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DA EXCLUSIVIDADE À INCLUSÃO: UMA NOVA VISÃO DO LUXO

Por Sabina Deweik, do time Humans Can Fly e professora e colunista da Escola São Paulo. 

Quando você pensa em luxo, o que vem a sua cabeça? Exclusividade, status, ostentação, marca? Este conceito vem passando por grandes transformações, acompanhando também as grandes mudanças de comportamento da sociedade. 

Existe hoje uma nova relação entre preço e valor. Na década de 80, por exemplo, aquilo que tinha um preço elevado, tinha um valor alto. Preço e valor tinham uma relação quase que direta, linear. Hoje, nem tudo que tem um preço elevado tem grande valor para as pessoas. Muito pelo contrário. Há experiências de grande valor que são gratuitas ou extremamente acessíveis: fazer download de suas músicas preferidas, ter conexão wi-fi, tomar uma xícara de café com seu melhor amigo ou simplesmente poder se desconectar.
Grande parte das pessoas está deixando para trás o velho conceito do que é luxo no qual o sentido era ter algo que denotava status social. O exibicionismo vai dando espaço para o consumo de luxo ligado a experiências autênticas e empáticas.  

Essa nova visão, me remeteu a um documentário que assisti recententemente: “Minimalism: a documentary about the important things” (Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes), disponível na Netflix. No filme, os amigos de infância Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, os personagens principais, resolvem largar uma carreira estabelecida e um cargo no qual ganhavam um salário de dois dígitos para viver com mais satisfação e menos coisas. A partir daí, escrevem um livro sobre essa experiência e partem para uma viagem pelos EUA para promover o livro. 

Há quem critique a visão de que reduzir, ter menos poder financeiro, trará mais felicidade. Porém, analisando o documentário do ponto de vista dos movimentos sociais emergentes, me dou conta da importância deste tema na atualidade.
Ao longo do filme, especialistas de diversas áreas mostram alguns motivos pelas quais povos ocidentais perpetuam o fenômeno do consumismo desenfreado: a propensão a comprar compulsivamente por conta de sentimentos positivos que este hábito proporciona, a publicidade e o barateamento de produtos, como roupas e eletrônicos. Um dos autores e pensadores que admiro muito, Gilles Lipovetsky se debruça sobre essa questão pontuando no livro A Era do Vazio os efeitos da cultura na qual estamos inseridos: “A cultura pós-moderna é voltada para o aumento do individualismo, diversificando as opções de escolha, cada vez mais opções de escolha sobre tudo em uma sociedade de consumo; levando a perda de uma visão crítica sobre os objetos e valores que estão a nossa volta”. Sobre essa questão do valor venho me questionando imensamente: Qual o valor de X na minha vida? Para que?  consumo consciente coolhuntingQuestionar-se sobre o “para que” e não sobre o “porque” de algo abre uma perspectiva de qual o real valor daquela coisa, daquela experiência para cada indivíduo. Assim, a ideia perpetuada até hoje de que os bens devem ser consumidos mais rapidamente e em maior volume vai se desconstruindo. O Lowsumerism (união das palavras em inglês “low“- baixo com “consumerism” – consumismo), tendência crescente, vêm confirmar estas novas direções. O movimento, que vem ganhando adeptos em todo o mundo, tem como proposta repensar a lógica de consumo na busca por mais consciência e equilíbrio na hora de comprar.  

Ele se instala como uma alternativa a nossa herança consumista desde a Revolução Industrial e do modelo Fordista (nome em homenagem ao criador do método, o americano Henry Ford), que disseminava a produção em série.

Desde lá, a sociedade e o ideal de consumo foi crescendo com o chamado sonho americano e o atual esgotamento do planeta.  

Por coincidência ou não, este ano de 2018, mais especificamente o dia 1 de agosto, foi considerado pela ONG Global Footprint Network, o dia da sobrecarga da terra: em apenas 212 dias de 2018, os 7,4 bilhões de habitantes do Planeta Terra esgotaram os recursos naturais de comida, água, fibra, solo e madeira disponíveis para os 365 dias do ano. Traduzindo em miúdos: a humanidade está em dívida com a natureza. De acordo com a ONG, se não mudarmos nosso padrão de consumo, antes de 2050 precisaremos de dois planetas Terra para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Quando pensamos nesta escala de valores, nos damos conta de que o Lowsumerism não é nem mesmo uma tendência. Eu chamaria de emergência. 

No rastro do Lowsumerism surgem outros movimentos como o upcycling; o reaproveitamento de materiais antigos ou que seriam descartados e a economia do compartilhamento; a sharing economy. A era da posse dá lugar a era do acesso: Uber, Airbnb, Coworking, bicicletas compartilhadas, Spotify, Netflix. Hoje é possível alugar uma incrível bolsa de uma marca de luxo e devolvê-la para que outro use, é possível se hospedar numa casa dos sonhos por um bom custo-benefício através de ferramentas como o Airbnb ou ainda trabalhar em um local incrível e conhecer pessoas, como é o caso dos co-workings, sem precisar pagar uma fortuna por um escritório.  Você usufrui, mas não possui. O desejo de consumo não cessa, apenas você não tem mais a posse do produto. Segundo as projeções da consultoria PwC, a economia compartilhada deverá movimentar mundialmente US$ 335 bilhões até 2025 — 20 vezes mais do que se apurou em 2014, quando o setor movimentou US$ 15 bilhões.Consumo consciente empreendedorismo cool huntingNeste sentido, as novas gerações têm sido extremamente importantes para este impulsionamento e para a ressignificação do luxo, imprimindo valores como sustentabilidade, propósito, autenticidade e transparência. 

