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VIRADA SUSTENTÁVEL – DIA 2

Temos que ser resilientes, para poder nos transformar e pensar de forma mais holística e sistêmica. As cidades precisam estar preparadas, os seres humanos precisam se preparar para o que estamos causando ou para o que pode vir como consequência do que estamos causando.

Clique aqui para para ler sobre o que vimos e sobre nossas impressões do dia 22, o dia anterior!

Mobilidade mais Humana

O objetivo do painel “Mobilidade mais Humana” foi despertar mais humanidade na mobilidade em nossas cidades, especificamente em São Paulo. Ouvimos muito sobre os problemas da mobilidade urbana relacionados aos modais de transporte, estruturas viárias e fluxo de veículos, tempo de locomoção, mas pouco discutimos sobre um elemento que está no centro dessa questão: o ser humano, com suas necessidades de deslocamento com mais qualidade de vida. Neste painel, Carolina Padilha, sócia do Carona a Pé, Cid Torquato, Secretário Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo e Mauro Calliari, da ONG Cidadeapé discutiram o conceito humano da mobilidade.

A apresentação começou com um vídeo, onde Diogo Faro foi à procura dos bons exemplos de mobilidade em Lisboa – e não encontrou!! Mas foi um excelente exemplo do que enfrentamos também por aqui.

Carolina, ao apresentar o projeto “Carona a Pé”, um projeto que vem sendo implantado em escolas, conta que o projeto começou de uma inquietação ao perceber como cada aluno ia para sua escola, para cumprir a mesma carga horária, cada um dentro de sua própria bolha, seus carros. Como professora, sabe a importância de se andar a pé, e o quanto podemos aprender durante deslocamentos a pé e observar a cidade sob um outro ângulo. Quando temos uma cidade com crianças circulando, temos uma cidade em equilíbrio. Uma cidade pronta para abraçar crianças é uma cidade pronta para abraçar qualquer um, atende todos os outros setores. Além de resolver outros problemas como evasão escolar, obesidade, sedentarismo, isolamento social e o congestionamento nas entradas das escolas. Poupar a criança da cidade não é protegê-la, como muitos pensam. O projeto propõe sensibilizar e capacitar a comunidade escolar que mora próxima para percorrerem juntos o trajeto de ida e/ou de volta da escola em pequenos grupos, em um horário pré-estabelecido, seguindo uma rota determinada, construindo uma nova relação com a cidade onde vivem.

 “Calçada, calçada, calçada!”

Cid Torquato, cadeirante, inicia sua fala nos inquietando: “Não tenho deficiência, a cidade que me faz pensar assim”. Relaciona diversidade e sustentabilidade como conceitos interligados e fundamentais para os desafios humanos e ambientais. Contou como tem trabalhado junto à Prefeitura de São Paulo nesse olhar cuidadoso às calçadas, pois, além de uma questão estrutural, a situação em que elas se encontram hoje representa um problema de saúde pública, já que 100 mil acidentes são reportados anualmente, e custam por volta de 600 milhões de reais aos hospitais públicos.

Pensando nisso, a gestão Bruno Covas concebeu o Programa Municipal de Calçadas, que pretende investir R$ 400 milhões até o final de 2020, requalificando 1,5 milhão de metros quadrados de calçadas públicas e privadas prioritárias em todas as regiões da cidade. Cid, em sua fala, pede que os cidadãos usem o número 156 para relatar problemas, elogios e novas ideias, pois o trabalho deles se baseia muito no resultado dessas ligações. Ele conta parecer uma briga sem fim, mas garante que vive pelos corredores da prefeitura com um mantra, inspirado na pamonha: “Calçada, calçada, calçada!”.

Mauro Calliari aponta todos os lugares onde encontramos humanos nas cidades se locomovendo – nas ruas, nas calçadas, nos carros, nos ônibus, nos metrôs, nos helicópteros… mas “humano” é a maneira em que essas pessoas conseguem se locomover, o quanto elas conseguem se locomover e, principalmente, o que sobra para a cidade quando elas se locomovem, ou seja, nas escolhas do transporte, o que a cidade resulta disso. Nos entrega algumas sugestões e tentativas de traduzir o “humano”, como aproveitar que existe um novo paradigma no mundo, o da apropriação, onde as pessoas mudaram a maneira de ver as cidades, onde a cidade modernista, construída para o deslocamento de carros não é mais aquilo que nos satisfaz e passamos a nos apropriar de espaços públicos, criando novos espaços que eram mal aproveitados. Dentre outras, chamou a atenção para a tecnologia, e como ela deve ser acolhida – não podemos mais ir contra aplicativos de compartilhamento, bicicletas e patinetes, ônibus elétricos, temos que aprender rapidamente e montar políticas públicas em cima disso. Cidade não deveria ser um lugar de passagem, mas de permanência.

