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VEM CONHECER UM DOS MELHORES PRÉDIOS DO MUNDO

Sim, temos aqui no Brasil um dos prédios que está na lista das melhores construções do planeta. E é com mais orgulho ainda que falamos sobre isso, afinal, é uma escola brasileira feita de madeira e localizada numa área remota, projeto do nosso professor Marcelo Rosenbaum.

Canuanã é uma escola rural em regime de internato mantida pela Fundação Bradesco. Um espaço que acolhe crianças e jovens entre 7 e 18 anos e que, durante todo esse tempo, cumpre vários papéis: é casa, família, abrigo, laboratório e sala de aula. Uma escola rural mantida há quase 40 anos, onde 540 crianças e adolescentes, filhos de caboclos e indígenas que moram na zona rural do centro oeste brasileiro, cujo deslocamento impossibilita a rotina escolar, sendo necessário o regime de internato. A instituição é um internato por necessidade: atende a região agrícola remota em torno do município de Formoso do Araguaia, onde os alunos fazem longas viagens a cavalo por estradas não pavimentadas para chegar lá. O isolamento também fez da construção um desafio.

A Vila das Crianças, como ficou conhecida, é feita de madeira e tijolos de barro, não precisa de ar-condicionado, mesmo com o calor de 45 graus, e ganhou, entre outros, o prêmio do Instituto Real dos Arquitetos Britânicos de 2018.

Foi eleita também vencedora do  RIBA International Prize 2018 (como melhor edifício do mundo), do American Architecture Prize 2017 – categoria Habitação Social, Arch Daily – Building of The Year 2018,  4º Prêmio de Arquitetura Instituto Tomie Ohtake AkzoNobel 2017, 5º Prêmio Saint-Gobain de Arquitetura – Habitat Sustentável – categoria Edificação Institucional e Melhor Projeto da Edição,  APCA 2017 – categoria Obra de arquitetura no Brasil,  Prêmio IBRAMEM A MATA 2018 – categoria Profissional.

Sim! Uma longa lista de prêmios e uma demonstração de que, quando queremos, é possível transformar, utilizando técnicas locais e sem agredir o meio ambiente.

Legenda foto: O complexo é um modelo de design ambiental leve, proporcionando uma enorme extensão de sombra . Foto: Leonardo Finotti/Rosenbaum Arquitetura 2017.

A impressão é de que a floresta próxima tomou conta do prédio. São colunas de eucaliptos que se estendem dentro do amplo complexo de dormitórios da escola de Canuanã. Entre os troncos altos, há grupos de pequenas salas de tijolos de barro dispostas em torno de pátios abertos. Paredes perfuradas e respiráveis ​​permitem ventilação cruzada natural.

No site do Projeto, o grupo de trabalho conta que “Fomos convidados pela Fundação Bradesco para repensar e qualificar as moradias dos estudantes na Fazenda Canuanã, em Formoso do Araguaia, Tocantins. O ponto de partida deste projeto foi a mudança do conceito de alojamento para o conceito de morada, através do uso da tecnologia social desenvolvida pelo Instituto A Gente Transforma, o Design Essencial, que entende a arquitetura como uma ferramenta de transformação social, capaz de conectar as crianças e jovens com os saberes dos seus antepassados.”

Segundo a diretora Fundação Bradesco, Denise Aguiar: “Escolhemos os arquitetos justamente porque eles não são do tipo que pensam que sabem tudo”

“Não sabíamos o que precisávamos, mas os designers pareciam realmente ouvir o que os alunos queriam, em vez de impor suas próprias ideias”. (Denise Aguiar)

O projeto começou com uma residência intensiva de 10 dias no local, quando os arquitetos se reuniram com alguns dos adolescentes para os quais estariam projetando, desenvolvendo jogos e oficinas para entender como os estudantes queriam viver juntos.

Só podíamos transportar materiais leves para o local, por isso pré-fabricamos os elementos da estrutura de madeira, mas decidimos que os materiais pesados ​​deveriam vir do próprio local”, diz Gustavo Utrabo, que fundou a Aleph Zero com seu ex-colega de classe Pedro Duschenes em 2012. Em entrevista ao The Guardian, ele conta: “O desafio era convencer os alunos e professores de que os materiais locais de terra, tijolos e madeira poderiam representar progresso – que ser moderno não significava vidro, aço e ar condicionado.

Felizmente, Aleph Zero conseguiu. O complexo resultante é um modelo de design ambiental leve, proporcionando uma enorme extensão de sombra, sob a qual são organizados grupos de pequenos edifícios, com paredes perfuradas e respiráveis, permitindo ventilação cruzada natural. A única reclamação que os alunos fizeram é realmente sentir frio à noite, um problema facilmente resolvido com mais cobertores.