No relatório “Millennials Drive The Sharing Economy”, conduzido pelo analista da Forrester Jonathan Winkle, a taxa de uso dos Millennials em negócios compartilhados é mais do que quatro vezes maior do que a dos Baby Boomers. Os dados revelam de fato que os Millennials impulsionam a economia compartilhada, em parte porque detêm valores diferentes dos consumidores mais antigos. 

As gerações mais jovens gastam mais em experiências do que em produtos materiais. 

Sinal dos novos tempos é o evento recém lançado em junho de 2018 em Arnhem, Holanda, o State of Fashion, uma iniciativa que apoia e ativa a busca mundial por uma indústria da moda mais justa, limpa e sustentável, conectando designers, empresas, governos, instituições educacionais e consumidores de moda e têxtil. Com o tema “Buscando o Novo Luxo”, as novas definições são exploradas como resposta às urgentes demandas ecológicas e sociais de hoje: menos desperdício e poluição, mais igualdade, bem-estar e inclusão – valores muito cultuados tanto pela geração dos Millennials como pela geração z.  

É dentro deste contexto que o luxo exclusivo vem dando lugar ao luxo acessível e inclusivo. Entramos na era dos Experiential Seekers – consumidores que passam a ter valores pós-materialistas e buscam por experiências intensas e com significado. E para você o que é o verdadeiro luxo?  

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ENTRAMOS NO CHEQUE ESPECIAL COM O PLANETA

Sustentabilidade

E isso não é nada bom 

No fim de julho, a humanidade utilizou todo o estoque de árvores, água, solo fértil e peixes disponíveis na Terra para todo o ano de 2018. Desde o dia 1º de agosto, estamos em débito com o planeta, utilizando recursos além da capacidade de regeneração do planeta,  operando, oficialmente, no “cheque especial”. É o que aponta o levantamento feito pela Global Footprint Network (GNF), uma organização não governamental de pesquisa de recursos naturais e mudanças climáticas que avalia o impacto do homem no mundo.

Até o fim do ano, teremos consumido 1,7 planeta Terra para atender aos nossos padrões de produção e consumo. Realizada desde a década de 1970, a análise sobre o momento em que passamos a ficar em dívida com o planeta é chamada de “Dia da Sobrecarga da Terra”, Earth Overshoot Day, em inglês. A cada ano, o nosso saldo negativo com o planeta só tem aumentado. No ano de 1970, entramos no vermelho em 29 de dezembro; em 1975 no dia 28 de novembro; em 2016 no dia 8 de agosto; e neste ano no dia 1º de agosto. “Se não mudarmos nosso comportamento de consumo, a projeção é de que precisaremos de mais de três Terras antes de 2050. Esse é um dos motivos pelos quais precisamos cumprir o Acordo de Paris (de 2015). Mas, além de cobrar que os governos alcancem as metas de emissões, cada pessoa pode colaborar para diminuir o seu impacto negativo no meio ambiente com pequenas ações cotidianas”, explica Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, ONG que atua há 16 anos pelo consumo consciente, em entrevista ao Estadão.

O consumo excessivo e o desperdício de comida (um terço dos alimentos produzidos vão direto para o lixo) são algumas das razões que contribuíram para que chegássemos ao cenário atual. O principal fator, contudo, é o uso de combustíveis fósseis (que representam 60% da pegada ecológica da humanidade). Se a gente reduzisse pela metade o consumo de carbono, o Dia de Sobrecarga da Terra ocorreria em novembro. Segundo os especialistas, o consumo excessivo dos recursos naturais pode provocar escassez de água, erosão do solo, perda de biodiversidade, incêndios florestais, furacões, entre outros sérios problemas. “O Dia da Sobrecarga da Terra pode não apresentar diferenças da noite para o dia – você ainda tem a mesma comida em sua geladeira”, disse o CEO da Global Footprint Network, Mathis Wackernagel, em comunicado oficial. “Mas, os incêndios estão ocorrendo no oeste dos Estados Unidos. Do outro lado do mundo, os moradores da Cidade do Cabo tiveram que reduzir pela metade o consumo de água desde 2015. Essas são consequências de estourar o orçamento ecológico do nosso único planeta”.  

Ele destaca que usando os recursos futuros da Terra para operar no presente nós só aprofundamos a nossa dívida ecológica e colocamos em risco a nossa própria existência no planeta. “É hora de acabar com esse esquema e alavancar nossa criatividade para criar um futuro próspero, livre de combustíveis fósseis e sem destruição planetária.” De acordo com o levantamento da Global Footprint Network, países economicamente mais ricos utilizam mais recursos naturais que os países mais pobres. Se todas as pessoas do mundo vivessem como os Estados Unidos, por exemplo, seriam necessários quase cinco planetas. Se tomássemos a Alemanha como exemplo, seriam necessários mais de três planetas.  

Embora o Brasil ainda seja visto como uma espécie de “credor” de recursos naturais, devido ao fato dos recursos naturais disponíveis serem superiores à pegada ecológica individual de cada brasileiro, o país é apontado como o que consome recursos naturais em um ritmo mais acelerado que a média no mundo. Considerando somente os gastos com produção e consumo por aqui, o Dia de Sobrecarga da Terra seria em 19 de julho (e consumiríamos o equivalente a 1,83 planetas). Além disso, somos a nação que menos reaproveita resíduos – no ranking dos países que mais produzem lixo no planeta, nós estamos em quinto lugar. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), 20 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos poderiam ser recuperados por ano com reciclagem – 25% do total do lixo gerado. Por conta de tudo isso, repensar nosso estilo de vida (como comemos, como bebemos, como nos vestimos, como nos locomovemos, como empreendemos) e a forma como lidamos com o nosso lixo é algo mais que necessário, é essencial e urgente!  

