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COMO A TECNOLOGIA PODE TORNAR AS CIDADES MAIS EFICIENTES?

A relação da humanidade com a tecnologia sempre foi conflituosa. Ao mesmo tempo em que a encarávamos como uma aliada para tornar o nosso dia a dia mais ágil e prático, também a enxergávamos como uma potencial ameaça (seremos substituídos por robôs?). Nos últimos anos, contudo, ela tem sido encarada como uma maneira de tornar as cidades cada vez mais eficientes. Um relatório recente elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI) concluiu que as tecnologias inteligentes podem ajudar as cidades a melhorar entre 10% e 30% alguns índices importantes de qualidade de vida, como redução de emissões de carbono, agilidade no deslocamento e redução de incidentes criminais.

Vidas podem ser salvas

Otimizando as centrais de atendimento e auxiliando no deslocamento no trânsito, por exemplo, a tecnologia pode reduzir entre 20 e 35% o tempo de resposta das chamadas emergenciais em casos de acidentes de carro ou incêndios, o que significa mais chances de salvar vidas. Um exemplo prático: graças a 8.200 megafones instalados na Cidade do México, seus 20 milhões de habitantes conseguiram ser alertados a tempo sobre o terremoto que atingiu o município em setembro de 2017, o maior registrado em um século. Instalado na costa do Pacífico há 20 anos, o sistema lança uma onda que aciona alarmes em escolas, escritórios e outros prédios da capital mexicana, dando aos habitantes o tempo de um minuto para saírem dos prédios antes do início dos tremores. O aplicativo SkyAlert também foi lançado com este objetivo, mas não funcionou durante o abalo sísmico – ainda que seja uma importante aliada, a tecnologia também falha.

Mapeamento para aumentar a segurança

Embora não possa, isoladamente, solucionar a criminalidade de uma cidade, a tecnologia pode ajudar a reduzir entre 30% e 40% os incidentes de assalto, roubo de carros e furtos, segundo o levantamento do MGI. Tudo graças ao mapeamento em tempo real das situações e, claro, ao policiamento preventivo. Contudo, este monitoramento deve ser feito com bastante cautela de modo a não interferir no direito de ir e vir dos cidadãos e a não contribuir na criminalização e no isolamento de alguns bairros e comunidades – muito antes de ser uma questão tecnológica, a criminalidade, de uma maneira geral, é fruto de desigualdades sociais.

Ainda segundo o estudo, até o ano de 2025, as cidades que fizerem o uso de aplicativos de mobilidade inteligente têm o potencial de reduzir os tempos de deslocamento entre 15 e 20% em média. Isso significa uma economia de 15 minutos por dia em uma cidade de trânsito intenso, por exemplo. Além disso, a tecnologia pode ajudar as equipes técnicas responsáveis a resolverem problemas de atraso e falhas com mais agilidade e orientar os motoristas a optarem por rotas mais rápidas.

No âmbito da saúde, a tecnologia pode reduzir em mais de 5% o índice de doenças em crianças, levando em consideração uma cidade em desenvolvimento, por exemplo, baixando as taxas de mortalidade infantil. Em cidades mais desenvolvidas, já existem sistemas que, por meio de dispositivos digitais, realizam exames que são posteriormente encaminhados para avaliação médica – tudo à distância. As avaliações ajudam o paciente e o médico a saberem quando uma intervenção é necessária, evitando complicações e internações.

Um exemplo prático de como a tecnologia pode contribuir com a saúde das populações é o data_labe. Criada no Rio de Janeiro, a iniciativa ajuda moradores da periferia da cidade a sugerirem políticas públicas que melhorem a realidade de suas comunidades. As propostas são feitas a partir da análise e do cruzamento de dados públicos. Por meio da iniciativa, por exemplo, a doula Vitória Lourenço identificou que as grávidas que mais morriam na cidade eram moradoras da periferia, jovens, negras e com baixo nível de escolaridade. Sua pesquisa serviu de base para o projeto de ampliação das Casas de Parto, lei apresentada pela vereadora Marielle Franco – assassinada em março de 2018.

Internet das coisas

Integrante da incubadora da Coppe, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a startup criada pelo engenheiro Sergio Rodrigues combina tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial para ajudar a solucionar problemas das cidades. Em parceria com o Ministério do Planejamento, a empresa desenvolveu o projeto Sigelu Aedes com o objetivo de contribuir nas ações de enfrentamento do mosquito Aedes aegypti. “No primeiro ano do projeto, aumentamos de duas mil para 200 mil vistorias. Deste total, seis mil tiveram focos comprovados”, afirma Rodrigues em entrevista à revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios.

A tecnologia também tem sido utilizada para combater o déficit habitacional das grandes cidades no mundo. Atualmente, os edifícios são pensados e construídos como no século passado, mas iniciativas como construções modulares e bairros integrados tecnologicamente estão se tornando cada vez mais comuns, conforme aponta artigo da consultoria CB Insights. Neste novo cenário em desenvolvimento, até empresas de tecnologia como Google e Facebook têm se mostrado presentes, conforme reportagem da revista Época Negócios. A primeira investiu entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões em 300 unidades habitacionais modulares no bairro de Moffett Field, na Califórnia, e iniciou em 2017 a construção de um empreendimento com cerca de 10 mil unidades. Já a segunda vai construir em seu campus 1.500 apartamentos planejados (além de estabelecimentos e parques) voltados para seus funcionários e também para o público.

Para além da dualidade vilã x heroína, devemos encarar a tecnologia como nossa aliada na construção de cidades mais eficientes para todos os seus moradores, facilitando o seu dia a dia e, principalmente, fortalecendo os laços em comunidade. Afinal, não podemos esquecer que não é a inteligência artificial que faz uma cidade, mas sim os seus habitantes.

Arquitetura como agente de transformação

O Projeto de revitalização do Mirante Nove de Julho é um ótimo exemplo de como a tecnologia pode tornar a cidade mais inteligente, com soluções simples e relativamente baratas. Após a reforma, o espaço é ocupado por um café, feiras e eventos, e como nos conta Mila Strauss, arquiteta e nossa professora do curso online de Arquitetura e Urbanismo, responsável junto com Marcos Paulo Caldeira, pela reforma e recuperação da primeira fase do Mirante:

“O Mirante Nove de Julho é um exemplo onde a internet funciona como um ator muito importante. No pavilhão que foi reformado, encontra-se internet disponível. Tem muita gente que passa o dia trabalhando lá, ou desce para consultar alguma coisa. E é assim que as empresas que estão lá conseguiram engajar muitas atividades: através da internet. Esses usos novos, que são as bases das cidades inteligentes (tecnologia e a sustentabilidade), vão ativar muito espaços que estavam ociosos, de uma forma democrática e dinâmica. E ficamos muito felizes (e animados!) em poder fazer parte disso”.