Os dormitórios estão agrupados em estruturas de tijolos de barro sem cozimento que foram fabricados na obra utilizando a terra da própria fazenda, assentados como muxarabi nas áreas de serviço, exatamente como nas casas da região, criando conforto térmico eficiente. A estrutura de Madeira Laminada Colada (MLC) foram produzidas com madeira 100% de florestas de reflorestamento, tecnologia com baixo impacto ambiental.

O paisagismo cria nos pátios o microclima resultante do encontro de 3 biomas – Cerrado, Amazônia e Pantanal e reconecta as crianças com a biodiversidade do local.

O espaço organiza as relações entre o publico e o privado, criando espaços de convívio entre o coletivo, a natureza e o indivíduo, reconecta as crianças e os jovens às suas origens como humanidade, com ligação viva em seu ecossistema de entorno.

“O principal objetivo do design era criar um lugar que pareça um lar longe de casa para as crianças”, diz Utrabo ao The Guardian. As instalações anteriores consistiam em dormitórios superlotados, às vezes dormindo 40 pessoas no mesmo ambiente. A nova casa oferece quartos para seis em beliches de madeira, dispostos em torno de pátios arborizados, conectados por um nível superior de passarelas de madeira e áreas de lazer, criando uma varanda arejada. Existem dois edifícios idênticos, um para meninos e outro para meninas, cada um com 165 metros x 65 metros de cada lado da escola, agora sendo usados ​​de maneiras muito diferentes.

Destaque: “O melhor prédio novo do mundo. Precisa nos acordar do nosso estupor cotidiano para algo desafiador que nos ensina por que a arquitetura ainda é relevante.” (Elizabeth Diller – presidente do júri do Prêmio Internacional RIBA 2018)

Os edifícios ganharam vida própria. Foto: Leonardo Finotti / Rosenbaum Arquitetura | 2017

Utrabo e o grupo de trabalho da Rosembaum revisitou o projeto algumas vezes depois para acompanhar o uso do espaço e descobriu que os edifícios ganharam vida própria. As meninas começaram a organizar aulas de pilates e quem precisa estudar para os exames agora pode ter aulas extras nos arredores menos formais da vila, em vez de precisar voltar para a escola depois do horário.

O projeto foi o segundo vencedor do prêmio internacional bienal da RIBAO. Children Village venceu a concorrência do edifício O’Donnell & Tuomey da Universidade da Europa Central em Budapeste, da Escola de Música Toho Gakuen em Tóquio por Nikken Sekkei e das torres de apartamentos arborizados de o Bosco Verticale em Milão, de Stefano Boeri.

FICHA TÉCNICA

Tecnologia Social – Design Essencial
 A Gente Transforma

Arquitetura
 Rosenbaum + Aleph Zero

Projeto, fabricação e construção da estrutura de madeira 
Ita Construtora

Projeto de paisagismo
 Raul Pereira Arquitetos Associados

Projeto de luminotécnica
 Lux Projetos Luminotécnicos

Projeto de fundações
 Meirelles Carvalho

Consultoria em conforto térmico 
Ambiental Consultoria

Instalações 
Lutie

Lajes em concreto
 Trima

Construtora 
Inova TS

Gerenciadora
 Metroll

Design mobiliário
 Rosenbaum e o Fetiche

Material de registro e comunicação do projeto 
Fabiana Zanin

Fotos e filmes 
Leonardo FInotti
 Diego Cagnato
 Galeria Experiência

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A NOVA MODA É SUSTENTÁVEL

Inscreva-se no Fórum Fashion Revolution 2019, que acontecerá em São Paulo, na Unibes Cultural, nos dias 10 e 11 de outubro: bit.ly/forumouvinte

A MODA

Ao longo de muitos anos a indústria da moda se manteve isolada da sociedade em geral como parte de sua própria proposta de se colocar enquanto algo para poucos. Por muito tempo, se criticou esse isolamento a partir de diversos ângulos, desde elitismo até questões trabalhistas. Felizmente, os novos ventos do comportamento social nos trouxeram uma era de valorização da transparência enquanto paradigma e hoje a situação é diferente.

Mais do que nunca, hoje temos muitos agentes e órgãos interessados em fazer dessa indústria (de extrema importância para a economia mundial) um bom setor para se trabalhar, independentemente da posição na cadeia de produção, e fazer da moda um dos pivôs da mudança de valores do sistema capitalista, reconhecendo na sustentabilidade o único caminho para uma sociedade mais justa.

A MODA E O FASHION REVOLUTION

A moda é uma força a ser considerada. Ela inspira, provoca, conduz e cativa. O Fashion Revolution acredita no poder de transformação positiva da moda, e tem como principais objetivos  conscientizar sobre os impactos socioambientais do setor, celebrar as pessoas por trás das roupas, incentivar a transparência e fomentar a sustentabilidade.

O movimento foi criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria de confecção e deixou mais de 2.500 feridos. A tragédia aconteceu no dia 24 de abril de 2013, e as vítimas  trabalhavam para marcas globais, em condições análogas à escravidão.

