
Por Sabina Deweik, do time Humans Can Fly e professora e colunista da Escola São Paulo.
Quando você pensa em luxo, o que vem a sua cabeça? Exclusividade, status, ostentação, marca? Este conceito vem passando por grandes transformações, acompanhando também as grandes mudanças de comportamento da sociedade.
Existe hoje uma nova relação entre preço e valor. Na década de 80, por exemplo, aquilo que tinha um preço elevado, tinha um valor alto. Preço e valor tinham uma relação quase que direta, linear. Hoje, nem tudo que tem um preço elevado tem grande valor para as pessoas. Muito pelo contrário. Há experiências de grande valor que são gratuitas ou extremamente acessíveis: fazer download de suas músicas preferidas, ter conexão wi-fi, tomar uma xícara de café com seu melhor amigo ou simplesmente poder se desconectar.
Grande parte das pessoas está deixando para trás o velho conceito do que é luxo no qual o sentido era ter algo que denotava status social. O exibicionismo vai dando espaço para o consumo de luxo ligado a experiências autênticas e empáticas.
Essa nova visão, me remeteu a um documentário que assisti recententemente: “Minimalism: a documentary about the important things” (Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes), disponível na Netflix. No filme, os amigos de infância Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, os personagens principais, resolvem largar uma carreira estabelecida e um cargo no qual ganhavam um salário de dois dígitos para viver com mais satisfação e menos coisas. A partir daí, escrevem um livro sobre essa experiência e partem para uma viagem pelos EUA para promover o livro.
Há quem critique a visão de que reduzir, ter menos poder financeiro, trará mais felicidade. Porém, analisando o documentário do ponto de vista dos movimentos sociais emergentes, me dou conta da importância deste tema na atualidade.
Ao longo do filme, especialistas de diversas áreas mostram alguns motivos pelas quais povos ocidentais perpetuam o fenômeno do consumismo desenfreado: a propensão a comprar compulsivamente por conta de sentimentos positivos que este hábito proporciona, a publicidade e o barateamento de produtos, como roupas e eletrônicos. Um dos autores e pensadores que admiro muito, Gilles Lipovetsky se debruça sobre essa questão pontuando no livro A Era do Vazio os efeitos da cultura na qual estamos inseridos: “A cultura pós-moderna é voltada para o aumento do individualismo, diversificando as opções de escolha, cada vez mais opções de escolha sobre tudo em uma sociedade de consumo; levando a perda de uma visão crítica sobre os objetos e valores que estão a nossa volta”. Sobre essa questão do valor venho me questionando imensamente: Qual o valor de X na minha vida? Para que?
Questionar-se sobre o “para que” e não sobre o “porque” de algo abre uma perspectiva de qual o real valor daquela coisa, daquela experiência para cada indivíduo. Assim, a ideia perpetuada até hoje de que os bens devem ser consumidos mais rapidamente e em maior volume vai se desconstruindo. O Lowsumerism (união das palavras em inglês “low“- baixo com “consumerism” – consumismo), tendência crescente, vêm confirmar estas novas direções. O movimento, que vem ganhando adeptos em todo o mundo, tem como proposta repensar a lógica de consumo na busca por mais consciência e equilíbrio na hora de comprar.
Ele se instala como uma alternativa a nossa herança consumista desde a Revolução Industrial e do modelo Fordista (nome em homenagem ao criador do método, o americano Henry Ford), que disseminava a produção em série.
Desde lá, a sociedade e o ideal de consumo foi crescendo com o chamado sonho americano e o atual esgotamento do planeta.
Por coincidência ou não, este ano de 2018, mais especificamente o dia 1 de agosto, foi considerado pela ONG Global Footprint Network, o dia da sobrecarga da terra: em apenas 212 dias de 2018, os 7,4 bilhões de habitantes do Planeta Terra esgotaram os recursos naturais de comida, água, fibra, solo e madeira disponíveis para os 365 dias do ano. Traduzindo em miúdos: a humanidade está em dívida com a natureza. De acordo com a ONG, se não mudarmos nosso padrão de consumo, antes de 2050 precisaremos de dois planetas Terra para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Quando pensamos nesta escala de valores, nos damos conta de que o Lowsumerism não é nem mesmo uma tendência. Eu chamaria de emergência.
No rastro do Lowsumerism surgem outros movimentos como o upcycling; o reaproveitamento de materiais antigos ou que seriam descartados e a economia do compartilhamento; a sharing economy. A era da posse dá lugar a era do acesso: Uber, Airbnb, Coworking, bicicletas compartilhadas, Spotify, Netflix. Hoje é possível alugar uma incrível bolsa de uma marca de luxo e devolvê-la para que outro use, é possível se hospedar numa casa dos sonhos por um bom custo-benefício através de ferramentas como o Airbnb ou ainda trabalhar em um local incrível e conhecer pessoas, como é o caso dos co-workings, sem precisar pagar uma fortuna por um escritório. Você usufrui, mas não possui. O desejo de consumo não cessa, apenas você não tem mais a posse do produto. Segundo as projeções da consultoria PwC, a economia compartilhada deverá movimentar mundialmente US$ 335 bilhões até 2025 — 20 vezes mais do que se apurou em 2014, quando o setor movimentou US$ 15 bilhões.
Neste sentido, as novas gerações têm sido extremamente importantes para este impulsionamento e para a ressignificação do luxo, imprimindo valores como sustentabilidade, propósito, autenticidade e transparência.