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NEGÓCIOS COM PROPÓSITO PODEM AUMENTAR A LUCRATIVIDADE

Quando o lucro é aliado a um propósito

Você já ouviu falar em negócios sociais? O termo foi cunhado na década de 1970 pelo economista Muhammad Yunus. Ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 2006, ele é o fundador do Yunus Social Business Global Initiatives, um fundo de investimento sem fins lucrativos que transforma doações filantrópicas em investimentos em negócios sociais. A iniciativa tem uma unidade brasileira, a Yunus Negócios Sociais Brasil.

Desde a década de 1990, os negócios sociais foram ganhando cada vez mais adeptos no mundo, sobretudo nos EUA e na Europa. Segundo estimativa do banco de investimento JPMorgan Chase, os negócios sociais devem movimentar US$ 1 trilhão no mundo todo até 2020 – R$ 50 bilhões somente no Brasil. “Negócios sociais são empresas que têm como foco principal servir a base da pirâmide. O impacto social é o foco central do trabalho, mas, para isto, elas utilizam mecanismos de mercado, como a venda de produtos. Pode ser uma empresa que visa o lucro, no entanto, que tenha como sua atividade principal resolver um problema social”, explica Renato Kiyama, Gerente da Aceleradora de Impacto da Artemisia, em entrevista à Exame. A Artemisia é uma organização sem fins lucrativos, pioneira na disseminação e no fomento de negócios de impacto social no Brasil, que já acelerou mais de 100 negócios e já ofereceu capacitação para outros 300.

Negócios que tendem a crescer cada vez mais

A startup de compras on-line Welight é um exemplo. Criado em 2016, o negócio é um misto de empresa social e ONG e atua em três ferramentas: site, aplicativo e plug-in. Ao fazer uma compra pelo site ou pelo aplicativo da startup em uma das mil lojas parceiras da iniciativa, a Welight repassa entre 0,5% e 15% do valor do produto adquirido. Parte deste dinheiro vai para um dos 30 projetos sociais listados pelo site dedicados a questões de gênero, educação, combate à fome, meio ambiente, entre outras. A Welight fica com cerca de 10% do total arrecadado com as comissões para se manter. Todo o processo é auditável e fica disponível para os clientes. “Todas as relações de consumo podem ser uma geração de impacto social escalável. A ideia é globalizar a operação, já que desafios humanitários e ambientais existem em todos os lugares”, explica Pedro Paulo Lins e Silva, um dos criadores da iniciativa, em entrevista ao Draft.

Oportunidades não faltam

Outra iniciativa bastante interessante é a da Signa, que é atualmente uma das principais referências de educação online para surdos. Criada há dois anos, a startup oferece mais de 20 cursos, já atendeu mais de 1.300 alunos e tem um faturamento mensal de R$ 40 mil. A próxima etapa da empresa é abrir espaço para que os próprios alunos criem novos cursos (uma maneira da startup aumentar o portfólio de cursos e oferecer aos estudantes uma nova fonte de renda) e expandir a proposta para outros países. “O empreendedorismo é a resposta para melhorar a sociedade”, afirma Randall Kempner, diretor executivo da Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), rede global de apoio a negócios de impacto social.

A iniciativa conta com 280 integrantes em todo o mundo e auxilia empreendedores em 150 países emergentes. Em entrevista à revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios, ele explica que o Brasil ainda está descobrindo o potencial dos negócios sociais. Um estudo realizado pela Ande, em 2016, conseguiu identificar apenas 29 investidores de impacto locais, com US$ 177 milhões para investir, a maioria na região Sudeste. Ainda assim, ele espera que o levantamento deste ano irá apresentar um crescimento no número de adeptos ao modelo. “Eu gostaria que as grandes companhias percebessem que investir em negócios sociais pode ser uma grande oportunidade. Você tem a possibilidade de lucrar e causar impacto social nas áreas em que atua. Então, vá atrás disso, explore diferentes caminhos.”

Como criar novos modelos de negócios para o design no Brasil e pensar outras economias?

A FIA {oficina de artesãs} nasceu da vontade de repensar os laços entre mercado, artesãos, designers e consumidores.

Refletindo sobre formatos de comercialização tradicionais e em como minimizar os custos em toda a cadeia do artesanato para que o artesão pudesse ser mais valorizado, o projeto foi idealizado a partir de conversas durante oficinas ministradas na Casa da Economia Solidária pela designer Celina Hissa, diretora da marca Catarina Mina, para artesãs de Sobral (Ceará). 

Ao final das oficinas, com uma mini coleção criada e peças-piloto prontas para serem reproduzidas, veio à tona o principal desafio: como fazer com que aquelas peças, tão bonitas, feitas com tanto carinho e vontade chegassem até o consumidor final? E mais: como fazer com que as pessoas que se dedicaram ao artesanato – e que reinventaram seus processos – pudessem se sentir encorajadas, confiantes e seguras, inclusive financeiramente, com aquilo que produziram?

Juntas, Celina Hissa, Silvana Parente, do IADH, e Lívia Salomoni, especialista em marketing e comunicação, decidiram entrar no Catarse, mas de uma forma diferente. Por meio do financiamento coletivo, conseguiram 222 apoiadores e, em um mês, fizeram uma pré-venda de quase R$ 40.000,00. Assim foi dado o start financeiro para a primeira coleção. Hoje, a Fia tem uma pop-up no site da Catarina Mina, marca da designer Celina Hissa, que, em conjunto com a oficina de artesãs, criou coleções para marcas como a Neon e já fecharam parceria com a OppaDesign.

Segundo Eloisa Artuso, professora do curso online de Design Sustentável da Escola São Paulo, “O futuro da moda e do design precisam refletir a nova consciência de uma era em que designers e consumidores estão verdadeiramente preocupados com a pegada ecológica e social dos produtos. Precisamos finalmente entender que as coisas devem ser vistas a partir de outra perspectiva: onde ‘ser’ é mais importante do que ‘ter’. As mentes criativas podem combinar inovação e sustentabilidade para transformar comportamentos culturais e levar o consumo a um patamar de melhor qualidade para então conseguirmos fechar a equação de um planeta finito.”

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A FACULDADE DO FUTURO

No atual mercado de trabalho, todo conhecimento é válido

Em um mercado de trabalho cada vez mais concorrido, qualificação profissional (diploma universitário) é um quesito indispensável, correto? Não necessariamente, ao menos para as mais importantes empresas de tecnologia do mundo, como Google, Apple e IBM. A informação consta em um levantamento feito pelo site de busca de empregos Glassdoor. Além das gigantes de tecnologia, figuram na listagem empresas como Hilton, Whole Foods, Starbucks e Bank of America.

Não que elas desconsiderem a formação tradicional ao contratarem seus colaboradores, muito pelo contrário. Mas, cada vez mais, estão ampliando o seu leque de análise e considerando a qualificação de profissionais sem diploma universitário em seus processos seletivos. A mudança de comportamento tem uma motivação prática: o número de vagas no setor é superior à quantidade de candidatos. Além disso, o desenvolvimento de setores como o de Tecnologia tem motivado o desenvolvimento de novas habilidades e a criação de “novos empregos”.