Cidades Resilientes

Espaços como o Mirante Nove de Julho, que foi recuperado e hoje tem um papel importante na região da Avenida Paulista, são a prova de que a arquitetura e o urbanismo são fundamentais para tornar as cidades mais seguras e ainda geram novos significados para espaços esquecidos. Para os arquitetos Mila Strauss e Marcos Paulo Caldeira, professores do curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola São Paulo, é preciso otimizar os espaços urbanos através de uma arquitetura mais holística.

No painel “Soluções Sistêmicas para Cidades Resilientes, a jornalista Monica Picavea nos apresentou o movimento das Cidades em Transição, que foi criado pelo inglês Rob Hopkins com o objetivo de transformar as cidades em modelos sustentáveis, menos dependentes do petróleo, mais integradas à natureza e mais resistentes a crises externas, tanto econômicas como ecológicas. Percebeu que com o fim do petróleo barato, as pessoas não conseguiriam mais morar longe dos grandes centros urbanos, dificultaria o deslocamento dos alimentos, e que temos de pensar em uma vida que gaste menos energia. E só quem pode resolver esse problema é quem nos colocou nesse problema – a nossa sociedade! Segundo ela, precisamos parar de pensar em nosso CNPJ e passar a pensar em nosso CPF, pois é um movimento que deve ser feito por todos, unidos, em um momento de descoberta sobre o que viemos fazer no mundo afinal.

Eu reciclo, tu reciclas, ele…

Nós reciclamos, vós…

Eles não reciclam!

Gabriela Reis, gerente de marketing na eureciclo, empresa líder em logística reversa de embalagens pós consumo na América Latina, acredita que consumidor, empresas e governos precisam começar a atuar em conjunto para resolver a questão dos lixos espalhados em lixões, aterros sanitários e mares, problemas que estamos criando juntos há muito tempo. No Brasil, 90% do lixo é coletado, uma taxa que se equipara à países mais desenvolvidos, porém, apenas 3% dos resíduos recicláveis coletados são realmente destinados à reciclagem. Todos o restante é desperdiçado enquanto potencial de retorno ao ciclo produtivo. Diante desse cenário, o selo eureciclo surge para solucionar dois problemas: a destinação final das embalagens pós-consumo e a marginalização dos agentes da cadeia.

Aline Cavalcante, que trabalha em São Paulo com mobilidade urbana e o uso da bicicleta, buscou tratar a palavra resiliência, que acreditamos ser o ponto chave de todo o movimento sustentável que estamos passando. Cidades resilientes são cidades resistentes, capazes de suportar crises, colapsos, problemas naturais ou provocados pelo homem. Como construir cidades resistentes aos problemas que surgirão, já que vivemos em um país 85% urbano? Problemas que nós mesmos provocamos, como poluição das águas, do ar, resíduos, etc, frutos da nossa experiência como seres humanos na cidade. Sofremos efeitos na cidade que não estavam previstos e precisamos estar preparados para que não se tornem transtornos. Um desafio que só depende da gente. Criamos esse problema, temos que resolver. E podemos. Juntos.

#VireSuaCidade #escolasãopaulo #descubra #reinvente #viva

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COMO A TECNOLOGIA PODE TORNAR AS CIDADES MAIS EFICIENTES?

A relação da humanidade com a tecnologia sempre foi conflituosa. Ao mesmo tempo em que a encarávamos como uma aliada para tornar o nosso dia a dia mais ágil e prático, também a enxergávamos como uma potencial ameaça (seremos substituídos por robôs?). Nos últimos anos, contudo, ela tem sido encarada como uma maneira de tornar as cidades cada vez mais eficientes. Um relatório recente elaborado pelo McKinsey Global Institute (MGI) concluiu que as tecnologias inteligentes podem ajudar as cidades a melhorar entre 10% e 30% alguns índices importantes de qualidade de vida, como redução de emissões de carbono, agilidade no deslocamento e redução de incidentes criminais.

