models como Naomi Campbell, Linda Evangelista, Cindy Crawford e Christy Turlington), nos trouxeram momentos mais que memoráveis e cheios de referências fashionistas. Vou contar um segredinho… para fazer uma edição de looks no meu trabalho, coloco músicas que tenham a ver com o mood. Se o estilo é mais romântico, já boto uma música clássica bem intense ou até uma bossa nova. Se é rocker, caio de cabeça nos Rolling Stones (minha banda favorita da vida!). Se é street, vou de hip hop e por aí vai. A música me move em tudo o que faço, inclusive nesse exato momento que estou escrevendo. E sabe qual a playlist que estou ouvindo? Uma que só tem trilhas de filmes de moda. 

Agora abra uma nova janela na sua tela e assista a cada um desses momentinhos mágicos que citei acima. Tenho certeza que você vai ficar com vontade de sair por aí desfilando um lookão, ou quem sabe, até se emocionar como eu. Ou as duas coisas. 

Rodrigo Polack é stylist há 15 anos, professor da Escola São Paulo no curso Styling, apresentador do programa 5 Looks, no Discovery Home & Health, ao lado de Chris Flores e colunista semanal da Revista QUEM Inspira. Clique aqui para ler a matéria original

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SER IGUAL É LEGAL?

Rodrigo Polack responde!

A cena é comum: você termina de se arrumar para sair, olha para o lado e se depara com as mesmas cores no look do seu boy (ou girl!). Coincidência? Não acredito. I believe in sintonia, harmonia and energia. E viva o “IA”! 

Quando estamos com alguém, ou os interesses em comum são muitos ou não dá certo. Os olhares em relação à estética podem até se divergir no início da relação, mas com o tempo (sem querer mesmo!), um entra no universo do outro. E para falar a verdade, essa troca de afinidades é um ótimo exercício e pode sim ser divertidérrimo. 

Nas inúmeras vezes em que aconteceu comigo, não pensei duas vezes e já fui trocando uma peça ou outra (como stylist, me sinto no dever de mudar e não deixar para o outro), até o meu look ficar com uma linguagem própria. E sabe o mais curioso? Mesmo com as mudanças, os dois ainda tinham unidade. Cada um na sua, mas com alguma coisa em comum. Esse é o segredo.
Por outro lado, existem casais que amam sair de par de vasos. Sabe aquela festa que 80% das pessoas se veste da mesma forma? A mesma camisa com 3 botões desabotoados, a tal calça justa com o joelho rasgado, a t-shirt italiana do momento, aquelas duas marcas de relógio, a icônica bolsa de correntes douradas, o copiado scarpin de tachas… Tudo isso são símbolos. E essas pessoas que se vestem em códigos, são as mesmas que não se importam em se vestir iguais aos outros. Mas vamos combinar o quão boring é uniforme. 

Casais gays caem nessa armadilha facilmente por um motivo mais que óbvio… o mesmo sexo. Alguns funcionam como esponja, absorvendo a imagem do outro. E não me refiro apenas às roupas. Cabelos e corpos também entram nesse “copy paste”. Quando há uma troca, pode até ser saudável. Quando apenas um estilo prevalece… cilada. 

Quem nunca se deparou com um casal totalmente descoordenado nos looks? Ela montada na renda e salto e ele de calça jeans, tênis e pólo. A impressão que dá é que não conversam nunca sobre nada. Dois estranhos que não conhecem um ao outro. Uma ajudinha a quem fica perdido na hora de se vestir, custa paciência e alguns minutos do seu precioso tempo, mas é uma superprova de amor.
Sempre me perguntei qual a piração dos pais que vestem gêmeos idênticos de forma idêntica. São pessoas diferentes, com personalidades distintas. Além de gerar uma confusão em quem não é tão íntimo da família, confunde a cabecinha dos pobres coitados, que já passam a vida tentando provar que não são a mesma pessoa. 

Lembra do boom das coleções que tinham o mesmo vestido para a mãe e para a filha? Ainda existem, mas não, também não acho legal. De duas uma, ou a mãe fica com cara de Mary Poppins, com vestido rodado, ou a filhinha usa mini saia de couro, coitada. No No No. 

Já falei isso antes por aqui, mas não custa reforçar… seja a melhor versão de você mesmo! Agora, se duas versões diferentes tiverem pontos em comum… DIN DIN DIN, O CASAL VAI BRILHAR, SIM!