#QUEMFEZMINHASROUPAS

A campanha #QuemFezMinhasRoupas surgiu para aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto no mundo, em todas as fases do processo de produção e consumo. Realizado inicialmente no dia 24 de abril, o Fashion Revolution Day ganhou força e hoje tornou-se a Fashion Revolution Week, que conta com atividades promovidas por núcleos voluntários, em mais de 100 países.

Queremos tornar a moda uma força para o bem!

SEMANA FASHION REVOLUTION BRASIL

No Brasil, o movimento atua há 5 anos. Durante a Semana Fashion Revolution, e ao longo do ano em eventos pontuais, realizamos ações, rodas de conversa, exibições de filmes e workshops, que promovem mudanças de mentalidade e comportamento em consumidores, empresas e profissionais da moda.

Ficamos muito felizes com o crescimento do movimento, que hoje está estabelecido como Instituto Fashion Revolution Brasil e trabalha em parceria com diversos atores.

A Semana Fashion Revolution 2019 envolveu aproximadamente 25 mil pessoas em 50 cidades do Brasil e contou com mais de 230 voluntários, 48 representantes locais, 55 embaixadores em 114 escolas e universidades, comprometidos com a organização de 815 eventos. Para se ter uma ideia, em 2018 foram realizados 733 eventos, e em 2017, 225. Além disso, aproximadamente 500 marcas de vestuário se engajaram na campanha.

Queremos mostrar ao mundo que a mudança é possível, através do engajamento de todos! A conscientização é o primeiro passo para que poderosas transformações sejam concretizadas. Vamos criar conexões e exigir práticas mais sustentáveis e transparentes na indústria da moda?

No curso Design Sustentável da Escola São Paulo, Eloisa Artuso mostra as suas conexões estabelecidas com marcas e iniciativas para tornar seus processos produtivos mais sustentáveis. Ela ensina como podemos atuar para projetarmos uma sociedade econômica, social e ambientalmente viável. Com uma visão de mundo integrada e uma riqueza de cases de redução de impactos sobre o planeta como um todo, o conteúdo do curso se alinha aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Participe de nossa campanha nas redes sociais, em qualquer momento do ano:

1 – Faça uma selfie com a etiqueta da marca que está vestindo

2 – Pergunte na legenda: @nomedamarca  #QuemfezMinhasRoupas? #FashionRevolution

3 – Poste e faça parte dessa revolução!

“O Fashion Revolution promete ser uma das poucas campanhas verdadeiramente globais a surgir neste século”, diz Lola Young, criadora do Grupo Parlamentar de Todos os Partidos sobre Ética e Sustentabilidade na Moda no Reino Unido.

A co-fundadora do movimento, Orsola de Castro, completa: “Nós queremos que você pergunte: ‘Quem fez minhas roupas?’. Essa ação irá incentivar as pessoas a imaginarem o “fio condutor” do vestuário, passando pelo costureiro até chegar no agricultor que cultivou o algodão que dá origem aos tecidos. Esperamos iniciar um processo de descoberta, aumentando a conscientização de que a compra é apenas o último passo de uma longa jornada que envolve centenas de pessoas, e realçando a força de trabalho invisível por trás das roupas que vestimos”.

CONTATOS

  • Para dúvidas, saber como participar e ver o que esta acontecendo em sua cidade, escreva para a Dandara Valadares no email:

fashionrevolution.br@gmail.com

  • Para apresentar projetos, propostas ou convites, escreva para a nossa diretora executiva Fernanda Simon no email:

brasil@fashionrevolution.org 

  • Marcas, industrias e empresas podem escrever para a Bárbara Poerner, nossa articuladora no email:

frd.comunicacao@gmail.com

  • Faculdades e projetos educacionais podem escrever para a nossa diretora educacional,  Eloisa Artuso:

frd.educacional@gmail.com

  • Mídia e veículos de divulgação, escreva para a nossa assessora de comunicação, Giovanna Campos:

frd.assessoria2@gmail.com

CRÉDITOS TEXTO:
https://www.fashionrevolution.org/south-america/brazil/

#escolasãopaulo #descubra #reinvente #viva

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VIRADA SUSTENTÁVEL – DIA 1

A Virada Sustentável é um movimento de mobilização para a sustentabilidade que organiza o maior festival sobre o tema no Brasil. Começou em 2011, em São Paulo, e já realizou edições nas cidades do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Manaus, entre outras.
A concepção temática da Virada Sustentável é, atualmente, baseada e totalmente concebida a partir nos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos pela ONU, que são também os princípios que orientam a programação do festival em todas as cidades.
Participamos de parte da programação que aconteceu na Unibes, em São Paulo, nos dias 22 e 23 de agosto.