Um outro modelo de formação

A vice-presidente de talentos da IBM, Joanna Daley, declarou ao site CNBC Make it que, em 2017, cerca de 15% das contratações de sua empresa nos EUA não têm graduação de quatro anos. Segundo ela, em vez de olhar exclusivamente para candidatos que foram para a faculdade, a IBM agora avalia também os candidatos que têm experiência prática por meio de bootcamps (programas de ensino imersivo que focam nas habilidades mais relevantes de determinada área), outros empregos ou mesmo por esforço próprio. Na visão da empresa, cursos livres ou vocacionais e a experiência adquirida no trabalho muitas vezes são mais eficazes do que o conhecimento adquirido em quatro anos de universidade, por exemplo.

De acordo com levantamento da Associação de Controle e Auditoria de Sistemas de Informação dos EUA (Information Systems Audit and Control Association, em inglês), 55% dos recrutadores da área consideram a experiência prática a qualificação mais importantes. “Os ‘novos empregos’ não apenas trazem candidatos que constroem habilidades através de outros campos de conhecimento, mas também profissionais mais velhos ou aposentados que retornam ao mercado de trabalho”, afirma Joanna.

Seres humanos excepcionais

Em 2004, o então vice-presidente de Recursos Humanos da Google, Laszlo Bock, declarou em entrevista ao The New York Times que a companhia priorizava a capacidade cognitiva geral do candidato, não o seu quociente de inteligência. “É a capacidade de aprender. É a capacidade de processar na hora. É a capacidade de reunir diferentes tipos de informações”, disse. “Quando você olha para pessoas que não fazem faculdade e, mesmo assim, fazem o seu caminho no mundo, elas são seres humanos excepcionais. E devemos fazer tudo o que pudermos para encontrar essas pessoas. Muitas faculdades não cumprem o que prometem. Você gera uma tonelada de dívidas e dúvidas, você não aprende as coisas mais úteis para a sua vida. É [apenas] uma adolescência prolongada”, acrescentou.

A Escola São Paulo pensando no futuro

A Escola São Paulo é, desde 2006, um espaço democrático de compartilhamento de experiências e de conhecimento, a favor de iniciativas que promovam o diálogo e o respeito às diferenças e que contribuam para que a gente possa viver em uma sociedade mais justa, respeitosa e generosa. Não acreditamos em verdades absolutas. A nossa proposta é fazer um convite à reflexão. A partir dessa responsabilidade procuramos profissionais atuantes no mercado e produzimos cursos com conteúdos que a gente tem curiosidade em estudar e acredita que são relevantes e que vão acrescentar alguma coisa na vida das pessoas.

Em um mundo em constante transformação como o nosso, um diploma de graduação já não é garantia de sucesso. No atual mercado de trabalho, mais importante que um certificado acadêmico é o conhecimento adquirido por cada profissional, seja pelos métodos tradicionais ou por vias menos convencionais.

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O PLÁSTICO NO FUTURO

A imagem é chocante: uma gigantesca camada de lixo plástico boiando no oceano, reflexo direto dos nossos hábitos de consumo e descarte, um sinal claro de que devemos rever urgentemente nossas atitudes. O registro é da chamada Grande Mancha de Lixo do Pacífico, uma área descoberta na segunda metade da década de 1980, localizada entre a costa ocidental dos EUA e o Havaí, que acumula resíduos levados pelas correntes marítimas, muitos deles plástico.

De acordo com levantamento da fundação holandesa The Ocean Cleanup, a mancha tem cerca de 80 mil toneladas de plásticos descartados em uma área quase duas vezes e meia maior que o território da França. O estudo coletou 1,2 milhão de amostras e selecionou 50 itens com data de fabricação legível. O resultado? Havia plástico de 1977 e das décadas de 1980 e 1990. Além disso, a pesquisa identificou que a maior parte do 1,8 trilhão de peças presentes na mancha é composta por pedaços pequenos que medem menos de meio centímetro. “Um relatório de 2016 da Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 800 espécies marinhas e costeiras são afetadas pela ingestão desses plásticos”, explica a pesquisadora Daniela Gadens Zanetti, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em entrevista à revista Planeta. “Além disso, esses resíduos têm um efeito adverso nas indústrias de pesca, navegação e turismo. O relatório da ONU avalia o custo da poluição causada por detritos marinhos em US$ 13 bilhões”, acrescenta.

Muito além do canudinho

No ano de 2014, foram fabricadas 311 milhões de toneladas de plástico. Caso não mudemos os rumos, em 2050, serão produzidas 1,124 bilhão de toneladas. Uma quantidade gigantesca de plástico que demorará anos para desaparecer. Plásticos usados em embalagens de água e refrigerantes, por exemplo, levam até 200 anos para se decompor. Já os utilizados na fabricação de talheres e cartões de crédito de seis meses a dois anos. “Bactérias e fungos que decompõem os materiais não tiveram tempo de desenvolver enzimas para degradar a substância”, explica a engenheira química Marilda Keico Taciro, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), em entrevista à revista Superinteressante. “Com a evolução, os microorganismos devem se adaptar, mas isso pode levar milhões de anos”, acrescenta o biólogo José Gregório Cabrera Gomes, também do IPT, na mesma publicação.

Nossos números assustam

Segundo dados do estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) o volume de plástico que chega aos oceanos anualmente é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o equivalente a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos todos os anos.

Nesse ranking, o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. Esse número foi divulgado no relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4) em Nairóbi, no Quênia, em março de 2019.

Além disso, segundo esse mesmo estudo, somos um dos países que menos reciclam no mundo. No caso do plástico, reciclamos 145.043 toneladas, ou seja, apenas 1,2%, bem abaixo da média mundial, que é de 9%.

Veja mais alguns números:

  • Cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana
  • O Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano
  • 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular
  • 7,7 milhões de toneladas ficam em aterros sanitários

Alternativas em curso

Já temos no mercado um plástico biodegradável chamado PHB que vira pó em seis meses nos aterros sanitários. Mas a sua fabricação custa até cinco vezes mais que os plásticos comuns e, portanto, ainda o torna inviável na prática (atualmente, ele responde por apenas 1% do total de plástico vendido no mundo). Recentemente, os engenheiros chilenos Roberto Astete e Cristian Olivares anunciaram a criação de sacolas plásticas e de tecido solúveis em água e que não contamina, uma vez que não levam petróleo em sua composição. “Nosso produto deriva de uma pedra calcária que não causa danos ao meio ambiente”, assegurou Astete, diretor-geral da empresa SoluBag, conforme reportagem do portal UOL. “É como fazer pão”, acrescenta. “Para fazer pão é preciso farinha e outros ingredientes. Nossa farinha é de álcool de polivinil e outros componentes, aprovados pela FDA (agência americana reguladora de alimentos, medicamentos, cosméticos, aparelhos médicos, produtos biológicos e derivados sanguíneos), que nos permitiu ter uma matéria-prima para fazer diferentes produtos.”