Vidas podem ser salvas

Otimizando as centrais de atendimento e auxiliando no deslocamento no trânsito, por exemplo, a tecnologia pode reduzir entre 20 e 35% o tempo de resposta das chamadas emergenciais em casos de acidentes de carro ou incêndios, o que significa mais chances de salvar vidas. Um exemplo prático: graças a 8.200 megafones instalados na Cidade do México, seus 20 milhões de habitantes conseguiram ser alertados a tempo sobre o terremoto que atingiu o município em setembro de 2017, o maior registrado em um século. Instalado na costa do Pacífico há 20 anos, o sistema lança uma onda que aciona alarmes em escolas, escritórios e outros prédios da capital mexicana, dando aos habitantes o tempo de um minuto para saírem dos prédios antes do início dos tremores. O aplicativo SkyAlert também foi lançado com este objetivo, mas não funcionou durante o abalo sísmico – ainda que seja uma importante aliada, a tecnologia também falha.

Mapeamento para aumentar a segurança

Embora não possa, isoladamente, solucionar a criminalidade de uma cidade, a tecnologia pode ajudar a reduzir entre 30% e 40% os incidentes de assalto, roubo de carros e furtos, segundo o levantamento do MGI. Tudo graças ao mapeamento em tempo real das situações e, claro, ao policiamento preventivo. Contudo, este monitoramento deve ser feito com bastante cautela de modo a não interferir no direito de ir e vir dos cidadãos e a não contribuir na criminalização e no isolamento de alguns bairros e comunidades – muito antes de ser uma questão tecnológica, a criminalidade, de uma maneira geral, é fruto de desigualdades sociais.

Ainda segundo o estudo, até o ano de 2025, as cidades que fizerem o uso de aplicativos de mobilidade inteligente têm o potencial de reduzir os tempos de deslocamento entre 15 e 20% em média. Isso significa uma economia de 15 minutos por dia em uma cidade de trânsito intenso, por exemplo. Além disso, a tecnologia pode ajudar as equipes técnicas responsáveis a resolverem problemas de atraso e falhas com mais agilidade e orientar os motoristas a optarem por rotas mais rápidas.

No âmbito da saúde, a tecnologia pode reduzir em mais de 5% o índice de doenças em crianças, levando em consideração uma cidade em desenvolvimento, por exemplo, baixando as taxas de mortalidade infantil. Em cidades mais desenvolvidas, já existem sistemas que, por meio de dispositivos digitais, realizam exames que são posteriormente encaminhados para avaliação médica – tudo à distância. As avaliações ajudam o paciente e o médico a saberem quando uma intervenção é necessária, evitando complicações e internações.

Um exemplo prático de como a tecnologia pode contribuir com a saúde das populações é o data_labe. Criada no Rio de Janeiro, a iniciativa ajuda moradores da periferia da cidade a sugerirem políticas públicas que melhorem a realidade de suas comunidades. As propostas são feitas a partir da análise e do cruzamento de dados públicos. Por meio da iniciativa, por exemplo, a doula Vitória Lourenço identificou que as grávidas que mais morriam na cidade eram moradoras da periferia, jovens, negras e com baixo nível de escolaridade. Sua pesquisa serviu de base para o projeto de ampliação das Casas de Parto, lei apresentada pela vereadora Marielle Franco – assassinada em março de 2018.

Internet das coisas

Integrante da incubadora da Coppe, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a startup criada pelo engenheiro Sergio Rodrigues combina tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial para ajudar a solucionar problemas das cidades. Em parceria com o Ministério do Planejamento, a empresa desenvolveu o projeto Sigelu Aedes com o objetivo de contribuir nas ações de enfrentamento do mosquito Aedes aegypti. “No primeiro ano do projeto, aumentamos de duas mil para 200 mil vistorias. Deste total, seis mil tiveram focos comprovados”, afirma Rodrigues em entrevista à revista Pequenas Empresas e Grandes Negócios.