No relatório “Millennials Drive The Sharing Economy”, conduzido pelo analista da Forrester Jonathan Winkle, a taxa de uso dos Millennials em negócios compartilhados é mais do que quatro vezes maior do que a dos Baby Boomers. Os dados revelam de fato que os Millennials impulsionam a economia compartilhada, em parte porque detêm valores diferentes dos consumidores mais antigos.
As gerações mais jovens gastam mais em experiências do que em produtos materiais.
Sinal dos novos tempos é o evento recém lançado em junho de 2018 em Arnhem, Holanda, o State of Fashion, uma iniciativa que apoia e ativa a busca mundial por uma indústria da moda mais justa, limpa e sustentável, conectando designers, empresas, governos, instituições educacionais e consumidores de moda e têxtil. Com o tema “Buscando o Novo Luxo”, as novas definições são exploradas como resposta às urgentes demandas ecológicas e sociais de hoje: menos desperdício e poluição, mais igualdade, bem-estar e inclusão – valores muito cultuados tanto pela geração dos Millennials como pela geração z.
É dentro deste contexto que o luxo exclusivo vem dando lugar ao luxo acessível e inclusivo. Entramos na era dos Experiential Seekers – consumidores que passam a ter valores pós-materialistas e buscam por experiências intensas e com significado. E para você o que é o verdadeiro luxo?


Abro novas aspas para Ervin Laszlo: “Chegou a hora de mais uma mudança: de uma civilização de Logos (Razão) para uma civilização de Holos (Todo).
Fica fácil de perceber o alargamento de visão característico da liderança holística. Quando se amplia a conexão consigo e com o outro, a totalidade – característica primordial do holos – começa a se manifestar. A equipe passa a ser vista como um conjunto equânime onde todos tem seu valor e são interdependentes. Na visão holística, não existe uma área, parte ou grupo mais relevante, o que importa é o conjunto harmônico e o despertar do protagonismo de cada um dos envolvidos. Podemos comparar o líder holístico com um maestro que enxerga o todo e afina cada um de “seus instrumentos” para que toquem harmonicamente a melodia.
Ela comenta que hoje existem inúmeras ferramentas, tecnologias e técnicas disponíveis para aqueles que desejam aprimorar-se. “O mergulho no “eu interior” pode sim fazer uma grande diferença, tanto ampliando a consciência sobre responsabilidades e oportunidades, como ajudando no desenvolvimento de novas capacidades. O autoconhecimento é uma alavanca sensacional, podendo conectar líderes à grandes objetivos de transformação”. E faz uma ressalva: “O simples fato de conhecer técnicas, não pressupõe seu alcance. É necessário um engajamento muito próprio e profundo afim de colocá-las em prática.”
Nova Era, Despertar da Consciência, Mundo em Transição, Amanhecer da Galáxia, Nova Ordem Mundial, etc… chame como quiser. Diferentes religiões e culturas ancestrais predisseram que mudanças radicais aconteceriam do período que vivemos em diante. Eles estavam certos? Acredito que sim!
Sem querer tirar o mérito preditivo das religiões e culturas ancestrais, acredito que nós enquanto seres humanos, demos substrato suficiente para que notassem que nosso modus operandi já aponta que estamos indo pelo caminho errado há muito tempo. Por isso não precisamos devanear na ideia de que o novo mundo é algo transcendental, que surgiu do nada. Essa nova maneira de agir, sentir e pensar é a mais legítima tentativa de mudar pra melhor o rumo do nosso planeta e da nossa condição enquanto espécie.
O curioso é que os valores e princípios por trás das características do Novo Mundo são “eternos”, ou seja, sempre existiram e sempre existirão, o que precisamos é ressignificá-los. E foi quando mais nos aproximamos deles, que a humanidade deu seus maiores e mais consistentes passos, se desenvolveu e prosperou. A questão é que nos distanciamos disso de alguma forma, ficamos ludibriados pelas novidades, ignorando o que nos trouxe até aqui, nos deslumbrando pela ganância, individualismo, poder e acabamos gerando uma desconexão com o outro e com nossa própria essência. Perdemos o real senso de comunidade e experimentamos a perda da nossa humanidade…
Desenvolvemos, como humanos, uma estratégia básica para lidar com nossa vulnerabilidade: acumular poder. Mesmo que não aplaque plenamente nossa angústia, sentirmo-nos poderosos perante o outro nos traz uma (frágil) sensação de segurança. Com o tempo, criamos diversas variáveis dessa estratégia, que fazem parte de nosso cotidiano sem que percebamos. É sobre elas que discorre uma série de textos que inicio agora e que aos poucos serão compartilhados aqui no portal da Escola São Paulo.
4) Desmascarar o outro: abusar do contraponto ao discurso do outro, fazendo-o de maneira a parecer que se está trazendo a antítese final e inquestionável do que o outro disse – e que, portanto, o desmascarado é ignorante e o desmascarador é inteligente, pois viu o que ninguém estava vendo. Geralmente vem com uma metralhadora de argumentos que também são passíveis de contraponto, mas por seu tom categórico, parece que não são.

importantes para nosso futuro como: colaboração, empatia, protagonismo, autenticidade, ética, entre outros que nos estimulam e desenvolvem enquanto humanos. A interdisciplinaridade entre o grupo e as empresas parceiras nos dá condições para criamos e facilitarmos workshops, palestras, vivências, rodas de conversa e atendimentos individuais, os quais batizamos de Jornadas de Transformação. O Humans Can Fly é também um manifesto nosso no mundo. Acreditamos que SIM, pessoas, marcas e organizações podem voar em direção a caminhos com mais propósito, coerência e bem-aventurança…