Após a diluição dos produtos, o que fica na água é carbono, elemento que não afeta a sua qualidade. A iniciativa inovadora ganhou o prêmio SingularityU Chile Summit 2018 como empreendimento catalizador de mudança e rendeu aos inventores um estágio no Vale do Silício em setembro de 2018. A proposta ainda está em estágio inicial e não pode ser considerada uma solução definitiva para a questão.

Nada se perde, tudo se renova

O mal causado pelo plástico nos oceanos é um problema real e urgente que mobilizou a opinião pública e governos e fez com que diversas empresas apresentassem ações visando não apenas a redução do consumo de plástico, como também a readequação da sua cadeia produtiva para esta finalidade. Baseando-se na lógica da economia circular, essas empresas estão se adequando para produzir de maneira modular, de modo a reaproveitar ao máximo os elementos que compõem o seu processo de produção e gerar menos impacto ao meio ambiente. Nada se perde, tudo se renova.

A cervejaria dinamarquesa Carlsberg anunciou recentemente que irá colar as latinhas ao invés de utilizar o invólucro de plástico em seus conjuntos de seis unidades. A cola utilizada no processo é uma espécie de goma de mascar que não gruda nos dedos. A expectativa da empresa é reduzir em até 76% o plástico utilizado (uma economia de 1,2 mil toneladas de plástico por ano). Batizada de Snap Pack, a novidade entrou em vigor em setembro no Reino Unido e na Noruega e deverá chegar em breve nos demais mercados de atuação da marca.

O mercado da moda também está se transformando, pressionado por consumidores mais conscientes. Em parceria com a organização Parley for the Oceans, a Adidas lançou pares de tênis feitos com plástico retirado dos oceanos (cada par utiliza 11 garrafas de plástico que são transformadas em uma espécie de fibra). A novidade rendeu mais de um milhão de vendas e se desdobrou na fabricação de camisas de futebol (adquiridas por times como Real Madrid e Flamengo). A empresa pretende, até 2024, produzir produtos apenas com plástico retirado dos mares.

Reconhecida pelo seu foco em ações sustentáveis, a designer Stella McCartney anunciou a utilização de plástico dos oceanos em suas criações graças, também, a uma parceria com a Parley for the Oceans. “Quando eu era mais nova, couro era sinônimo de luxo, e as pessoas não aceitavam que eu não usasse couro nas minhas peças. O couro é mais barato do que outros produtos alternativos, é menos interessante, menos moderno. Será que um plástico reciclado será pensado como luxo algum dia? Se as pessoas perceberem que viver por mais tempo neste planeta é um luxo, então sim, essa é a minha ideia de luxo”, declarou a estilista em entrevista ao The New York Times.

Até 2020, a Starbucks vai deixar de usar canudos de plástico substituindo-os por materiais menos poluentes. A empresa também vai passar a utilizar copos que não demandem o uso do objeto plástico. O objetivo da rede é que mais de um bilhão de canudos deixem de ser usados por ano graças à medida. Vale lembrar que o tempo de decomposição de um canudo plástico é de 500 anos. Empresas como Nestlé e PepsiCo também estão sendo pressionadas por seus investidores a implementarem ações semelhantes.

Design Circular

Eloisa Artuso, designer, pesquisadora e diretora educacional do Fashion Revolution Brasil, desenvolve seu trabalho baseado no lugar onde sustentabilidade, cultura e comunicação se fundem com o design.

O designer sustentável tem um papel crucial na implementação de novos processos e sistemas mais sustentáveis. Ele enxerga a sustentabilidade como uma possibilidade criativa, e não limitadora. Traz para sua prática um olhar ativista. Se entende como criador de mensagens, como um propulsor e propagador de novos modelos de produção e de consumo, em um papel muito importante no desenho de novos futuros e de futuros mais sustentáveis.

Segundo Eloisa, o papel do designer vai muito além do que criar produtos. Vê o designer num papel de criar novos sistemas, novos processos e novos futuros onde estes produtos estarão incluídos.

Em nosso curso online de Design Sustentável, ela traz o design como um dos agentes de transformação da situação que enfrentamos, utilizando as 5 ferramentas para o design circular: design para longevidade, design para serviços, design para reuso, design para desmontagem e design para recuperação.

“É o dever de cada um de nós garantir que a busca pela prosperidade material não comprometa nosso meio ambiente. As escolhas que fazemos hoje definirão nosso futuro coletivo. As escolhas podem não ser fáceis. Mas através da conscientização, da tecnologia e de uma parceria global genuína, tenho certeza de que podemos fazer as escolhas certas.”

Primeira ministra da Índia, Narendra Modi

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COMO SE TORNAR UMA REFERÊNCIA NO MERCADO PENSANDO EM ECONOMIA CIRCULAR

Como a economia circular está ajudando na gestão de resíduos

Considerada uma das mais interessantes e inovadoras maneiras de lidar com o planeta desenvolvidas nas últimas décadas (sob uma dinâmica na qual crescimento econômico e bem-estar não estão ligados a consumo exacerbado e extrema utilização dos recursos naturais), a economia circular tem sido cada vez mais adotada como ferramenta para gestão de nossos resíduos, uma das grandes questões da atualidade.

Segundo levantamento da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Brasil produz 79,9 milhões de toneladas de lixo por ano, em média. De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), cerca de 30% de todo o lixo produzido no Brasil tem potencial de reciclagem, mas apenas 3% de fato é reaproveitado. “As pessoas estão percebendo que podemos fazer mais. Estamos em uma transição em que a gestão de resíduo deixa de ser gestão de lixo e passa a ser gestão de recursos.

É pensar aberto: como é que hoje a maior rede de hospedagem do mundo é Airbnb? Ou que existam grandes empresas de transporte urbano como a Uber e Cabify, que não são proprietárias de frota? São esses conceitos que precisamos trazer para a gestão de resíduos. É a criatividade que precisamos despertar, não só em cada um, mas despertar no próprio governo, em parceria com iniciativa privada, para oferecer esses tipos de solução”, explica Carlos Silva Filho, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em entrevista ao Estadão.