A tecnologia também tem sido utilizada para combater o déficit habitacional das grandes cidades no mundo. Atualmente, os edifícios são pensados e construídos como no século passado, mas iniciativas como construções modulares e bairros integrados tecnologicamente estão se tornando cada vez mais comuns, conforme aponta artigo da consultoria CB Insights. Neste novo cenário em desenvolvimento, até empresas de tecnologia como Google e Facebook têm se mostrado presentes, conforme reportagem da revista Época Negócios. A primeira investiu entre US$ 25 milhões e US$ 30 milhões em 300 unidades habitacionais modulares no bairro de Moffett Field, na Califórnia, e iniciou em 2017 a construção de um empreendimento com cerca de 10 mil unidades. Já a segunda vai construir em seu campus 1.500 apartamentos planejados (além de estabelecimentos e parques) voltados para seus funcionários e também para o público.

Para além da dualidade vilã x heroína, devemos encarar a tecnologia como nossa aliada na construção de cidades mais eficientes para todos os seus moradores, facilitando o seu dia a dia e, principalmente, fortalecendo os laços em comunidade. Afinal, não podemos esquecer que não é a inteligência artificial que faz uma cidade, mas sim os seus habitantes.

Arquitetura como agente de transformação

O Projeto de revitalização do Mirante Nove de Julho é um ótimo exemplo de como a tecnologia pode tornar a cidade mais inteligente, com soluções simples e relativamente baratas. Após a reforma, o espaço é ocupado por um café, feiras e eventos, e como nos conta Mila Strauss, arquiteta e nossa professora do curso online de Arquitetura e Urbanismo, responsável junto com Marcos Paulo Caldeira, pela reforma e recuperação da primeira fase do Mirante:

“O Mirante Nove de Julho é um exemplo onde a internet funciona como um ator muito importante. No pavilhão que foi reformado, encontra-se internet disponível. Tem muita gente que passa o dia trabalhando lá, ou desce para consultar alguma coisa. E é assim que as empresas que estão lá conseguiram engajar muitas atividades: através da internet. Esses usos novos, que são as bases das cidades inteligentes (tecnologia e a sustentabilidade), vão ativar muito espaços que estavam ociosos, de uma forma democrática e dinâmica. E ficamos muito felizes (e animados!) em poder fazer parte disso”.

#escolasaopaulo #descubra #reinvente #viva

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PRODUTOS E SERVIÇOS VOLTADOS PARA O FUTURO

Por Sabina Deweik, professora da Escola São Paulo dos cursos de

Cool Hunting” e “Os Novos Paradigmas do Futuro e as Tendências Emergentes

O que uma marca precisa para ser relevante? Como radiografar a realidade e direcionar a bússola que nos dá a rota para saber, por exemplo, como empreender, como falar com o consumidor em um mundo repleto de novos comportamentos e mudanças? Vivemos o tempo todo uma espécie de FOMO (sigla em inglês que quer dizer Fear of Missing Out), a crescente síndrome da contemporaneidade na qual estamos o tempo todo com a sensação de que não sabemos o que escolher porque parece que sempre estamos perdendo uma enormidade de oportunidades.

Como caçadora de tendências, estudando, observando e captando movimentos e comportamentos há mais de 18 anos, aprendi a olhar não apenas para os movimentos passageiros, mas também para aqueles que têm uma maior duração. Como Cool Hunter, acompanho os chamados “Trend Reports” (relatórios de tendências) e percebo que, na realidade, o que é apresentado como um novo movimento, muitas vezes é apenas a evolução de um comportamento manifestado de outra forma. As tendências podem causar o tal do FOMO. São tantos os novos comportamentos que uma empresa, uma marca, pode ficar perdida e não saber o que escolher para aplicar em seu negócio. Por isso, ao invés de falar apenas de tendências, olhamos para os chamados Paradigmas do Futuro, que já são a certeza de que um movimento pode durar 20 anos. É aí que sentimos o JOMO (Joy of Missing Out), que prega justamente a alegria de não escolher todas as opções.

Os Paradigmas são novas forças que direcionarão o mercado e a sociedade: são novos parâmetros culturais, comerciais, empreendedoriais que estão trazendo uma verdadeira mudança radical na construção do futuro. Eles representam as novas direções. São linhas guia para o desenvolvimento de todas estratégias e projetos de empresas, instituições e consumidores. Um paradigma é uma mudança no imaginário coletivo mundial, uma nova consciência global da qual marcas, instituições, organizações ou indivíduos não podem escapar. Diferente de uma macro tendência, os paradigmas têm um núcleo de estabilidade maior, portanto, têm uma duração no tempo também maior. Os paradigmas perduram por até 20 anos ao passo que as macro tendências tem uma vigência de 6/7 anos.