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ARTE E TECNOLOGIA A FAVOR DA SUSTENTABILIDADE 

Super-heróis invisíveis. É esta a definição utilizada pelo grafiteiro paulistano Thiago Mundano para se referir aos catadores de materiais recicláveis. Ele é o idealizador de duas iniciativas que estão ajudando estes profissionais a terem o merecido reconhecimento em São Paulo e em outras cidades do país: o aplicativo Cataki e o projeto Pimp My Carroça 

O primeiro conquistou no início deste ano em Paris o prêmio de inovação do Netexplo, entidade que estuda o impacto social e econômico de tecnologias digitais e premia, em parceria com a Unesco, as iniciativas mais inovadoras. Descrito como um “Tinder da reciclagem” e lançado em julho de 2017, o aplicativo conecta catadores independentes de todo o Brasil a empresas ou cidadãos que queiram fazer o descarte correto de materiais recicláveis. “No mundo todo, as empresas estão gastando bilhões falando em sustentabilidade. Mas essas são as pessoas que estão agindo na prática. Ao conectá-las, podemos aumentar sua renda e ajudá-los em sua missão”, afirma Mundano.  Cada profissional cadastrado no app conta com um perfil contendo um breve histórico, foto, apelido, telefone, áreas da cidade nas quais atua e os tipos de resíduos que coleta. Por meio do aplicativo, eles conseguem fazer a negociação pelo serviço, levando em consideração a quantidade de material coletado e a distância percorrida. “Nosso foco é que os catadores sejam reconhecidos como prestadores de um serviço público, e que o aplicativo ajude a gerar mais renda para eles”, diz Carol Pires, coordenadora do Pimp My Carroça, em entrevista à BBC Brasil.  

Atualmente, o app conta com mais de 500 catadores cadastrados em quase cem municípios brasileiros. O cadastro pode ser feito pelos próprios profissionais ou por pessoas que queiram ajudá-los (a única coisa que eles precisam ter é um número de telefone para contato). Com o cadastro no aplicativo, Rosineide Moreira Dias das Neves, mais conhecida como dona Rosa, conquistou novos clientes fixos em Recife, cidade onde mora e na qual trabalha como catadora de materiais recicláveis há mais de 20 anos. “O aplicativo é muito bom porque está dando valor à gente. Está trazendo reconhecimento. Através dele, o pessoal está notando que a gente existe”, declarou, também em entrevista à BBC Brasil.  

 MAIS COR, MENOS INVISIBILIDADE, MAIS RESPEITO 
Pimp My Carroça foi o primeiro trabalho realizado por Mundano com os catadores de materiais recicláveis. Inspirado no programa de TV Pimp My Ride, que transforma carros velhos e máquinas turbinadas, o artista começou a grafitar as carroças dos catadores de São Paulo com frases como “Um catador faz mais que um Ministro do Meio Ambiente”, “Meu carro não polui!” e “Meu trabalho é honesto, e o seu?”. “A gente acredita que o catador de material reciclável faz um papel fundamental na gestão de resíduos no Brasil e no mundo. Por notarmos que eles passavam de forma invisível pela sociedade, a gente identificou que a carroça podia cumprir um papel fundamental de melhorar a autoestima e fazer com que as pessoas passassem a respeitá-los”, diz Carolina Pires, produtora cultural do Pimp My Carroça, em entrevista ao Catraca Livre 

O projeto atende os catadores em um escritório no bairro de Pinheiros e, além da pintura das carroças, também oferece kits de segurança para os profissionais (com luvas, fitas refletivas, cordas, bonés, coletes, calças e capas de chuvas) e realiza reparos na funilaria e na borracharia dos veículos, como instalação de freios e retrovisores. Desde 2012, também realiza edições itinerantes do Pimp My Carroça, evento que, além da pintura e dos reparos nas carroças, oferece exames médicos (testes de glicemia e aferição de pressão arterial), ações de beleza e atividades culturais para os trabalhadores.
A iniciativa, que conta com uma rede de 1.174 artistas e grafiteiros parceiro e 1.854 voluntários, já ajudou 1.299 catadores em 48 cidades de 13 países. “Para os catadores é super importante. Todo catador quer ter o carrinho bonito, na verdade. A gente tem o maior orgulho da carroça da gente, porque é o nosso ganha pão. O meu carrinho não tinha nem tinta, eu comprei ele, ele era sem cor, todo horrível mesmo. E eu nem ia ter condição de arrumar ele igual eles. O artista que veio deixou meu carrinho lindo então onde eu passo as pessoas já pensam diferente. E até respeitam mais. Param, perguntam quem pintou, dão parabéns. Muito bom!”, conta Cacilda Aparecida de Souza, em entrevista ao portal Vermelho. 

O sucesso do projeto incentivou a criação de outras iniciativas, como o Pimp My Cooperativa, voltada para as cooperativas de material reciclável; e o Pimp nosso Ecoponto, que revitaliza os espaços de coleta e também oferece atendimento aos catadores. Ações que ajudam a valorizar cada vez o trabalho dos nossos super-heróis invisíveis.