Iniciativas de sucesso pensando em economia circular

Um exemplo desta mudança de comportamento do mercado é a Ecozinha, projeto criado em Brasília por alguns restaurantes logo após a aprovação da uma que lei que transfere para estabelecimentos comerciais a responsabilidade da destinação dos resíduos produzidos. A iniciativa instalou caçambas e coletores para a separação do lixo reciclável nos restaurantes (resíduos posteriormente recolhidos pelo Sistema de Limpeza Urbana). Como o Distrito Federal não possui espaços para o descarte de vidro, o projeto firmou parceria com a ONG Green Ambiental que faz a coleta e o transporte para usinas de reciclagem em São Paulo. Para cuidar do lixo orgânico, composteiras foram instaladas em um pátio alugado para uso comum e o adubo ali produzido é destinado para agricultores locais. Em resumo, o lixo produzido nos restaurantes é utilizado na produção dos alimentos que serão comprados e consumidos nos restaurantes. Um círculo extremamente positivo que beneficia diversos personagens da cadeia produtiva. “A gestão de resíduos começa no início da cadeia, usando menos recursos para fazer seu produto. Economia circular não é só reciclagem: é já produzir de maneira modular para, na hora que tiver problema, é só fazer manutenção, trocar peça, não precisa de um novo produto”, explica Davi Bomtempo, Gerente Executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), também em entrevista ao Estadão.

Imitando a natureza

Lançada em setembro de 2018, a ZEG Ambiental é uma empresa brasileira que desenvolveu um reator que transforma resíduos em gás sem poluir o ar com fumaça ou fuligem, por exemplo. “Imitamos a natureza. Ela decompõe os materiais orgânicos e os transforma em querogênio, que depois é transformado em óleo e gás. Só que esse processo demora milhões de anos, com sobreposição de camadas promovendo uma atmosfera com ausência de oxigênio. A gente faz exatamente isso, só que dentro de um reator”, explica André Tchernobilsky, sócio-fundador da empresa, em entrevista ao Jornal GGN.

O reator tem capacidade de converter até 50 toneladas de sólidos/dia e base seca em fonte de energia. Tchernobilsky explica que o equipamento trabalha com temperaturas acima de 1 mil graus, que facilita a quebra da cadeia molecular dos resíduos. O gás produzido pode ser diretamente injetado no sistema de Geração Distribuída criando energia renovável. A Nexa, empresa do setor mineral, é a primeira a fazer uso da iniciativa substituindo o uso de combustível fóssil (gás natural e óleo) por resíduos em seu processo produtivo. “O que nós já percebemos, e está acontecendo com muito volume, é uma procura para apresentarmos projetos que sejam economicamente e ambientalmente sustentáveis, e percebemos [essa movimentação de] fundos e parceiros locais, brasileiros e também organismos internacionais procurando bons projetos para que a gente possa criar essa economia circular positiva”, afirma Daniel Rossi, presidente da ZEG.

Um outro olhar para inovação

A HP é outra empresa que está tentando adequar sua cadeia produtiva à economia circular. Por meio da operação integrada com as empresas fornecedoras Flextronics e Sinctronics, a multinacional consegue reutilizar em seu processo de produção o plástico que já esteve nas impressoras e nos cartuchos. De acordo com Judy Glazer, diretora global de sustentabilidade da marca, mais de 7,7 milhões de produtos da marca foram fabricados no país com conteúdo reciclado. “Estamos no processo de tornar o processo produtivo muito mais circular do que linear. Temos a aspiração de nos tornarmos uma companhia lixo zero, com decisões que possam direcionar o negócio e ter um impacto positivo de longo prazo. Outra meta é eliminar o uso de matérias-primas virgens no processo produtivo”, afirma em entrevista à Folha de S. Paulo. “É uma aspiração, um objetivo de longo prazo que vai provocar a inovação. Temos um longo caminho, mas colocar isso como meta é um invocativo poderoso. Queremos chegar a 100% de uso de materiais reciclados e de origem renovável nos produtos”, acrescenta.

Para entender melhor sobre economia circular

No curso online de Design Sustentável, Eloisa Artuso reforça que, para conseguirmos transformar um sistema linear em circular, precisamos trazer novas abordagens para os negócios, levando em consideração a longevidade dos produtos, os impactos deles e dos processos de produção, e o fim da vida útil deles, como eles serão descartados e reinseridos em novos ciclos de produção. Para isso, é preciso que tenhamos um olhar sobre o sistema todo, e que passemos a criar novas parcerias entre marcas e designers, com vários atores da indústria, para que esses ciclos comecem a se fechar de uma forma harmônica. Para calcular e mitigar o impacto social e ambiental dos produtos e serviços, ela traz conceitos como ACV (Análise de Ciclo de Vida), Cradle to Cradle e Logística Reversa, pensamentos e propostas que devem estar com as marcas ao lançar um produto ou serviço.

Todos estes exemplos só comprovam o quanto a economia circular é mobilizadora enquanto modelo de desenvolvimento econômico, industrial e social. Mais do que isso, mostram que é possível mantermos uma relação produtiva, equilibrada e saudável com o planeta.

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PERIFERIA EMPREENDEDORA

Em 2012, inspirado pelo livro O banqueiro dos pobres, do economista Muhammad Yunus (criador do termo Negócios Sociais), o jovem Thiago Vinícius criou o Banco Comunitário União Sampaio, no Capão Redondo, bairro onde mora na periferia de São Paulo. O capital de giro inicial foi de R$ 20 mil, captados via crowdfunding. A iniciativa funciona com duas carteiras, uma produtiva e outra para consumo. A primeira opera em reais, com juros de até 2%, e segunda com o Sampaio, moeda criada pela instituição, sem juros, que é aceita por diversos estabelecimentos da zona sul paulistana. Desde sua criação, o banco já movimentou mais de R$ 1 milhão.

Presidente da Associação das Mulheres de Paraisópolis, na zona sul paulistana, Elizandra Cerqueira criou o Bistrô & Café Mãos de Marias, iniciativa que, desde 2017, oferece cursos de capacitação e empreendedorismo para mulheres do bairro. Além disso, mantém uma horta orgânica de onde as cozinheiras tiram os ingredientes para fazer os pratos vendidos no espaço (o cardápio é composto por iguarias da culinária nacional, como virado à paulista, feijoada, bobó de camarão e moqueca de peixe, entre outros). O Bistrô tem o objetivo de apoiar as mulheres de Paraisópolis – atualmente, elas representam 53% da população local e chefiam 20% das famílias do bairro.

Thiago e Elizandra integram o grupo de quase 18 milhões de empreendedores das classes C, D e E que movimentam mais de R$ 228 bilhões por ano no país, segundo o Instituto Locomotiva e o Data Favela. Segundo levantamento da consultoria Data Popular, na última década, os negócios movimentados entre os 12,5 milhões de moradores de favelas geraram R$ 68,5 bilhões de renda anual. Um mercado cada vez mais forte e diverso que tem impactado diretamente os índices econômicos nacionais. “A periferia é a base da economia solidária”, afirma Thiago, em entrevista à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Apesar dos números expressivos, os empreendedores da periferia ainda sofrem preconceito do mercado e têm dificuldade para encontrar investidores que os auxiliem a colocar os seus projetos em prática. “Muitos acreditam que quem mora nas periferias não tem muito conhecimento. Não levam muita fé no nosso trabalho”, afirma Elizandra, em entrevista à Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Mesmo diante destes entraves, é cada vez maior o número de iniciativas em curso com o objetivo de auxiliar projetos empreendedores das periferias das grandes cidades brasileiras. A Artemisia é uma delas. Dentre os projetos já apoiados pela aceleradora de negócios de impacto social está a boutique Krioula, criada no Capão Redondo, em São Paulo, que vende turbantes, colares, anéis e brincos inspirados na cultura afro. “Queremos focar o nosso trabalho cada vez mais nas regiões periféricas porque potenciais não faltam”, afirma Priscila Martins, gerente de relacionamento institucional da Artemisia, em entrevista à revista Época Negócios.