4ª Revolução Industrial e Gestão de Resíduos

Antonis Mavropoulos, em sua palestra “4ª Revolução Industrial e Gestão de Resíduos”, problematizou a relação que existe entre reciclagem e economia circular. Acredita que não devemos considerar a reciclagem como o caminho para a economia circular, pois perdemos tempo e dinheiro com ela, quando teríamos de avançar nas outras partes da cadeia (utilizar matérias-primas renováveis ​​ou biodegradáveis, projetar com responsabilidade para estender o ciclo de vida atual de um produto – reparando, atualizando e revendendo -, produzir com consciência, criar mais plataformas de compartilhamento e pensar em novos modelos de negócios como um todo).

Ele propõe novos modelos de negócios em que a mentalidade dos governos e marcas precisa ser diferente, uma vez que estes entendem tudo sobre o mercado financeiro, mas não sobre seus impactos sociais e ambientais. Ainda medimos progresso de forma errada, pelo PIB, o que, de novo, deixa como foco a questão financeira, e não a ambiental e a social. O reuso, por exemplo, não é medido no PIB, bem como o prolongamento da vida útil de um produto.

Segundo o fundador e CEO da D-Waste e Presidente da ISWA, o futuro do nosso planeta está na conexão entre Economia Circular e Indústria 4.0. Isso determinará se estamos indo em direção a um planeta com ou sem desperdício. A Economia Circular ou será digitalizada ou não prevalecerá.

A 4ª revolução industrial apenas acelerará o esgotamento de recursos e criará problemas mais complexos e danos mais irreversíveis se não caminhar de mãos dadas com a economia circular. Porém, tanto a indústria 4.0, como a economia circular, demandam mudanças radicais nos modelos, culturas e políticas de negócios a fim de entregar todos os resultados prometidos. Sem essas mudanças, tanto a indústria 4.0, como a economia circular, acelerarão o esgotamento de recursos e aprofundarão a desigualdade.Vivemos em uma nova sociedade, que leva ao surgimento de uma nova economia.

Economia circular do plástico

O jornalista e editor Caco De Paula, moderador do painel “Economia Circular do Plástico”, inicia sua fala comentando como o plástico, que mudou completamente a vida das pessoas em vários aspectos por muitos anos, passa hoje pelo problema no fechamento do ciclo, pois temos que pensar em uma nova forma de lidar com essa matéria-prima. E, ao se tornar um bem de consumo, temos uma série de “contratos sociais” que ainda não estão bem estabelecidos, envolvendo fabricantes, consumidores e governos. Algo que está em construção no mundo inteiro, não só no Brasil. Estamos praticando um exercício de virada, em que personagens da cadeia estão vivendo experiências, criando soluções e financiando pesquisas em busca de alternativas mais sustentáveis.

Nesse painel, presenciamos uma discussão aberta e informativa sobre os desafios e tendências da economia circular do plástico, com participação de representantes de grandes empresas da cadeia produtiva em nível global: Fabiana Quiroga, diretora de reciclagem da Braskem, Mariana Bazzoni de Werna Mendes, gerente de sustentabilidade da AMBEV, e César Sanches, diretor de sustentabilidade do Valgroup. Os representantes das três empresas têm como desafio suas áreas sustentáveis, investindo sempre em inovação como forma de garantir maiores facilidades para a reciclagem desse material. Consideram ser necessário criar um outro modelo de negócio, pois, no caso de outras matérias-primas, como o alumínio, o próprio produto reciclado financia o processo, o que está longe de acontecer com o plástico.

Fabiana Quiroga acredita que a questão do plástico deva passar por uma mudança comportamental de todos os setores da cadeia, desde a fabricação da matéria-prima, a transformação, a empresa de produção de bens de consumo e, no final, o consumidor em si. Todos os setores devem oferecer soluções sustentáveis para a sociedade e pensarem juntos em uma mudança comportamental.

Fabiana contou também como a Braskem se empenha todos os dias para melhorar a vida das pessoas por meio de soluções sustentáveis da química e do plástico, engajados na cadeia de valor para o fortalecimento da economia circular. Entre algumas ações, entregam conhecimento aos clientes no melhor aproveitamento da matéria-prima e em uma produção que facilite a reciclagem (quanto mais tipos de plásticos colocarem em uma embalagem, por exemplo, mais complexa sua reciclagem). Quando fala de mudança, chamou a atenção para a importância do design, em como pensar a melhor forma do design desse produto para que possa ser usado o máximo possível e, ao final, não tornar-se um resíduo, mas uma nova matéria-prima.

A designer, pesquisadora e doutora em Comunicação e Semiótica, Mônica Moura, autora do livro Faces do Design, define design como “ter e desenvolver um plano, um projeto, significa designar. É trabalhar com a intenção, com o cenário futuro, executando a concepção e o planejamento daquilo que virá a existir”.

Em nosso curso Design Sustentável, com Eloisa Artuso, além de trazer ferramentas sustentáveis aos designers, trazemos conhecimento e responsabilidade à todos os profissionais que estão pensando em suas marcas e negócios, sendo eles designers de produtos ou não.