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COMO OS TELHADOS VERDES E AS HORTAS URBANAS ESTÃO MUDANDO A CARA DE SÃO PAULO

É muito importante colaborarmos com o desenvolvimento sustentável do planeta e da sociedade como um todo. Afinal, nós somos as pessoas responsáveis pela transformação de hábitos alimentares e culturais. A agricultura urbana vem sendo implementada por algumas organizações sociais, comunidades e empresas como uma alternativa sustentável; construindo o conceito de qualidade de vida, respeitando e utilizando nossos recursos naturais com responsabilidade e planejamento. Além de utilizar áreas de terra desocupadas e improdutivas, promove a interação social, estimulando a produção do alimento pelos próprios consumidores. No Japão, por exemplo, devido à carência de solo fértil para plantio, grandes obras urbanas foram integradas com sistemas para cultivo de frutas e hortaliças. Também no Japão, um famoso edifício em Tóquio teve sua fachada reestruturada com um sistema de jardim vertical. Na América Latina, a principal concentração de hortas urbanas é em Cuba. 

Morar nos grandes centros urbanos não precisa ser um fator excludente de alguns bons hábitos do interior como, por exemplo, utilizar alimentos que sejam provenientes de hortas para a sua alimentação. Uma das formas para garantir que essa realidade não seja distante das grandes cidades é através da criação de hortas comunitárias. Há algumas décadas, a técnica do telhado verde vem sendo desenvolvida através de pesquisas e projetos inovadores na criação de soluções sustentáveis e consiste no plantio de árvores e plantas nas coberturas de residências e edifícios. Esse tipo de técnica tem inúmeros benefícios, como a captação de água da chuva, o tratamento de efluente (esgoto sanitário), a captação da energia solar e a atuação como um agente purificador da poluição urbana. Os Ecotelhados funcionam como um isolante térmico e absorvem 30% da água da chuva reduzindo, por exemplo, a chance de enchentes nas cidades. Ou seja, quanto mais telhados verdes, menos possibilidades de enchentes. 

Os telhados convencionais acumulam o calor e o transferem para dentro das construções. Com o telhado verde a cobertura vegetal se encarrega de dissipar ou consumir esta energia pela evapotranspiração e pela fotossíntese, reduzindo significativamente a amplitude térmica do interior do prédio. É uma ótima solução para a redução das ilhas de calor nos centros urbanos, diminuindo o consumo do ar condicionado e auxiliando no conforto térmico, o que dá maior durabilidade às construções, pois diminui a amplitude térmica. Testes realizados comparando telhados verdes com telhados comuns mostraram uma diminuição de até 15ºC dentro da edificação no verão. No inverno, o sistema conserva o calor dentro da edificação, aumentando a eficiência de aquecedores ou lareiras. Essas zonas verdes contribuem ainda para formação de um miniecossistema, atraindo diversos pássaros, borboletas, joaninhas, abelhas, etc., que foram eliminados do ambiente com o crescimento urbano. O valor do investimento para a construção de um telhado verde é em geral o mesmo que para um telhado convencional, considerando-se um telhado de boa qualidade. Ele pode ser colocado, diretamente sobre a laje impermeabilizada e com proteção anti-raízes. Se você levar em conta os benefícios de conforto térmico, retenção de água, limpeza do ar e vida útil de duas a três vezes maior, a vantagem a favor do telhado verde é grande. Aqui em São Paulo como exemplo prático desta técnica temos o telhado verde do prédio da Fundação Cásper Líbero, na Avenida Paulista. Aberta em 2016, a área de 700 metros quadrados conta com mudas de 130 árvores típicas da Mata Atlântica, como Jacarandá bico-de-pato, araçá-do-campo e embaúba, tem ajudado a reduzir o calor e melhorado a umidade do ar na região. Há também a floresta suspensa da cobertura da prefeitura, no centro da cidade. A área de 300 metros quadrados abriga árvores como palmeiras-jerivá e pau-brasil, além de pés de café e de manga, plantas medicinais e um lago com carpas.

A cobertura do Shopping Eldorado, na zona oeste, abriga uma linda e enorme horta, com mais de 1000 metros quadrados, onde crescem alfaces, manjericões, berinjelas, legumes, hortelãs e outras verduras, além de plantas medicinais. O projeto foi criado em 2012 e oferece um destino ecologicamente correto a cerca de uma tonelada de lixo orgânico gerado diariamente na praça de alimentação do shopping. Esse resto de comida se transforma em adubo para o cultivo das plantas, reduzindo a quantidade de lixo jogado em aterros sanitários.
Neste ano, o Shopping Metrô Itaquera, na zona leste, começou um projeto semelhante. Na área antes vazia da cobertura do espaço, hoje há alface, agrião e cenoura, plantados em mais de 20 caixotes. Os restos de comida da praça de alimentação (40 toneladas semanais) são transformados em adubo para a terra e os produtos orgânicos, futuramente, poderão ser consumidos por funcionários e pela comunidade local. 
Há um ano, funciona no telhado de um galpão em Paraisópolis, na zona sul, o projeto Horta na Laje em que as moradoras do bairro aprendem a cultivar legumes, verduras e frutas. Promovida pelo Instituto Stop Hunger Brasil e a Associação das Mulheres de Paraisópolis, a iniciativa já beneficiou mais de mil mulheres. De acordo com a Associação, elas são o público-alvo porque sustentam 23% das famílias da comunidade. Por meio de cursos técnicos do projeto, elas aprendem a cultivar hortaliças em vaso, reproduzem em casa e, além de uma alimentação mais saudável para si e para suas famílias, conquistam independência financeira. “Nós queremos tornar Paraisópolis uma comunidade sustentável”, afirma Davi Barreto, superintendente do Instituto Stop Hunger Brasil, em entrevista ao portal R7.  Outras iniciativas interessantes são a horta do Centro Cultural São Paulo, no centro, que produz tomate, batata doce, rúcula e banana no terraço; e as hortas implementadas nas unidades do Sesc Parque Dom Pedro II (no centro) e Campo Limpo (zona sul) – ambas cuidadas pela Pé de Feijão, um negócio social criado em 2014 que é responsável por outras quatros hortas na cidade. “Queremos transformar a relação das pessoas com a comida”, afirma a bióloga Luisa Haddad, sócia-fundadora do projeto, em entrevista à revista Veja São Paulo.