O Fundo de Aceleração para o Desenvolvimento Vela (FA.VELA), de Belo Horizonte, Minas Gerais, é outro espaço que vem auxiliando empreendedores da periferia. Em entrevista ao jornal Brasil Econômico, o presidente e cofundador da iniciativa, João Souza afirma que, somente em fevereiro de 2017, 48 negócios foram gerados para garantir o crescimento e a sustentabilidade das iniciativas lideradas pelos 35 empreendedores periféricos. Atualmente, já foram acelerados 122 negócios e formados mais de 130 empreendedores. De acordo com o Fundo, 42% atuam na área de serviços, 40,3% em fabricação de alimentos/artesanato e 17,7% na área comercial. “A gente tenta fortalecer este perfil empreendedor do morador de periferia democratizando o acesso a conhecimentos e a ferramentas que o ajudam a modelar melhor esse negócio, esse projeto que ele quer tocar e pensar a médio e longo prazos”, explica Tatiana Silva, diretora de projetos do FA.VELA, em entrevista à TV Globo de Minas Gerais.

Retratar como moradores da periferia de São Paulo estão transformando a realidade de suas comunidades com iniciativas inovadoras em áreas como gastronomia, comunicação e moda é o principal objetivo do documentário Visionários da Quebrada. “Acreditamos nas mudanças estruturais vindas das margens, nos saberes das periferias e na potência das pessoas engajadas na construção de suas comunidades. É um convite para atravessarmos as pontes que já estão construídas”, explica, explica Ana Carolina, idealizadora e diretora do filme.

Em visita ao Brasil em 2019, Barack Obama causou furor e comoção, falando sobre diversidade de direitos e oportunidades.

“Se houver apenas homens que pensam da mesma forma, as lideranças acabam perdendo informações”, e aqui acrescentaríamos: se não ampliarmos nossos olhares estaremos todos perdendo grandes profissionais, empreendedores, criativos, desenvolvedores, desbravadores dessa nova economia que está nascendo.

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TENDÊNCIAS NA ALIMENTAÇÃO

O futuro da alimentação

Até 2100, alcançaremos a marca de 11 bilhões de habitantes no mundo. Uma estimativa expressiva que aumentará em cerca de 30% a demanda por alimentos. Um cenário complexo que gera um importante questionamento: como será a nossa alimentação no futuro? A pergunta apresenta uma série de hipóteses. Parte dos especialistas acredita que os alimentos do futuro deverão ser cada vez mais nutritivos e sustentáveis. A tendência, segundo eles, é que cada vez mais consumidores se interessem em conhecer de perto a cadeia produtiva dos alimentos que consomem no dia a dia e exijam uma postura sustentável de seus produtores.

Valorizando o consumo local

Além disso, movimentos como o Eat Local, que incentivam o consumo de alimentos orgânicos produzidos localmente em prol da economia da região, devem crescer ainda mais, ampliando a transformação das cidades em diversas zonas agrícolas produtivas – atualmente há uma série de empresas especializadas em transformar espaços ociosos, como os telhados de prédios, por exemplo, em áreas para cultivo de hortaliças e frutas. “Tento consumir produtos que sejam mais locais. Algo considerado natural, mas que viaja da Argentina a um país distante, não me convence”, analisa Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace International, em reportagem da revista Época Negócios.

Fazendas verticais

O processo de agricultura indoor, que consiste no cultivo de vegetais e hortaliças em ambientes fechados e controlados por inteligência artificial, é outra proposta que tende a crescer nos próximos anos. O Massachusetts Institute of Technology (MIT), por exemplo, uma das instituições de tecnologia mais respeitadas do mundo, está investindo em versões individuais do que os especialistas chamam de food computer (computador de comida) que pode transformar qualquer pessoa em um fazendeiro em sua própria casa.

Comida sob demanda

Ainda no campo da tecnologia, o design de alimentos é mais uma tendência que deve ficar cada vez mais forte tendo como foco o desenvolvimento de pesquisas alinhadas aos desejos e necessidades dos novos consumidores. Comida sob demanda. A Bayer, por exemplo, desenvolveu uma variedade de melancia menor, sem sementes e com mais nutrientes que as tradicionais. Enquanto uma melancia convencional pesa em média 15 quilos, a criação da Bayer tem um peso médio de 6 a 8 quilos. “Isso facilita o transporte e armazenagem, bem como evita o desperdício do alimento”, afirma Guilherme Hungueria, especialista de marketing da Unidade de Sementes e Hortaliças da Bayer em entrevista ao Planproject. “O produto ainda é mais saudável, já que contém o dobro de antioxidantes que a melancia convencional, além de possuir um sabor e uma doçura inigualáveis”, acrescenta. A empresa também lançou a Dulciana, uma cebola que não faz chorar pelo fato de apresentar menos ardência que o vegetal convencional.

Alimento como prevenção

Nesse sentido, há também pesquisas focadas no desenvolvimento de alimentos produzidos especificamente para prevenir doenças ou atender as necessidades nutricionais de grupos específicos. Estes estudos defendem que cada pessoa passaria a comer os alimentos que a deixam mais saudável, levando em consideração a sua genética e o seu histórico de doenças. Alimento como prevenção. “Não é mais a mesma comida para todo mundo. Temos de individualizar produtos de acordo com o que o corpo precisa com base na idade ou no sexo, por exemplo. Há muitos parâmetros”, explica a chefe da Nestlé na Alemanha, Beatriz Guillaume-Grabner, em entrevista ao site DW. A proposta da maior empresa de alimentação do mundo é lançar produtos que consigam cada vez mais levar micronutrientes, como zinco e magnésio, para os consumidores.

Quando a soja vira bife

A redução no consumo de carne também tende a se fortalecer nos próximos anos com o desenvolvimento de técnicas e de empresas que ofereçam opções nutritivas e deliciosas de alimentos sem o envolvimento de animais. Exemplos dessa dinâmica são as empresas Impossible Foods, que vende “carne” produzida a partir de plantas em mais de 500 restaurantes nos EUA, e Beyond Meat, que desde 2013 produz “carne” e “frango” feitos de planta.

Reduzir o desperdício de alimentos

também é uma outra tendência que deve crescer. Em um futuro não tão distante, teremos mais empresas como a ResQ, plataforma on-line com atuação na Europa que vende as sobras de cafés e restaurantes. Só para se ter uma ideia, a iniciativa já evitou que 100 mil porções fossem jogadas no lixo.