Mariana Bazzoni de Werna Mendes conta como a AMBEV se posiciona frente às demandas da sociedade em prol da sustentabilidade, caminhando além das expectativas do consumidor sobre a reciclagem em si, repensando seu posicionamento acima das provocações que vem recebendo do consumidor. A AMBEV tem uma missão de conseguir transportar as expectativas do consumidor para o restante da cadeia, sendo inventiva, criativa e com muito diálogo entre todos os setores. Para ela, a visão de circularidade é ter diversos atores trabalhando em outros aspectos além do uso e descarte, como gerar valor em cima daquilo que normalmente não parece ter mais. Lixo é dinheiro, e temos que gerar valor e oportunidades para ele com inovação e novas ações.

César Sanches percebe que a economia circular gerará uma série de oportunidades para empreendedores, professores, pesquisadores. Novas tecnologias, automação, robótica, inteligência artificial, tudo isso vai se desenvolver, e cabe a nós usar os materiais e essas tecnologias de forma a criar uma sociedade melhor. Numa visão otimista, acredita que o ser humano, se observarmos ao longo de toda a sua história, já entendeu que a economia linear chegou ao seu limite e que podemos aproveitar todo esse conhecimento acumulado por séculos e transformá-lo em economia circular, sustentável. Não é uma obra concluída, mas está sendo feita.

Economia circular do alumínio

No painel “Reciclagem | Os desafios da profissionalização, geração de renda e consumo consciente”, Eunice Lima, diretora de comunicação e relações governamentais da Novelis, Estevão Braga, gerente de sustentabilidade da Ball, Cristiano Cardoso, da Cooperativa Recifavela, e Nina Marcucci, coordenadora de conteúdo do Menos 1 Lixo, discutiram como as empresas e as cooperativas têm buscado soluções  para aumentar a rentabilidade, melhorar a gestão e, consequentemente, a qualidade de vida das pessoas envolvidas no ciclo produtivo do alumínio.
Eunice Lima contou que o Brasil é o maior reciclador de alumínio do mundo, por ser um negócio altamente rentável. Temos um índice de 97,3% de reciclagem de latas de alumínio com 600 mil pessoas envolvidas no processo. A Sua reciclagem consome 95% menos energia elétrica, quando comparado à produção do alumínio a partir do minério, reduz em 95% a emissão de gazes de efeito estufa, além de ser um material infinitamente reciclável. Seu sucesso se dá pela estruturação da reciclagem do alumínio como negócio; investimento industrial em capacidade de reciclagem; as indústrias absorvem todo o material coletado (existe comprador garantido); valor agregado da sucata, que remunera atividades de coleta e transporte; logística reversa organizada; e valor compartilhado em todos os elos da cadeia. Não enfrenta os desafios de outros materiais como vidro, plástico etc.
Um processo que hoje é uma oportunidade de renda e já se tornou um novo modelo de negócio. Ponto para o alumínio.

Jogando luz no lixo invisível

Em uma cidade como São Paulo, o sistema de recolhimento, tratamento e destinação dos resíduos custa bilhões de reais todos os anos e envolve milhares de pessoas, incluindo toda a economia informal gerada pelos catadores e suas famílias, peças fundamentais no processo da reciclagem. Mas tudo isso não é suficiente se cada um de nós, cidadãos, não tomarmos consciência sobre nossas opções de consumo de produtos e a destinação dos resíduos que inevitavelmente são gerados. Para refletir sobre como essas questões estão todas interligadas, o painel “Jogando Luz no Lixo Invisível” reuniu uma roda de conversa com diferentes olhares sobre experiências de manejo sustentável de resíduos com Patrícia Lorena, CEI e Founder da Inurbe, Larissa Kroeff, cofundadora da Meu Copo Eco, e João Bourroul, do Pimp My Carroça. 
Patrícia Lorena nos apresentou dados como o de São Paulo ser responsável por 12% do PIB brasileiro e produzir, aproximadamente, 8% dos resíduos do país – 19 mil toneladas por dia, quantidade que encheria 140 aviões cargueiros 747-8F, os quais, se enfileirados, ligariam a Avenida Paulista ao aeroporto de Congonhas! Acumulando essa quantidade por três dias, encheríamos o Estádio do Pacaembu.

Lamenta a relação que os paulistanos têm com os resíduos – tratam de manter suas casas limpas, mas entendem a rua como responsabilidade alheia, sem perceber suas responsabilidades individuais em manter a cidade limpa e conservada.
Larissa Kroeff trouxe uma reflexão sobre o lixo produzido nos eventos, e percebeu uma oportunidade de negócio criando o projeto “Meu Copo Eco”. No Brasil, o custo do lixo se divide com o de saúde e o de educação nas gestões municipais – 97% do lixo geram custo por meio da coleta e manutenção dos aterros sanitários, enquanto que apenas 3% geram receita às cooperativas de reciclagem. “E se fosse o contrário?”, questiona ela.
João Bourroul, além de nos contar do trabalho dele com os catadores nos projetos Pimp My Carroça e Cataki, empoderando e trazendo autoestima a esses atores praticamente invisíveis da cadeia, nos presenteou com o testemunho de um catador, que veio para relatar os problemas que enfrentam no dia a dia, como a logística e a falta de respeito.