Rodrigo Polack é stylist há 15 anos, professor da Escola São Paulo no curso Styling, apresentador do programa 5  Looks, no Discovery Home & Health, ao lado de Chris Flores e colunista semanal da Revista QUEM Inspira.  Clique aqui para ler a matéria original.

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O QUE ESTÁ POR TRÁS DAS ROUPAS QUE VESTIMOS?

Moda é expressão e inspiração, mas também pode ser consciência ecológica e social. Afinal, as roupas que usamos não surgem do nada nas prateleiras, mas são confeccionadas por pessoas e têm uma história por trás sobre as quais precisamos saber. Nos últimos anos, diversas iniciativas começaram a ser realizadas com o intuito de fazer as pessoas entenderem qual o verdadeiro custo da moda e que a compra é apenas o último passo de uma longa jornada que envolve diversos personagens e cenários.

Um exemplo desses projetos é o Fashion Revolution criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável após o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, há cinco anos. Classificado como o quarto maior desastre industrial da história, o desabamento deixou 1.133 mortos (na sua maioria mulheres) e 2.500 feridos. No local, funcionavam diversas confecções que forneciam insumos para grandes redes da moda no mundo. O desastre fez com que as pessoas olhassem com mais atenção para a cadeia de produção da moda. “Nós queremos que você pergunte: ‘Quem fez minhas roupas?’. Essa ação irá incentivar as pessoas a imaginarem o “fio condutor” do vestuário, passando pelo costureiro até chegar no agricultor que cultivou o algodão que dá origem aos tecidos”, explica Orsola de Castro, co-fundadora do movimento.

Realizado anualmente em mais de 100 países, incluindo o Brasil, o Fashion Revolution motivou em 2017 a criação da #whomademyclothes, campanha que contou com a adesão de 100 mil pessoas e que pedia às empresas de moda que abrissem o seu portfólio e informassem ao público quais  eram suas fábricas fornecedoras. O objetivo era identificar quais e quantas marcas faziam negócios com fornecedores que utilizam mão de obra escrava ou oferecem condições de trabalho perigosas e insalubres para seus funcionários.

Mais de duas mil empresas compartilharam informações sobre a sua cadeia produtiva e criaram uma nova hashtag, a #imadeyourclothes (eu faço a sua roupa). A repercussão das iniciativas fez com o que o governo de Bangladesh aumentasse em 77% o salário mínimo da área e inspecionasse mais de 1.300 fábricas em seu território. Paralelamente, 76 marcas (nomes como Zara, Mango, Valentino, UNIQLO e H&M, que, juntas, representam 15% da produção têxtil no mundo) aderiram à campanha Detox my Fashion 2020, criada em 2011 pelo Greenpeace com o objetivo de eliminar a utilização de produtos químicos na cadeia produtiva da moda.

A tragédia em Bangladesh também foi o fator que motivou o diretor Andrew Morgan a produzir o impactante documentário The True Cost. Na obra, Morgan ouviu ativistas pelos direitos humanos, trabalhadores, donos de fábricas têxteis, produtores de algodão e economistas – os representantes dos grandes grupos de varejo, contudo, não quiseram conceder entrevista. “A indústria do vestuário é a indústria mais dependente do trabalho humano no mundo, empregando milhões de trabalhadores que são os mais pobres de todo o sistema, muitos dos quais são mulheres. Muitas destas mulheres recebem menos do que um salário mínimo, trabalham em condições inseguras, e são privadas de direitos humanos básicos. Além do impacto humano, a moda se tornou a segunda indústria mais poluente do mundo – perdendo apenas para a indústria do petróleo”, explica o diretor.

A produção (disponível na Netflix) repercutiu no mundo inteiro e ganhou comentários de figuras famosas ligadas ao mundo da moda, como a atriz Sarah Jéssica Parker. Em entrevista ao The Edit, ela declarou que desde que viu o filme mudou os seus hábitos de consumo e passou a praticar o upcycling, comprando roupas usadas para o seu filho de 14 anos e adquirindo produtos em sites de leilão de peças vintage e brechós on-line.

Se você quiser aderir à campanha, o Fashion Revolution disponibiliza em seu site um pôster com o slogan do projeto. Para baixá-lo, clique aqui!

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RODRIGO POLACK: TEM IDADE CERTA PARA SER FASHION?

A relação entre moda e celebridade sempre foi assunto de discussões animadíssimas. E um disputado red carpet é sempre palco perfeito para patrulhas de todos os tipos, destilarem seus venenos com o antigo ‘Certo e Errado’, nas redes sociais.
Alguns tópicos são mais comuns na hora de apontar o dedo… a marca do vestido, o valor das jóias, o corpo ideal, as rugas (Ó ceús, dessa nem a Nossa Senhora do Botox Perfeito escapa!) and um dos mais comentados, a tão temida IDADE. 