Os paradigmas apresentados abaixo representam as chaves de leitura para compreender as tendências e suas evoluções no tempo. É como uma moldura, um frame que enquadra múltiplos comportamentos que conversam com o mesmo impulso. Eles são fruto de mais de 20 anos de observação e monitoramento de comportamentos em diferentes setores (são baseados em minha experiência com o renomado instituto de pesquisa de tendências e consultoria estratégica Future Concept Lab, com sede em Milão).

O conhecimento dos paradigmas nos dá a possibilidade de entendimento de inúmeros comportamentos. Sendo assim, para um único paradigma, podem existir inúmeras tendências coexistindo. Como afirma Francesco Morace no livro “O que é o Futuro?”, os paradigmas não são apenas dimensões descritivas e analíticas, mas sim dimensões conceituais e geradoras por meio das quais é possível imaginar projetos e produtos voltados para o futuro.

Então vamos comigo conhecer essas 4 forças que trazem clareza e foco: Crucial & Sustainable, Trust & Sharing, Quick & Deep, Unique & Universal.

Crucial & Sustainable

Esse paradigma diz respeito ao tema da sustentabilidade que está moldando o futuro do nosso planeta e de todos os consumidores do mundo.

O paradigma Crucial & Sustentável é expresso por meio da:

  • vontade e da necessidade de uma nova ética em torno da sustentabilidade
  • capacidade de devolver e oferecer recursos “fundamentais” por meio de valores que tem relevância;
  • necessidade de nutrir comportamentos e modos de pensar que possam minimizar o impacto negativo no ecossistema;
  • sensibilidade rumo a uma mudança ligada a recuperação da consciência coletiva (que não é mais somente de elite) relacionada com o meio ambiente como prioridade;
  • noção de que ser sustentável não é apenas um pensamento ecológico mas também social;
  • combinação entre ética e estética. A nova sustentabilidade é criativa, inovadora e gera desejo.

O Crucial & Sustainable é “Voltar às origens, protegendo ao longo do tempo tudo aquilo que nos circunda: nosso patrimônio econômico, ambiental e, ao mesmo tempo, também social e cultural. Redescobrir a importância dos recursos essenciais, que demonstram ter um papel decisivo em nossas vidas.”, diz Francesco Morace no livro “O que é o futuro?”

Dica:

Se uma empresa quer se manter relevante nos próximos 20 anos, ela precisa refletir em como sua marca pode pensar no coletivo maior. Essa era de transição é definida pela busca dos sentidos e do propósito. “As marcas podem ser disruptivas mas também com um impacto social. Se uma marca pensa e age na era industrial, ela está em um tempo diferente do que vive o seu consumidor”.

Um exemplo é a Tesla que faz carros elétricos com custo baixo e está mudando a mobilidade urbana e impactando o planeta positivamente. O erro está em ver o negócio como uma fábrica gigante de produzir produtos ao invés de cuidar de sistemas humanos reais.

Quick & Deep

Esse paradigma diz respeito a qualidade do futuro que estará cada vez mais em sintonia com a ideia de respeito pelas pessoas normais, pelos consumidores, em busca de experiências felizes, sem perseguir a quimera do luxo. A capacidade de ser rápido, oportuno e acessível deverá ser conciliada com a ideia de felicidade e profundidade de experiência.

O Paradigma Rápido & Profundo enfatiza:

  • a demanda por produtos e serviços simples e eficazes;
  • a capacidade de satisfazer as demandas de uma forma precisa, direta, eficaz e, sobretudo rápida;
  • a necessidade de visar o cumprimento do pedido do cliente que tem sempre menos tempo e mais conhecimento;
  • o desejo de receber de forma rápida e fácil, objetos a qualquer hora do dia ou da noite;
  • a felicidade por meio da fruição e do imediatismo de uso;
  • criar atalhos, acessibilidade e estar onde seu cliente está, entendendo que o tempo hoje é o maior luxo que temos;
  • a noção de que preço e valor são coisas diferentes. Nem sempre, aquilo que tem um preço alto tem um valor alto para o consumidor. Hoje, há experiências acessíveis de grande intensidade para o consumidor.