Entendendo o futuro

Marcas que produzem ou comercializem alimentos devem estar atentas ao que o consumidor vem buscando, e ao que ele tende a buscar. Sabina Deweik, no curso online “Os Novos Paradigmas do Futuro e as Tendências Emergentes”, apresenta os 4 grandes paradigmas que nortearão para onde a sociedade caminhará nos próximos 20 anos. E um dos temas abordados por ela é diretamente relacionado ao que estamos discutindo nesse texto, como o Paradigma Unique & Universal, onde:

  • a antinomia entre o local e o global será deixada permanentemente para trás;
  • será reconhecido o valor dos produtos únicos e locais;
  • produtos locais serão transformados em opções globais;
  • o caráter distintivo das origens e dos processos será comunicado de modo mais transparente;
  • as mídias sociais serão usadas a fim de criar novas lógicas de distribuição e de comunicação, dando aos produtos locais uma melhor oportunidade de se afirmarem no mercado global;
  • customizado, personalizado, distinto passam a ser conceitos relevantes.

Com propostas tão diversas em curso (de alimentos cada vez mais orgânicos e naturais a opções geneticamente modificadas), podemos concluir que o futuro da alimentação será diverso e dependerá do caminho escolhido por cada consumidor. Escolhas distintas e individuais para responder a uma mesma questão. Com qual proposta você mais se identifica?

#escolasaopaulo #descubra #reinvente #viva

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DA EXCLUSIVIDADE À INCLUSÃO: UMA NOVA VISÃO DO LUXO

Por Sabina Deweik, do time Humans Can Fly e professora e colunista da Escola São Paulo. 

Quando você pensa em luxo, o que vem a sua cabeça? Exclusividade, status, ostentação, marca? Este conceito vem passando por grandes transformações, acompanhando também as grandes mudanças de comportamento da sociedade. 

Existe hoje uma nova relação entre preço e valor. Na década de 80, por exemplo, aquilo que tinha um preço elevado, tinha um valor alto. Preço e valor tinham uma relação quase que direta, linear. Hoje, nem tudo que tem um preço elevado tem grande valor para as pessoas. Muito pelo contrário. Há experiências de grande valor que são gratuitas ou extremamente acessíveis: fazer download de suas músicas preferidas, ter conexão wi-fi, tomar uma xícara de café com seu melhor amigo ou simplesmente poder se desconectar.
Grande parte das pessoas está deixando para trás o velho conceito do que é luxo no qual o sentido era ter algo que denotava status social. O exibicionismo vai dando espaço para o consumo de luxo ligado a experiências autênticas e empáticas.  

Essa nova visão, me remeteu a um documentário que assisti recententemente: “Minimalism: a documentary about the important things” (Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes), disponível na Netflix. No filme, os amigos de infância Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, os personagens principais, resolvem largar uma carreira estabelecida e um cargo no qual ganhavam um salário de dois dígitos para viver com mais satisfação e menos coisas. A partir daí, escrevem um livro sobre essa experiência e partem para uma viagem pelos EUA para promover o livro. 

Há quem critique a visão de que reduzir, ter menos poder financeiro, trará mais felicidade. Porém, analisando o documentário do ponto de vista dos movimentos sociais emergentes, me dou conta da importância deste tema na atualidade.
Ao longo do filme, especialistas de diversas áreas mostram alguns motivos pelas quais povos ocidentais perpetuam o fenômeno do consumismo desenfreado: a propensão a comprar compulsivamente por conta de sentimentos positivos que este hábito proporciona, a publicidade e o barateamento de produtos, como roupas e eletrônicos. Um dos autores e pensadores que admiro muito, Gilles Lipovetsky se debruça sobre essa questão pontuando no livro A Era do Vazio os efeitos da cultura na qual estamos inseridos: “A cultura pós-moderna é voltada para o aumento do individualismo, diversificando as opções de escolha, cada vez mais opções de escolha sobre tudo em uma sociedade de consumo; levando a perda de uma visão crítica sobre os objetos e valores que estão a nossa volta”. Sobre essa questão do valor venho me questionando imensamente: Qual o valor de X na minha vida? Para que?  consumo consciente coolhuntingQuestionar-se sobre o “para que” e não sobre o “porque” de algo abre uma perspectiva de qual o real valor daquela coisa, daquela experiência para cada indivíduo. Assim, a ideia perpetuada até hoje de que os bens devem ser consumidos mais rapidamente e em maior volume vai se desconstruindo. O Lowsumerism (união das palavras em inglês “low“- baixo com “consumerism” – consumismo), tendência crescente, vêm confirmar estas novas direções. O movimento, que vem ganhando adeptos em todo o mundo, tem como proposta repensar a lógica de consumo na busca por mais consciência e equilíbrio na hora de comprar.  

Ele se instala como uma alternativa a nossa herança consumista desde a Revolução Industrial e do modelo Fordista (nome em homenagem ao criador do método, o americano Henry Ford), que disseminava a produção em série.

Desde lá, a sociedade e o ideal de consumo foi crescendo com o chamado sonho americano e o atual esgotamento do planeta.  

Por coincidência ou não, este ano de 2018, mais especificamente o dia 1 de agosto, foi considerado pela ONG Global Footprint Network, o dia da sobrecarga da terra: em apenas 212 dias de 2018, os 7,4 bilhões de habitantes do Planeta Terra esgotaram os recursos naturais de comida, água, fibra, solo e madeira disponíveis para os 365 dias do ano. Traduzindo em miúdos: a humanidade está em dívida com a natureza. De acordo com a ONG, se não mudarmos nosso padrão de consumo, antes de 2050 precisaremos de dois planetas Terra para conseguir suprir todas as nossas necessidades. Quando pensamos nesta escala de valores, nos damos conta de que o Lowsumerism não é nem mesmo uma tendência. Eu chamaria de emergência. 

No rastro do Lowsumerism surgem outros movimentos como o upcycling; o reaproveitamento de materiais antigos ou que seriam descartados e a economia do compartilhamento; a sharing economy. A era da posse dá lugar a era do acesso: Uber, Airbnb, Coworking, bicicletas compartilhadas, Spotify, Netflix. Hoje é possível alugar uma incrível bolsa de uma marca de luxo e devolvê-la para que outro use, é possível se hospedar numa casa dos sonhos por um bom custo-benefício através de ferramentas como o Airbnb ou ainda trabalhar em um local incrível e conhecer pessoas, como é o caso dos co-workings, sem precisar pagar uma fortuna por um escritório.  Você usufrui, mas não possui. O desejo de consumo não cessa, apenas você não tem mais a posse do produto. Segundo as projeções da consultoria PwC, a economia compartilhada deverá movimentar mundialmente US$ 335 bilhões até 2025 — 20 vezes mais do que se apurou em 2014, quando o setor movimentou US$ 15 bilhões.Consumo consciente empreendedorismo cool huntingNeste sentido, as novas gerações têm sido extremamente importantes para este impulsionamento e para a ressignificação do luxo, imprimindo valores como sustentabilidade, propósito, autenticidade e transparência. 