Vou começar citando a sempre criticada Madonna. Com seus bem vividos 59 anos, é julgada se aparece de cara lavada, boné e look de academia. Se aparece com o rosto photoshopado e pele de cera na capa da revista, lá vem pedrada. De body e meia arrastão nos shows… “Já poderia ser avó!”. De viúva siciliana no MET Gala… “Não surpreende como antes!”. 

Outra que nunca escapa aos olhares dos críticos, é Donatella. Criticada desde a época dourada da marca, em que era musa de Gianni, a italianíssima herdeira platinada da Versace (mais magra que as modelos de seus desfiles e com bronze cenoura) dá de ombros para quem tem a língua afiada e continua mostrando seus braços em alcinhas ultra-sexy e pernas em fendas escandalosas. A grande diferença do passado para agora, aos olhos de quem tem essa tal língua afiada, é o fato de ter 63 anos, e claro, a quantidade de toxina botulímica e ácido hialurônico aplicados em seu rostinho. 

Sarah Jessica Parker, ao longo de muitos anos como Carrie Bradshaw, deixou o mundo passado a ferro, com seus looks extravagantes e fashionistas em último grau. Volume nos cabelos, saias de tule, it bags, labels, labels, labels, e um lifestyle novaiorquino que dava vontade de arrumar as malas e fugir pra Big Apple ganhar a vida. Ai Carrie, como te amava! 

Já Sarah, entrou nesse mood e se transformou em um ícone fashion à altura de sua personagem em Sex And The CityForever! No último Met (montadíssima de Dolce & Gabbana), com rugas aparentes, encarando seus 53 anos em closes sem prenchimentos em excesso, foi chamada de VELHA por muita gente. 

Anna Dello Russo, editora da Vogue Japão, também joga no mesmo time das absurdinhas, que despertam reações diversas a respeito de seu lifestyle FOREVER YOUNG. Jane Fonda, sua F*DA! No Oscar 2018, aos 80 anos, usou branco total e maravilhosa, agradou a maioria. Ainda assim, ouviu-se… “Linda AINDA, mas é escrava da beleza. Não come e se mata de malhar.” Iris Apfel, americana de 96 anos, designer de interiores, empresária e intusiasta da moda, dona de uma coleção de óculos gigantes, pulseiras coloridíssimas e roupas estampadas, sábia, disse uma vez… “Vestir-se de acordo com a idade, é uma grande idiotice”. 

Let’s talk about Brasil… 

Hebe Camargo, musa maior da nossa tv e seus vestidos curtos, com pernas torneadas de dar inveja a qualquer new face. Elke Maravilha, rainha do absurdo até sua morte. Sem medo de ser feliz! Gloria Maria, belíssima, mãe de duas crianças e ainda com tempo (e disposição!) para rodar o mundo a trabalho. Fernanda Montenegro, clássica, chiquérrima always, e sem plásticas em plena era do HD. Costanza Pascolato, com seu topete/moicano e óculos escuros inconfundíveis, workaholic e antenada master no novo, esbanja frescor em tudo o que faz. 

Quer saber o real significado de coragem aos 60, 70, 80 e 90 anos? Acesse @advancedstyle, no Instagram. Mulheres fantásticas, overdressed, em looks espetaculosos, multicoloridos e cheios de vida! 

Ser sexy e jovem, independe dos centímetros de pele à mostra ou da sua idade. Depende sim de ATITUDE! E isso, ou você tem ou não tem. Poder ou não usar um look, fazer dezenas de plásticas ou encarar as marcas de frente, ficar loiríssima ou deixar os cabelos grisalhos, são escolhas pessoais. Afinal, o que PODE ou NÃO PODE? Você é quem dita as regras.
Seja a pessoa mais interessante que você conhece. E ser AGELESS é exatamente isso, estar FRESH, independente dos anos vividos.

Ficaria horas escrevendo sobre mulheres fantásticas que admiro, mas essa coluna está um pouco grandinha e eu já estou atrasado para uma consulta com a minha dermato maravilhosa.

Rodrigo Polack é stylist há 15 anos, professor da Escola São Paulo no curso Styling, apresentador do programa 5 Looks, no Discovery Home & Health, ao lado de Chris Flores e colunista semanal da Revista QUEM Inspira. Clique aqui para ler a matéria original! 