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TECNOLOGIA E HUMANIDADE

Por Danilo España, time da Humans Can Fly e colunista da Escola São Paulo

Através do teclado do meu computador digito esse texto e através da sua tela você o lê. Aqui criamos um elo de comunicação, neste momento somos ajudados pela tecnologia.

A tecnologia nos ajuda em diversas áreas, facilita processos, acelera as comunicações e gera resultados rápidos. Acontece que para tudo há um limite, e ainda que não façam tantos anos que a tecnologia atingiu um certo ápice, existem pessoas comprovando na pele que o excesso de tecnologia pode prejudicar a vida social e até mesmo a saúde.

Não só o fato de vermos famílias inteiras ou grupos de amigos em um restaurante, por exemplo, imersos, todos, em seus celulares e tablets ultramodernos sem conversar. Há também outras situações que nos mantém reféns da modernidade: ter que olhar o e-mail diversas vezes por dia, acompanhar as atualizações das redes sociais, responder centenas de mensagens e de depender de uma conexão de alta velocidade 24 horas por dia para satisfazer nossas curiosidades, buscar informações, cumprir tarefas, pagar contas, descobrir tendências, ideias, empresas, pessoas etc…

Mas como definir se a quantidade de contato que temos com a tecnologia chega a ser prejudicial?

David Backer, fundador da The School of Life deu uma palestra em São Paulo algumas semanas atrás sobre o tema Tecnologia e Humanidade e por sorte estivemos presentes para escutar o que ele tinha a dizer. Seu discurso foi sobre o quanto a tecnologia tem influenciado as relações pessoais, sociais e o quanto deixamos que ela invada nossa vida, acabando com a nossa privacidade, desrespeitando nosso ritmo psíquico, biológico e afetando até mesmo nossa saúde.

Máquinas, equipamentos, dispositivos são essenciais para sobreviver em um modelo de sociedade onde o virtual está cada dia mais próximo do real. Descobrir um limite de interação com as tecnologias é algo individual, cada um deve buscar essa equação para respeitar sua própria natureza.

Por mais que busquemos as tecnologias mais incríveis, ainda assim é o homem que as inventa, as cria, ou seja, todo potencial de sua criação está no homem. Esse encontro me fez pensar quão alta é a tecnologia do nosso próprio corpo. Possuímos a mais avançada tecnologia, a tecnologia natural, biológica, humana… ou seja, não podemos esquecer as funções que nosso corpo desempenha, a quantidade de informações que armazenamos, como conseguimos acessá-las a uma velocidade absurda, a capacidade de bilhões de cálculos, o potencial analítico que temos, auto-regulações corporais, sentimentos, emoções, razão, etc.

A tecnologia evidentemente evolui, mas e a humanidade? Estamos evoluindo nosso lado humano e tendo orgulho dessa evolução tanto quanto da tecnologia? Precisamos de um movimento que valorize as características naturais do homem, que respeite seus limites e que trabalhe dentro de um nível de tolerância individual, considerando que somos diferentes, que suportamos coisas absolutamente distintas. Os talentos também são individuais, devem ser exercitados, desenvolvidos e o tempo que nos prendemos à tecnologia muitas vezes consome esses importantes momentos. Outro importante momento que não estamos desfrutando e que nos é essencial é o ócio. David lembrou que perdemos o poder da lentidão, por exemplo, de cultivar o pensamento lento, e perdemos também a alegria da imperfeição, afinal estamos longe de sermos perfeitos seja no que for.

O que não nos damos conta é que podemos escolher o que pensar e como pensar, as imposições da atualidade dificultam esse processo, mas ainda depende de nós essa escolha.

Então que sejamos usuários da tecnologia e não seus escravos…

O mundo anda mais preocupado com o High Tech. Escrevemos recentemente uma matéria sobre isso. Hoje há uma necessidade de se recuperar o High Touch. High Touch para quem nunca ouviu falar, quer dizer a alta tecnologia do toque, do afeto, do carinho, ou seja, da humanidade. Ela sim nos toca verdadeiramente, não é fria como uma máquina que reage aos nossos estímulos por pura programação.

A naturalidade humana vem se perdendo por diversos motivos, pelo excesso do uso de tecnologias, pelos sistemas falidos que vivemos; sejam políticos, sociais ou econômicos. Por uma cultura popular globalizada em que existem apenas dois grupos de pessoas os “winners” e os “loosers”. Você é um vencedor na vida se tem dinheiro, sucesso e reconhecimento, caso contrário é um perdedor, depreciado pelos que possuem mais dinheiro.

Esses dias conversando com um amigo ele me disse: você já parou pra pensar no que significa estar “bem de vida”?

E aí parei para pensar que o “bem de vida” hoje significa “estar bem financeiramente”. É triste que assim seja, mas sou otimista e a favor do movimento humano. Quem sabe um dia estar bem de vida se torne uma expressão que tenha mais a ver com VIDA do que com dinheiro, a vida é mais do que isso. Então te convido a refletir sobre como anda pensando, e no que, para que nosso olhar e posicionamento sobre o mundo evolua e essa evolução seja mais importante do que a evolução tecnológica. Para que a expressão estar “bem de vida” signifique ter saúde, paz e estar de acordo com sua própria jornada.