Clique aqui para para ler sobre o que vimos e sobre nossas impressões do dia 22, o dia seguinte!

#VireSuaCidade #escolasaopaulo #descubra #reinvente #viva

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VIRADA SUSTENTÁVEL – DIA 2

Temos que ser resilientes, para poder nos transformar e pensar de forma mais holística e sistêmica. As cidades precisam estar preparadas, os seres humanos precisam se preparar para o que estamos causando ou para o que pode vir como consequência do que estamos causando.

Clique aqui para para ler sobre o que vimos e sobre nossas impressões do dia 22, o dia anterior!

Mobilidade mais Humana

O objetivo do painel “Mobilidade mais Humana” foi despertar mais humanidade na mobilidade em nossas cidades, especificamente em São Paulo. Ouvimos muito sobre os problemas da mobilidade urbana relacionados aos modais de transporte, estruturas viárias e fluxo de veículos, tempo de locomoção, mas pouco discutimos sobre um elemento que está no centro dessa questão: o ser humano, com suas necessidades de deslocamento com mais qualidade de vida. Neste painel, Carolina Padilha, sócia do Carona a Pé, Cid Torquato, Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo e Mauro Calliari, da ONG Cidadeapé discutiram o conceito humano da mobilidade.

A apresentação começou com um vídeo, onde Diogo Faro foi à procura dos bons exemplos de mobilidade em Lisboa – e não encontrou!! Mas foi um excelente exemplo do que enfrentamos também por aqui.

Carolina, ao apresentar o projeto “Carona a Pé”, um projeto que vem sendo implantado em escolas, conta que o projeto começou de uma inquietação ao perceber como cada aluno ia para sua escola, para cumprir a mesma carga horária, cada um dentro de sua própria bolha, seus carros. Como professora, sabe a importância de se andar a pé, e o quanto podemos aprender durante deslocamentos a pé e observar a cidade sob um outro ângulo. Quando temos uma cidade com crianças circulando, temos uma cidade em equilíbrio. Uma cidade pronta para abraçar crianças é uma cidade pronta para abraçar qualquer um, atende todos os outros setores. Além de resolver outros problemas como evasão escolar, obesidade, sedentarismo, isolamento social e o congestionamento nas entradas das escolas. Poupar a criança da cidade não é protegê-la, como muitos pensam. O projeto propõe sensibilizar e capacitar a comunidade escolar que mora próxima para percorrerem juntos o trajeto de ida e/ou de volta da escola em pequenos grupos, em um horário pré-estabelecido, seguindo uma rota determinada, construindo uma nova relação com a cidade onde vivem.

 “Calçada, calçada, calçada!”

Cid Torquato, cadeirante, inicia sua fala nos inquietando: “Não tenho deficiência, a cidade que me faz pensar assim”. Relaciona diversidade e sustentabilidade como conceitos interligados e fundamentais para os desafios humanos e ambientais. Contou como tem trabalhado junto à Prefeitura de São Paulo nesse olhar cuidadoso às calçadas, pois, além de uma questão estrutural, a situação em que elas se encontram hoje representa um problema de saúde pública, já que 100 mil acidentes são reportados anualmente, e custam por volta de 600 milhões de reais aos hospitais públicos.

Pensando nisso, a gestão Bruno Covas concebeu o Programa Municipal de Calçadas, que pretende investir R$ 400 milhões até o final de 2020, requalificando 1,5 milhão de metros quadrados de calçadas públicas e privadas prioritárias em todas as regiões da cidade. Cid, em sua fala, pede que os cidadãos usem o número 156 para relatar problemas, elogios e novas ideias, pois o trabalho deles se baseia muito no resultado dessas ligações. Ele conta parecer uma briga sem fim, mas garante que vive pelos corredores da prefeitura com um mantra, inspirado na pamonha: “Calçada, calçada, calçada!”.

Mauro Calliari aponta todos os lugares onde encontramos humanos nas cidades se locomovendo – nas ruas, nas calçadas, nos carros, nos ônibus, nos metrôs, nos helicópteros… mas “humano” é a maneira em que essas pessoas conseguem se locomover, o quanto elas conseguem se locomover e, principalmente, o que sobra para a cidade quando elas se locomovem, ou seja, nas escolhas do transporte, o que a cidade resulta disso. Nos entrega algumas sugestões e tentativas de traduzir o “humano”, como aproveitar que existe um novo paradigma no mundo, o da apropriação, onde as pessoas mudaram a maneira de ver as cidades, onde a cidade modernista, construída para o deslocamento de carros não é mais aquilo que nos satisfaz e passamos a nos apropriar de espaços públicos, criando novos espaços que eram mal aproveitados. Dentre outras, chamou a atenção para a tecnologia, e como ela deve ser acolhida – não podemos mais ir contra aplicativos de compartilhamento, bicicletas e patinetes, ônibus elétricos, temos que aprender rapidamente e montar políticas públicas em cima disso. Cidade não deveria ser um lugar de passagem, mas de permanência.