Créditos das imagens: Instagram @advancedstyle 

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SIMON PORTE JACQUEMUS, A MODA COMO UM FILME FRANCÊS

Simon Porte Jacquemus nasceu em Salon-de-Provence, a 50 km de Marselha, na Provence, sul da França. Aos 18 anos, se mudou para Paris com o objetivo de estudar moda e estagiar em uma grande Maison. Uma tragédia, contudo, mudou completamente os seus planos: após um mês na Cidade Luz, ele perdeu a mãe em um acidente de carro e decidiu largar tudo.


Para superar a dor, fez do seu desejo de se expressar por meio da moda um importante aliado. “Poucos dias depois do enterro, transformei minha dor em força, em vez de fraqueza, e comecei a criar. É por isso que consegui tocar as pessoas. Mesmo que as minhas primeiras coleções não tivessem uma linha precisa, havia a emoção”, explica em entrevista à revista Elle.

De volta à Paris, sem recursos ou contatos importantes, mas com uma vontade imensa de criar, fez a primeira coleção e aconteceu. Hoje, aos 27 anos, Jacquemus é um dos nomes mais importantes da moda na atualidade, a esperança da moda francesa, nas palavras de Adrian Jofe, diretor executivo da Comme des Garçons, elogiado por críticos e adorado pelas influencers do street style internacional e por personalidades como Rihanna, Solange, Beyoncé, Miley Cyrus, Selena Gomes, Kendall Jenner e Kim Kardashian.   

Cada uma de suas coleções conta a história de uma mulher francesa e começam com A ou O, numa alusão ao filme O Desprezo, do cineasta franco-suíço Jean-Luc Godard. “Sempre fui obcecado por essa história. É tão francesa. Les Santons de Provence (Os Bibelôs da Provence), L’Amour d’un Gitan (O Amor de um Cigano). Minhas coleções são sempre pensadas como um filme francês”, pontua, também em entrevista à revista Elle.  

Além do cinema, seu trabalho tem como inspiração a sua mãe. La Bomba, a coleção Primavera 2018 da sua marca, por exemplo, tem inspiração na cultura espanhola, mas bebe, e muito, do lifestyle sulista dela, região da França em que, nas palavras dele, as mulheres “são mais simples e sorridentes”. O vídeo de divulgação, filmado nas Ilhas Canárias, mostra modelos curtindo um dia ensolarado em uma paradisíaca vila espanhola, em um clima leve e sensual totalmente conectado com o mood da sua marca. “A Jacquemus é solar. Tem uma luz nela”, afirma.

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OLIVIERO TOSCANI, O PROVOCADOR

Foi em uma época em que publicidade e política pouco se misturavam que ele inscreveu seu nome na história como um fotógrafo criativo, ousado e, acima de tudo, polêmico. Impossível pensar em fotografia entre os anos 80 e 90 sem se lembrar do nome de Oliviero Toscani. Diretor de arte da marca de roupas italiana Benetton por 18 anos, ele assinou campanhas controversas sobre temas delicados, como racismoreligião direitos humanos, que transformaram a publicidade no mundo. 

 
Em 1991, ele apostou na ideia da tolerância e da diversidade cultural e trabalhou com modelos negros, brancos e  asiáticos (uma das imagens mais marcantes é a de uma mulher negra amamentando um bebê branco). No ano seguinte, causou polêmica com a Igreja Católica ao trazer uma imagem de uma freira sendo beijada por um padre (até hoje uma de suas fotografias mais conhecidas).   


Em 1993, abordou a importância da conscientização para o HIV e a exclusão social sofrida por pessoas soropositivas. Uma das imagens da campanha, que trazia o ativista David Kirby, em seu leito de morte, cercado por sua família, causou uma comoção no mundo inteiro. “As pessoas gostam de uma realidade agradável, não querem ver a realidade tal como ela é. As pessoas dizem que as minhas fotos são ‘chocantes’, mas ‘chocante’ é a realidade que elas preferiam não ver”, afirmou ementrevista ao jornal O Observador.   