A era do comportamento padrão se foi, entendemos bem o termo globalização e já experimentamos seus efeitos positivos e negativos. O acesso à informação nos permite decidir com mais base, nos traz reflexões diversas. A era da tecnologia está aí para nos servir e nos ajudar, o que vale é saber usá-la para continuarmos “bem de vida”.

Via Exame

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A CIDADE É VOCÊ!

Hoje em dia, mais de 50% da população mundial vive em áreas urbanas. Segundo especialistas, até 2050 esse número deve alcançar 70%. Tal cenário cria uma série de problemas (trânsito, alto custo de vida, estresse, degradação do meio ambiente) e coloca em debate o futuro das nossas cidades. A razão de tantas pessoas decidirem viver nos grandes centros urbanos está ligada à nossa ancestralidade: somos seres sociais e é em grupo que gostamos de viverE, de acordo com estudiosos do assunto, é justamente o trabalho coletivo, e principalmente o envolvimento individual, que transformará as nossas cidades em lugares melhores para se viver. “Se você quer uma cidade melhor, envolva-se. A cidade é você. Aprenda sobre as melhores políticas públicas. Engaje-se na sua vizinhança. Seja sensível, mas seja ativo”, afirma Edward Glaeser, professor de Economia da Universidade Harvard, em entrevista para a revista Época Negócios.  

Edward Glaeser – Foto: Divulgação

Autor do livro O Triunfo da Cidadeconsiderado o mais completo e atualizado estudo sobre o futuro das cidades, Glaeser  também é criador do curso on-line CitiesX: The PastPresent and Future of Urban LifeO treinamento, disponível gratuitamente nas plataformas edX e Arq.Futuromescla economia, sociologia, artes e até música para falar sobre o que constitui uma cidade, tanto nos aspectos positivos, quanto nos negativos. Nele, o professor explora os principais conceitos de desenvolvimento urbano examinando cidades do mundo todo, incluindo Londres, Rio de Janeiro, Nova York, Xangai, Mumbai e Kigali, e aborda de que maneira centros urbanos como a antiga Roma resultaram da consolidação do poder imperial e cidades como São Paulo cresceram como importantes focos de indústria. Cada disciplina traz algo que contribui com o entendimento sobre as cidades. Eu sou um economista, mas também quero entender como o Rio de Janeiro ajudou a tornar um Tom Jobim tão grande. E isso requer conhecimento sobre música. Eu quero entender como as favelas funcionam e isso requer conhecimento em sociologia. As cidades são incríveis e nós precisamos nos valer de diferentes tipos de conhecimentos para entendê-las”, explica. 

Glaeser voltou ao Brasil em 2017 especialmente para preparar e gravar algumas das aulas, entrevistando diversos interlocutores nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e conhecendo locais emblemáticos do processo de urbanização brasileiro, como a comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro. Sobre as favelas, por exemplo, ele coloca que elas podem ser vistas por diferentes óticas: por um lado, como uma expressão da autossuficiência e engenhosidade da população pobre, que vem paraas cidades em busca de melhores condições de vida e produz moradia barata para si. Por outro lado, a ausência de um Estado de Direito no local.  CitiesX também mergulha em questões urgentes de planejamento social e urbano, como saúde pública, transporte, zoneamento, custo de vida, crime e congestionamento e gentrificação, um tema bastante presente em São Paulo nos últimos anos. Para o professor, a melhor maneira de combater o aumento no preço dos imóveis e construir mais moradia. “A oferta é o caminho certo para tornar cidades baratas. Além disso, construir mais em áreas ricas diminui a pressão pela gentrificação em áreas pobres. Com relação a uma comunidade perder sua essência, isso envolve necessariamente ação de seus moradores. Não necessariamente se posicionando contra novos moradores, mas celebrando e mantendo a tradição viva. Centros comunitários, grupos comunitários e trocas culturais intensas, são as ferramentas para manter uma área viva”, analisa.  O docente afirma também que as novas tecnologias sozinhas não conseguem resolver os problemas das cidades: é preciso implementar políticas públicas e cita como um bom exemplo as cidades de Cingapura e BostonNa visão de Glaeser, o trânsito, a violência e a falta de planejamento são os principais problemas e desafios da capital paulista. “São Paulo seria uma cidade melhor se fosse mais vertical e os distritos comerciais não fossem apenas comerciais – mas misturassem espaços residenciais. A chave é eliminar as regulamentações que impedem a construção mais alta em locais onde esta é a solução mais valiosa”, avalia. 

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PAULO MENDES DA ROCHA É TEMA DE DOCUMENTÁRIO

Criador de obras importantes como o Museu Brasileiro da Escultura (Mube) e o Museu da Língua Portuguesa e o arquiteto brasileiro mais premiado da história, Paulo Mendes da Rocha é tema do documentário Tudo é Projeto, que deverá chegar aos cinemas no segundo semestre de 2018. Produzido pela Olé Produções, o filme apresenta uma conversa franca e descontraída entre Mendes da Rocha e sua filha, Joana Mendes da Rocha (que divide a direção do filme com Patrícia Robano), sobre sua vida e, principalmente, sua emblemática obra.

Natural de Vitória, Espírito Santo, Paulo Archias Mendes da Rocha formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, em 1954, e desenvolveu uma prestigiada carreira acadêmica, a partir da década de 1960, na Universidade de São Paulo (USP) – na qual se aposentou em 1999. Conhecido como “arquiteto-cidadão”, é um dos mais renomados arquitetos modernistas brasileiros e criou obras que se tornaram referência em arquitetura brutalista no mundo. É também um dos principais representantes da chamada Escola Paulista, que defendia uma arquitetura crua, limpa, clara e socialmente responsável.