No relatório “Millennials Drive The Sharing Economy”, conduzido pelo analista da Forrester Jonathan Winkle, a taxa de uso dos Millennials em negócios compartilhados é mais do que quatro vezes maior do que a dos Baby Boomers. Os dados revelam de fato que os Millennials impulsionam a economia compartilhada, em parte porque detêm valores diferentes dos consumidores mais antigos. 

As gerações mais jovens gastam mais em experiências do que em produtos materiais. 

Sinal dos novos tempos é o evento recém lançado em junho de 2018 em Arnhem, Holanda, o State of Fashion, uma iniciativa que apoia e ativa a busca mundial por uma indústria da moda mais justa, limpa e sustentável, conectando designers, empresas, governos, instituições educacionais e consumidores de moda e têxtil. Com o tema “Buscando o Novo Luxo”, as novas definições são exploradas como resposta às urgentes demandas ecológicas e sociais de hoje: menos desperdício e poluição, mais igualdade, bem-estar e inclusão – valores muito cultuados tanto pela geração dos Millennials como pela geração z.  

É dentro deste contexto que o luxo exclusivo vem dando lugar ao luxo acessível e inclusivo. Entramos na era dos Experiential Seekers – consumidores que passam a ter valores pós-materialistas e buscam por experiências intensas e com significado. E para você o que é o verdadeiro luxo?  

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O NOVO MUNDO JÁ É FATO! COMO SE CONECTAR COM ELE?

Por Danilo España, do time Humans Can Fly e colunista da Escola São Paulo. 

Muito se fala sobre um Novo Mundo que está emergindo. Mas afinal, que mundo é esse? Que diferenças ele tem para o mundo atual e como encaramos essa transição? 

Nova Era, Despertar da Consciência, Mundo em Transição, Amanhecer da Galáxia, Nova Ordem Mundial, etc… chame como quiser. Diferentes religiões e culturas ancestrais predisseram que mudanças radicais aconteceriam do período que vivemos em diante. Eles estavam certos? Acredito que sim! 

Participamos de um momento incrível da história da humanidade, onde nunca houveram tantas possibilidades de se experimentar uma nova maneira de pensar, sentir e viver. Cada vez mais pessoas estão buscando por um propósito de vida, querendo trabalhar com algo que faça sentido e lhes dê satisfação verdadeira, querendo sentir que estão colaborando com o mundo em que vivem, buscando mais práticas físicas, mentais e espirituais para alcançar um maior equilíbrio na vida. O acesso à informação e capacidade de organização se multiplicou exponencialmente com a conectividade, a utilização otimizada de espaços e serviços se popularizou através de aplicativos, a espiritualidade passou a ter importância fundamental para a qualidade de vida das pessoas, a tecnologia nos poupou tempo em atividades burocráticas e o compartilhar se tornou uma das palavras mais pulsantes da atualidade. 

Essas características ancoram uma enorme potencialidade, mas para atingir um pleno potencial é preciso que sejam nutridas por certos princípios. Felizmente há indicadores que apontam para uma direção positiva. Termos como: empatia, gratidão, diversidade, interdisciplinaridade, ética, horizontalidade, visão sistêmica, espiritualidade, liderança holística, unidade, sustentabilidade em latu sensu, entre outros, são ouvidos com mais frequência nos últimos tempos.  O que relatei até agora são alguns sinais emergentes do chamado Novo Mundo, que funcionam como uma espécie de norte se desejarmos seguir um caminho evolutivo. Em contrapartida, percebemos que muitas das nossas atitudes como humanidade até hoje se mostraram bastante inconsequentes. Está evidente que certos sistemas e comportamentos precisam ser repensados, simplesmente porque estão nos levando a lugares que não desejamos estar. Se insistirmos no mesmo raciocínio é fato: se apagará a luz no fim do túnel.  Sem querer tirar o mérito preditivo das religiões e culturas ancestrais, acredito que  nós enquanto seres humanos, demos substrato suficiente para que notassem que nosso modus operandi já aponta que estamos indo pelo caminho errado há muito tempo. Por isso não precisamos devanear na ideia de que o novo mundo é algo transcendental, que surgiu do nada. Essa nova maneira de agir, sentir e pensar é a mais legítima tentativa de mudar pra melhor o rumo do nosso planeta e da nossa condição enquanto espécie. 

O curioso é que os valores e princípios por trás das características do Novo Mundo são “eternos”, ou seja, sempre existiram e sempre existirão, o que precisamos é ressignificá-los. E foi quando mais nos aproximamos deles, que a humanidade deu seus maiores e mais consistentes passos, se desenvolveu e prosperou. A questão é que nos distanciamos disso de alguma forma, ficamos ludibriados pelas novidades, ignorando o que nos trouxe até aqui, nos deslumbrando pela ganância, individualismo, poder e acabamos gerando uma desconexão com o outro e com nossa própria essência. Perdemos o real senso de comunidade e experimentamos a perda da nossa humanidade… 

O Novo Mundo está aí, compartilhando seus sinais a quem quiser observar. Está dada a grande oportunidade de resgatarmos as caraterísticas primordiais que nos tornam humanos. Não são devices ou a tecnologia os responsáveis por essa transição, eles podem ser meios e catalizar processos, mas a verdadeira transição só será realizada por aqueles que se atentarem a esses princípios, se dedicarem a entendê-los profundamente e os praticarem em suas vidas, pessoal e profissionalmente. 

Via Exame

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FOME DE QUÊ?

Por Marcelo Cunha Bueno

Somos o que lemos. Cada linha lida, cada página que se vira, cada livro degustado. Somos os filmes a que assistimos. Cada letreiro que sobe, cada cena que marca, cada fala que fica, cada atuação que inspira. Somos as músicas que ouvimos. Cada melodia cantada, cada instrumento que pulsa, cada acorde que nos faz recordar. Somos a memória do que sentimos quando a arte nos invade. Do corpo à alma, somos feitos da estética que nos atravessa ao longo da vida. E quem somos desenha o que fazemos. Nossas ações são diferentes tonalidades do que vivemos na vida. Minha ação profissional é composta pela música que não sai de mim. A ideia que projeta novos trabalhos é feita das imagens que conhecemos durante a vida. Alimentar a alma com arte é tão estruturante quanto alimentar a alma com academicismos (que, aliás, são feitos de arte também). Meu papel como educador é o de dar fome às pessoas que me escutam e fazer com que tenham coragem de entender que suas vidas precisam de escolhas que se conectem ao alimento da alma.  

Marcelo Cunha Bueno é educador há mais de 20 anos, inspirado pelo chão da Escola, especialista em desenvolvimento infantil.