Segundo o sociólogo Francesco Morace, “é este o paradigma ligado à qualidade do cotidiano, no qual emergem com força os temas da felicidade e da oportunidade”.

Dica:

Acessibilidade com qualidade. O futuro pede pelo cruzamento destas duas dimensões. Um bom exemplo é a o serviço Rent The Runway, que recentemente anunciou uma parceria com o varejista de itens para casa West Welm. A partir da ideia de que a casa costumava ser um lugar privado, mas agora é um lugar público, ou seja os interiores são hoje flexíveis e instagramáveis, é possível combinar qualidade e rapidez. A parceria responde às mudanças de comportamento dos Millennials, que usam produtos de interiores para ter controle criativo sobre espaços alugados. Já que os Millennials e a Geração Z estão constantemente postando fotos de si mesmos em suas casas no Instagram, há uma necessidade de mudança dos interiores sem um custo alto. O serviço atende essa necessidade Quick & Deep.

Aqui vale uma observação sobre instagramável. Em nosso curso online de Arquitetura e Urbanismo, Mila Strauss e Marcos Paulo Caldeira explicam mais sobre esse conceito e mostram como os arquitetos estão incluindo em seus projetos o conceito de instagramável.

Trust & Sharing

O futuro é caracterizado por uma relação muito mais próxima e de confiança, não só com a marca, mas também com toda a empresa em seu complexo orgânico. As grandes empresas terão um novo papel de liderança e responsabilidade social e cultural muito além de seu produto. O compartilhamento irá encontrar a sua importância entre o real e o virtual e a explosão de novas tecnologias e a acelerada afirmação das redes sociais têm papel relevante na transparência da mensagem.

O Paradigma Trust & Sharing reforça a necessidade futura de:

  • renovar a lealdade e o compartilhamento;
  • atingir uma convergência entre o consumidor e a empresa;
  • gerar uma cadeia de valor que é baseada na integração entre o fabricante e o consumidor;
  • confiar uns nos outros;
  • compartilhar sensações e impressões;
  • desenhar o mais alto grau de felicidade à partir da experiência mais comum de produto e serviço;
  • sentir-se, como fabricante e como consumidor, no mesmo barco chamado Marca;
  • assumir a confiança como um pilar do compartilhamento seja no território real, seja no território virtual.

O paradigma Trust & Sharing, segundo Francesco Morace no livro “O que é o Futuro?”, “redefine uma cadeia de valor que toma forma atravessando todos os setores da sociedade e do mercado: a reciprocidade das relações repropõe uma economia das “não equivalências”, regenerando uma relação baseada na lealdade e no compartilhamento entre as pessoas, instituições, empresas e consumidores”.

Dica:

Com a possibilidade de compartilharmos cada vez maior, torna-se essencial o item confiança e transparência. A Yellow é um ótimo exemplo de Trust & Sharing — os patinetes compartilhados que tomaram conta das ciclovias, calçadas e ruas em uma grande parte das capitais brasileiras. O serviço vai crescer ainda mais: a Uber, por exemplo, pretende chegar ao mercado brasileiro com bicicletas e patinetes ainda neste ano. O modelo é apostar na confiança. Os patinetes ficam soltos nas ruas e o usuário desbloqueia seu uso pelo app. A localização é compartilhada no aplicativo para saber onde está o veículo. Depois que você usa, outra pessoa pode utilizar o patinete. Um modelo cada vez mais crescente de pensar os negócios desafiando o antigo sistema do fazer individual e da propriedade privada.

Unique & Universal

Esse paradigma diz respeito a capacidade de produzir e comunicar uma identidade única e distinta, inclusiva e não exclusiva, fundada na dimensão cultural de sua história, de sua identidade. Em um mundo global, torna-se essencial negócios ou pessoas que assumem seu caráter único, sua personalidade, sua maneira única de ser e se expressar no mundo seja como marca ou como ser humano. A diversidade constitui a condição do sucesso dos negócios no futuro.