Cidades Resilientes

Espaços como o Mirante Nove de Julho, que foi recuperado e hoje tem um papel importante na região da Avenida Paulista, são a prova de que a arquitetura e o urbanismo são fundamentais para tornar as cidades mais seguras e ainda geram novos significados para espaços esquecidos. Para os arquitetos Mila Strauss e Marcos Paulo Caldeira, professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola São Paulo, é preciso otimizar os espaços urbanos através de uma arquitetura mais holística.

No painel “Soluções Sistêmicas para Cidades Resilientes, a jornalista Monica Picavea nos apresentou o movimento das Cidades em Transição, que foi criado pelo inglês Rob Hopkins com o objetivo de transformar as cidades em modelos sustentáveis, menos dependentes do petróleo, mais integradas à natureza e mais resistentes a crises externas, tanto econômicas como ecológicas. Percebeu que com o fim do petróleo barato, as pessoas não conseguiriam mais morar longe dos grandes centros urbanos, dificultaria o deslocamento dos alimentos, e que temos de pensar em uma vida que gaste menos energia. E só quem pode resolver esse problema é quem nos colocou nesse problema – a nossa sociedade! Segundo ela, precisamos parar de pensar em nosso CNPJ e passar a pensar em nosso CPF, pois é um movimento que deve ser feito por todos, unidos, em um momento de descoberta sobre o que viemos fazer no mundo afinal.

Eu reciclo, tu reciclas, ele…

Nós reciclamos, vós…

Eles não reciclam!

Gabriela Reis, gerente de marketing na eureciclo, empresa líder em logística reversa de embalagens pós consumo na América Latina, acredita que consumidor, empresas e governos precisam começar a atuar em conjunto para resolver a questão dos lixos espalhados em lixões, aterros sanitários e mares, problemas que estamos criando juntos há muito tempo. No Brasil, 90% do lixo é coletado, uma taxa que se equipara à países mais desenvolvidos, porém, apenas 3% dos resíduos recicláveis coletados são realmente destinados à reciclagem. Todos o restante é desperdiçado enquanto potencial de retorno ao ciclo produtivo. Diante desse cenário, o selo eureciclo surge para solucionar dois problemas: a destinação final das embalagens pós-consumo e a marginalização dos agentes da cadeia.

Aline Cavalcante, que trabalha em São Paulo com mobilidade urbana e o uso da bicicleta, buscou tratar a palavra resiliência, que acreditamos ser o ponto chave de todo o movimento sustentável que estamos passando. Cidades resilientes são cidades resistentes, capazes de suportar crises, colapsos, problemas naturais ou provocados pelo homem. Como construir cidades resistentes aos problemas que surgirão, já que vivemos em um país 85% urbano? Problemas que nós mesmos provocamos, como poluição das águas, do ar, resíduos, etc, frutos da nossa experiência como seres humanos na cidade. Sofremos efeitos na cidade que não estavam previstos e precisamos estar preparados para que não se tornem transtornos. Um desafio que só depende da gente. Criamos esse problema, temos que resolver. E podemos. Juntos.

#VireSuaCidade #escolasãopaulo #descubra #reinvente #viva

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SOBRE O QUE AS PESSOAS ESTÃO FALANDO?

Por Carolina Bastos, curadora de conteúdo da Escola São Paulo

Sobre o que as pessoas estão falando? Pensando? Se questionando?

Nosso mindset está realmente mudando?

BlastU

Estivemos essa semana dentro da segunda edição do BlastU, acompanhando painéis, workshops e debates sobre empreendedorismo, inovação e tecnologia.

Quando ouvimos pessoas como Sérgio Leitão, do Instituto Escolhas, conversando com Oskar Metsalvat, da Osklen, sobre as mudanças e as quebras de paradigmas que estamos vivendo e outras que ainda precisamos viver, sinto uma verdadeira euforia. Porque não estamos sozinhos!

Quando cheguei na Escola São Paulo, há dois anos, esses mesmos assuntos e pensamentos já estavam no nosso radar. Mas eu realmente não via tantos eventos desse porte e com tanta gente interessante falando sobre possibilidades e ações que já estão acontecendo e que precisam urgentemente acontecer.

Quando marcas começam a se posicionar, como o caso da Osklen, que tem isso em seu DNA desde o começo, vejo uma força enorme de transformação se movimentando, engolindo antigos preconceitos e desbravando espaços fundamentais.

Educação

Aqui no Brasil, a educação tem um lugar vergonhoso na nossa vida. Apenas 10% da população tem acesso a um ensino digno, e, mesmo assim, ainda aquém do que vemos ao redor do mundo.