Premiado com o Pritzker (considerado o Nobel da arquitetura e a maior honraria para os profissionais da área), em 2006, já dividiu o troféu norte-americano Gordon Bunshaft com Oscar Niemeyer (1907-2012), em 1988, e, ao longo de 2016, foi reconhecido em três importantes premiações internacionais: o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, o Prêmio Imperial do Japão e o Royal Gold Medal, do Institute British of Architects (Riba).

Neste ano, foi laureado com a Medalha de Mérito Cultural, um condecoração concedida pelo Ministério da Cultura do governo de Portugal a indivíduos ou grupos, nacionais e estrangeiros, pela dedicação a atividades de impacto cultural – ele foi o segundo arquiteto a receber o prêmio (o primeiro foi Álvaro Siza Vieira, em 2009). Além disso, inspirou uma exposição no Mube, em São Paulo, que buscou traçar um paralelo entre a arte e o seu trabalho.

Aos 88 anos, Paulo Mendes da Rocha segue em plena atividade. Um de seus últimos trabalhos foi a museografia do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, que abriga a maior coleção de carruagens do mundo.

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CONHEÇA O FAROL SANTANDER

Símbolo da transformação de São Paulo em metrópole

Um dos prédios mais icônicos de São Paulo, o Edifício Altino Arantes, antigo prédio do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), popularmente conhecido pelos paulistanos como Banespão, é um ótimo programa para quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre a história da capital.

Projetado pelo arquiteto Plínio Botelho do Amaral, o prédio foi inspirado na arquiteturaartdecódo Empire StateBuilding de Nova York e começou a ser construído em 1939, ficando pronto em 1947. Símbolo da transformação da cidade em metrópole, o edifício foi estrategicamente instalado entre as ruas São Bento, XV de Novembro e Direita, região conhecida na época como o centro financeiro da capital.

Com 161 metros de altura e 35 andares, o prédio foi considerado a maior construção de concreto armado do mundo e por quase 20 anos foi o maior edifício da cidade – o título foi perdido em 1960 para o Condomínio Mirante do Vale, no Vale do Anhangabaú, e seus 170 metros. Adotado pelos paulistanos, o Banespão se tornou um cartão-postal da capital, não apenas pela sua magnitude, mas principalmente pelo seu mirante, que proporcionava uma visão panorâmica da cidade que crescia velozmente ao seu redor.

No ano 2000, o banco Santander comprou o Banespa e adquiriu o imóvel para o seu patrimônio. Em 2014, a construção foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) e, no ano seguinte, foi fechada para uma reforma que durou dois anos. O prédio foi reaberto em janeiro de 2018com o nome de Farol Santander e a proposta de ser um espaço de cultura, entretenimento e lazer.

MEMÓRIA, ARTE, LAZER E EMPREENDEDORISMO

Dos 35 andares do edifício, 11 agora estão abertos para visitação. O tour é dividido em quatro eixos: memória, arte, lazer e empreendedorismo. Ao adentrar o prédio, os visitantes dão de cara com um lustre de cristal de 13 metros e uma tonelada, presente no edifício desde 1988, que foi totalmente restaurado. No segundo andar, é possível conferir um vídeo sobre a história do prédio e algumas projeções. Já no terceiro, há um painel interativo sobre a história do dinheiro brasileiro, dos réis do período imperial até o real dos nossos dias.

No quarto andar, fica uma exposição permanente do artista Vik Muniz, com sete painéis com retratos do prédio produzidos à base de dez toneladas de sucata entulhos de obras do prédio. No quinto andar, é possível ver móveis e alguns objetos originais utilizados nos escritórios do antigo Banespa nas décadas de 1940 e 1950. Boa parte do acervo foi produzida pelo Liceu de Artes e Ofícios, uma das mais tradicionais escolas da cidade.

No oitavo andar, são realizadas palestras quinzenais, aos sábados, coordenadas pela Garimpo de Soluções, enquanto que no 21º andar foi instalada uma pista de skate, projetada pelo campeão mundial Bob Burnquist, que conta com um percurso de street e estrutura para iniciantes e avançados. Os andares 22 e 23 são dedicados à arte e abrigam, por uma temporada de quatro meses, obras de dois artistas (um nacional e o outro estrangeiro) sempre sobre o mesmo tema. A curadoria dos espaços é feita pelo empresário Facundo Guerra, que emprega o conceito da arte imersiva (que permite ao visitante interagir com as obras).

No 25º andar, foi instalado um loft de 350 metros quadrados com vista panorâmica criado pelo Triptyque, o premiado escritório de arquitetura. Com capacidade para abrigar até cinco pessoas(em caso de hospedagem) ou 50 (em caso de evento), o imóvel está aberto para hospedagem. Os valores e as reservas estãonoAirbnb.

O mirante, a mais tradicional atração do prédio, está localizado no 26º andar. No local, foram instaladas placas de vidro para garantir a segurança dos visitantes. De lá é possível ter uma visão de 360 graus da cidade e observar pontos como o Pico do Jaraguá, a Avenida Paulista e até a Serra do Mar. A área agora conta também com uma unidade do Suplicy Cafés Especiais, que oferece almoço executivo, drinques e brunch no fim de semana. Um passeio imperdível que promove um encontro entre a São Paulo do passado com a cidade de hoje.