Toscani nasceu em Milão, no ano de 1942, e cresceu em uma Itália em reconstrução após a Segunda Guerra Mundial. Influenciado pelo pai, Fedele Toscani, que era fotógrafo do jornal Corriere della Sera, começou a fazer os seus primeiros registros na adolescência. Formou-se em fotografia na tradicional escola de artes visuais Kunstgewerbeschule, de Zurique, e iniciou a carreira fazendo editorais para as principais revistas de moda da Itália, como VogueElle e Harpers Bazaar. Na década de 1970, trabalhou com Andy Warhol

Com o tempo, o seu trabalho começou a chamar a atenção de marcas como Chanel, Valentino e ele logo migrou para o universo da publicidade no qual faria o seu nome. Após quase 20 anos, Toscani deixou a Benetton (após uma polêmica campanha envolvendo imagens de prisioneiros) e levou seu estilo de fotografar para outras marcas e realizou alguns projetos pessoais. “Eu conto uma história com imagens relacionadas ao momento da história em que estou inserido”, disse em entrevista ao The Guardian.

Em 2005, assinou a campanha da Ra Re, na qual dois homens apareciam se beijando e se tocando. O trabalho gerou polêmica com o Instituto italiano de Autodisciplina Publicitária (IAP), que tentou proibir a veiculação da propaganda. Dois anos depois, o fotógrafo realizou uma campanha contra a anorexia para a marca No-l-ita, que trouxe imagens da modelo e atriz francesa Isabelle Caro, que sofria da doença desde os 13 anos. Acusado de sensacionalista, Toscani se posicionou: “Há anos me ocupo do problema de anorexia. Quem são os responsáveis? No geral, os meios de comunicação, a televisão, a moda. Eu quis despertar as pessoas para as consequências desta doença que atinge cada vez mais manequins.”

Em 2017, o fotógrafo foi convidado a retomar o antigo posto na Benetton, após um hiato de 17 anos, como parte de uma estratégia de reposição da marca no mercado, que em 2017 perdeu 46 milhões de euros. Aos 75 anos, Toscani segue em atividade e com a consciência do impacto do seu trabalho. “Lembram-se de alguma campanha publicitária da Zara nos anos 90? Lembram-se de algum editorial de moda da Vogue dos anos 80? Vá lá, façam um esforço. Então não se lembram de nada? E da Benetton? De quantas imagens se lembram?”, provocou na coletiva de imprensa de anúncio do seu retorno.   

Fotos: Campanha “United Colors of Benetton”.

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RODRIGO POLACK: PODE MISTURAR ALFAIATARIA COM TÊNIS? MOLETON COM SALTO?

A solução foi… ser eu mesmo, ou seja, atualizar, levar aquela década do início do século passado praquele ano. Misturei às muitas pérolas, sem dó, correntes de metal, troquei os sapatinhos comportados por botas e pedi ao maquiador, olhos pretos. Pronto! Minha mulher tinha perfume vintage, que não cheirava a Chanel Nº 5 e muito menos à naftalina. Ela era chiquérrima, adorava o clássico, mas sabia ser forte. E essa é minha mulher… sempre FORTE!

Estou amando o momento atual das capas e campanhas, onde modelos se misturam às pessoas normais. Tipos variados, de cores e tamanhos diferentes, dividem a mesma página. Foi-se o tempo da hegemonia nas passarelas, em que todos pareciam suecos, escandinavos e com a mesma cara, cabelo e andar. Estamos evoluindo.

Quando me perguntam qual o segredo para manter uma imagem moderna e atual, costumo dizer que, mesmo quando as  tendências e inspirações são de outras épocas, penso sempre no momento atual. Como o antigo se encaixa com o novo. Afinal, tanto uma senhorinha de 90 anos, quanto uma gatinha de 20, estão vivendo no mesmo tempo. A época é agora e é uma só, as informações também.

Um exercício fácil para fazer já… pegue um vestido romântico no armário. Pode ser de tecido fluido e leve, plissado, em tons pastel e até rodado (não necessariamente com todas essas caraterísticas, pelo amor de Deus! rs). Agora, escolha um sapato e uma bolsa para comporem com seu look. Você optou por um scarpin, uma sapatilha, um tênis ou uma botinha? A bolsa é pequena, à tiracolo ou maxi? E o mais importante… as cores combinam entre si? Se você seguiu o caminho que o vestido pediu, ou seja, romantizando-o ainda mais, faça um drink agora pq água com açúcar vai te fazer dormir. Se foi corajosa e pegou uma peça que descombinou com toda essa fofura… PARABÉNS, minha cara, você acaba de passar no teste da contemporaneidade e vive em 2018!

Rodrigo Polack é stylist há 15 anos, professor da Escola São Paulo no curso Styling, apresentador do programa 5 Looks, no Discovery Home & Health, ao lado de Chris Flores e colunista semanal da Revista QUEM Inspira. Clique aqui para ler a matéria original!