Quando Priscila Cruz, do Todos Pela Educação, nos conta dados concretos, como por exemplo, o impacto econômico que uma transformação na educação poderia causar, impulsionando em 2 pontos percentuais o crescimento de nosso PIB caso as metas que tanto discutimos fossem atingidas, fica na minha cabeça uma pergunta recorrente: como não estamos investindo melhor nisso? Sem contar as transformações que reverberariam dessa ação, como inclusão, diminuição da violência, entre tantos outros benefícios. E digo mais, porque quando falamos de investimento em educação de base, até o ensino médio, nossos valores, como país, são altos, mas pelos resultados, nossa administração dessas verbas anda bem equivocada. Claro que existem exceções, mas elas deveriam ser a regra. E, infelizmente, não estou aqui comentando nenhuma grande novidade.

Claudio Sassaki, o cofundador e presidente da plataforma de educação online Geekie, participou com Ricardo A. Madeira (Tuneduc), André Barrence (Google for Startups) e Paulo Batista (Alicerce Educação) de uma conversa inspiradora sobre “Educação Transformacional”, onde ele deixou claro que, em sua opinião, o caminho para melhorar a aprendizagem passa necessariamente pelo professor, e que “o uso de inteligência artificial para os alunos aprenderem sem os professores tem um impacto limitado”.

Segundo ele, sua empresa está trabalhando, por exemplo, em tecnologias que ajudem esses profissionais a economizarem tempo e a organizar tarefas em pequenos grupos de estudantes dentro da sala de aula.

Transformação digital

Com a transformação digital, como vamos lidar com tanto déficit? Com tanto desemprego?
Enquanto grande parte dos setores desaparecerão, em alguns setores estratégicos e que irão crescer nos próximos anos, sobram vagas, já que não existem profissionais qualificados para as mesmas.

E então, claro, me vem a pergunta, aquela que não quer calar, e que sei que está também na cabeça de muitas outras pessoas: como me preparar? O que preciso aprender, desenvolver? O que eu quero realmente transformar para termos um mundo possível para nós e para as próximas gerações?

Eventos como a BlastU, onde discute-se inovação e novas formas de fazer as coisas, fica claro que existem soluções, tanto tecnológicas quanto humanas, muito melhores do que as que usualmente são aplicadas a produtos e serviços que consumimos.

Economia criativa

A economia criativa, nossa área de atuação e pesquisa, tem se desenvolvido de maneira exponencial, e mesmo que essa palavra já esteja parecendo um pouco gasta, ela vai seguir aparecendo para nós, porque a velocidade das transformações nunca mais será a mesma. Se isso será bom ou ruim? Me parece que cabe a cada um de nós, nesse caso, fazer do seu limão uma limonada.

A palavra mais ouvida em todos os espaços era propósito. Por que fazemos o que fazemos? De médicos, cientistas, economistas, ativistas, educadores à publicitários e empreendedores… todos ali estavam falando sobre significado e direcionamento de energia para algo em que possamos realmente acreditar. Para mim, o sentimento comum era: “precisamos nos conectar e encontrar novos caminhos”.

Ficou muito claro que os que estavam ali compartilhando suas experiências, incluindo erros e acertos, estavam de peito aberto mostrando: “vejam o que eu sonhei, desenvolvi, participei, etc… e como foi possível chegar até aqui, olha tudo que deu errado, ou que ainda está dando, mas não quero desistir”.

Diversidade

Falou-se também de diversidade e inclusão, em conversas como a de Patrícia Villela, do Humanitas360 e Carolina Mellone Etlin, advogada, em um painel sobre “Empreendedorismo atrás e além das grades”, um tema pouco visto em eventos como esse. Ponto para a organização do evento.

Tracy Francis (a sócia da consultoria McKinsey) conversou com Carolina Videira (Turma do Jiló, associação que promove a educação inclusiva), e lembrou que ainda há desigualdade salarial, que a parcela de mulheres em cargos de liderança nas empresas ainda é muito menor que a dos homens e que é preciso que os homens se conscientizem e ajudem a mudar esse cenário.

Foi também lindo de ver a conversa entre nosso professor Marcelo Rosenbaum e Biraci Brasil, líder Yawanawa, falando com sinceridade e muita propriedade sobre oportunidades de novos negócios na floresta Amazônica, baseadas em saberes ancestrais, juntando inovação ao respeito pela tradição e a cultura de nossos índios.

Enfim, nesses dois dias de evento, não conseguimos ver tudo, claro, mas a amostragem foi positiva. Segundo os organizadores, o objetivo era disponibilizar ferramentas para os empreendedores e conectá-los a empresas e mentores. Conseguiram? Acho que em alguns dos painéis que acompanhei a empatia e a vontade de fazer parte de uma transformação na nossa sociedade era mais profunda do que o conteúdo, mas, mesmo assim, o evento me deixou com a sensação de que as pessoas e empresas estão cada vez mais entendendo o que e para onde precisamos ir. Juntos.

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