SERVIÇO

O QUE: Farol Santander
ENDEREÇO: Rua João Brícola, 24, centro
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO: Terça a domingo, das 9h às 20h
VALOR DO INGRESSO: De R$ 15 a R$ 20, dependendo dos espaços que o visitante deseja conhecer
MAIS INFORMAÇÕES: www.farolsantander.com.br

Imagens de divulgação

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REPENSANDO NOSSAS CIDADES

Nos últimos 50 anos, o mundo tem vivenciado um intenso movimento migratório das populações para os grandes centros urbanos. Hoje, a maior parte das pessoas vive em metrópoles, uma concentração motivada, principalmente, pela busca por melhores oportunidades que gera impactos, como problemas de infraestrutura e de acesso ao saneamento básico, por exemplo, e demanda uma ressignificação do conceito de cidade e de como nos relacionamos com ela.  

Mextrópoli: Festival de Arquitectura y Ciudad é uma iniciativa que tem justamente o objetivo de discutir essa nova dinâmica e refletir, por meio da arquitetura, sobre qual seria o modelo ideal de cidade capaz atender a esta nova demanda. “Há o consenso de que devemos repensar os espaços urbanos e criar cidades que sejam inclusivas e que privilegiem os pedestres. Até os políticos repetem isso. Porém, são ainda os carros que definem as nossas cidades”, analisa Miquel Adriá, criador do evento, o mais importante da América Latina, e diretor da revista Arquine, referência na área de Arquitetura, em entrevista ao Informador. 

Criado no México em 2014, o Mextrópoli reúne anualmente mais de 50 mil participantes e conta com diversas atividades, como mesas de diálogo, conferências, exposições, lançamentos de livros, instalações, projeções de filmes e documentários e passeios a pé e de bicicleta pela cidade. A ideia geral é experimentar a cidade, refletir sobre seus aspectos políticos, sociais e estéticos e pensar um projeto em conjunto que envolva não apenas arquitetos e urbanistas, mas também artistas, cineastas, escritores e, claro, a sociedade.  

Entre os convidados deste ano, estiveram os arquitetos Rafael Aranda, Carme Pigem e Ramón Vilalta, ganhadores do Premio Pritzker, o premiado arquiteto colombiano Felipe Uribe e o cineasta mexicano Alfonso Cuarón, que apresentou a Brigada.mx, plataforma criada para ajudar as comunidades afetadas pelo terremoto de setembro de 2017 na Cidade do México. “A proposta consiste em conectar esforços mapeados de acordo com as necessidades de cada comunidade nas diversas regiões que foram afetadas”, explicou o premiado diretor em entrevista ao jornal El Sol Del Mexico. 

A edição de 2018, realizada entre os dias 17 e 20 de março, debateu justamente a reconstrução da cidade após a tragédia e a união da sociedade civil diante da ausência das autoridades no processo. O evento também discutiu a situação do Chile que, oito anos após o terremoto que atingiu o país, quase não implementou nenhuma ação de prevenção efetiva em suas cidades. “São dados preocupantes que requerem ações contundentes. A cidade seguirá aqui susceptível a tremores e nós também. Com o conhecimento e a tecnologia que temos hoje em dia não se justifica que os edifícios caiam”, analisa Adriá.

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60 HORAS DE COPAN

Símbolo de arquitetura moderna e modelo de convivência urbana, Copan é tema de documentário

Considerado por especialistas como exemplo de arquitetura moderna e convivência coletiva nos grandes centros urbanos, o edifício Copan é o personagem central do documentário Copan 60 Horas. Produzido pelo canal GloboNews, com roteiro e direção da jornalista Cristina Aragão, a obra se propõe a mostrar como a arquitetura interfere na vida dos habitantes.

A ideia do projeto surgiu a partir de uma entrevista do premiado arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha à jornalista no programa Milênio. Na ocasião, ele apontou o edifício como símbolo da democracia do convívio em ambientes urbanos e da utopia social defendida pelo seu criador, Oscar Niemeyer.

Projetado na década de 1950, no centro da capital paulista, o Copan é composto por seis blocos, 35 andares, 1.160 apartamentos e mais de cinco mil habitantes, de diferentes idades, perfis e classes sociais. Para captar o cotidiano e a essência do edifício, Cristina Aragão alugou uma quitinete no 14º andar do bloco , o mais popular dos seis blocos, e permaneceu no local por 60 horas – ou dois dias e meio – com sua equipe percorrendo corredores, galerias e entrevistando moradores.

“O Copan tem uma representação simbólica muito grande. É um estilo de vida em que as pessoas acreditam que o convívio com o outro, o diferente, é possível.

As galerias do térreo permitem que o público e o privado convivam. Há uma integração entre os moradores e as pessoas de fora.” Destacou Cristina Aragão em entrevista à Folha de São Paulo

“As motivações pelas quais as pessoas escolhem morar no Copan são das mais variadas. Umas, pela vista privilegiada da cidade, outras, pela localização central, mas um ponto em comum é a arquitetura. O crise-soleil – espécie de marquise que diminui a incidência do Sol nos apartamentos, mas mantém a entrada da luz -, exerce um fascínio unânime”, completa.

Como resultado, além de informações sobre aspectos técnicos e históricos e as razões que motivam as pessoas a escolherem o prédio como moradia, o documentário conseguiu registrar curiosidades, como as sessões de meditação realizadas às seis da manhã no heliponto do edifício e um apartamento que serve de moradia temporária para alunos e professores de arquitetura de todo o país.

“É uma possibilidade de não ter limites. Eu não tenho limites visuais, meu pensamento vai aonde eu quiser” – Pedro Herz, editor, morador do Copan.