Por meio do paradigma Único & Universal:

  • a antinomia entre o local e o global será deixada permanentemente para trás;
  • será reconhecido o valor dos produtos únicos e locais;
  • produtos locais serão transformados em opções globais;
  • o caráter distintivo das origens e dos processos será comunicado de modo mais transparente;
  • as mídias sociais serão usadas a fim de criar novas lógicas de distribuição e de comunicação, dando aos produtos locais uma melhor oportunidade de se afirmarem no mercado global;
  • customizado, personalizado, distinto passam a ser conceitos relevantes.

“As empresas e os profissionais que desejem conjugar o paradigma Unique & Universal deverão compreender que a demanda, cada vez mais universal, será suprimida no futuro por ofertas cada vez mais exclusivas”, nos diz Francesco Morace em “O que é o Futuro?”.

Dica

O caráter único é o que diferencia. A diversidade não é momentânea, não é tema de nicho, ela permite a inclusão de quem ficou a parte durante muito tempo. É o ponto de partida para ficarmos mais perto das pessoas e do consumidor. Um exemplo é o reposicionamento da Mattel, fabricante da famosa boneca Barbie, que nos anos 80 refletia um modelo de consumo aspiracional, com uma única boneca magra, alta, loira. Trazendo o novo paradigma, a Mattel trabalha hoje com uma gama de bonecas com diferentes biotipos para se comunicar com essa nova geração.

Saiba mais!

Para se aprofundar nesse universo de pesquisas e análises de tendências, Sabina Deweik desenvolveu com a Escola São Paulo o curso online “Os Novos Paradigmas do Futuro e as Tendências Emergentes”, onde conta mais sobre cada um dos paradigmas citados acima e relaciona cada um deles com tendências emergentes!

#escolasaopaulo #descubra #reinvente #viva

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ECONOMIA CRIATIVA NOS ESPAÇOS PÚBLICOS

A potência da economia criativa

No dia 16 de junho de 2018, Beyoncé e Jay-Z lançaram de surpresa o videoclipe de Apeshit, música que compõe Everything is Love, primeiro álbum gravado a quatro mãos pelo casal. Em 48 horas, o vídeo se tornou notícia em todo o mundo e superou 13 milhões de reproduções no YouTube, isso em meio à Copa do Mundo. À parte o inegável poder de atração do chamado casal real da música pop, chamou a atenção do público e da imprensa mundial o local escolhido para a gravação do videoclipe: o Museu do Louvre. “Eles visitaram o Louvre quatro vezes nos últimos dez anos. Na última vez, em maio de 2018, nos propuseram esta ideia. Os prazos eram muito curtos, mas o projeto convenceu rapidamente o Louvre, porque sua proposta demonstrava um verdadeiro vínculo com o museu e com as obras que os tinham marcado”, explicou um porta-voz do museu, o maior da Europa, ao jornal EL PAÍS.

O vídeo de Apeshit apresenta 17 obras de arte renomadas (pinturas e esculturas) como O casamento em Caná, de Veronese, a A balsa da Medusa, de Géricault, A Coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David, Vênus de Milo (100 a.C.), A Grande Esfinge de Tânis (2686-2160 a.C) A Balsa da Medusa, de Théodore Géricault, e Mona Lisa, de Leonardo da Vinci. O enorme sucesso da produção fez com que o Louvre abrisse ao público (quase um mês depois) um tour guiado com a sequência de obras que aparecem no videoclipe. O percurso tem duração de 1h30.

Esta é a segunda vez que o Louvre organiza uma mostra inspirada em um artista pop. A primeira foi motivada pela música Smile Mona Lisa, do rapper will.i.am. A iniciativa tem como foco principal atrair, ampliar e formar público (desde os atentados de 2015, o museu viu diminuir em 13% o número de visitantes – 70% dos frequentadores do museu são turistas. Mas, além disso, representa também uma tendência entre museus e outras instituições de arte no mundo: se abrir a novas estratégicas para se manter atualizado e, principalmente, vivo.

A abertura de museus para desfiles de moda e gravação de filmes e videoclipes é uma delas. “Falta dinheiro, e os edifícios públicos servem para arrecadá-lo“, explica, Sophie Rastoin Sandoz, chefe pela agência parisiense L’Invitation, em entrevista ao EL PAÍS. A instituição é responsável por encontrar locações em toda a Europa para filmagens e evento de marcas de luxo, bancos, seguradoras e agências de comunicação. Em 2014, o Louvre recebia pouco mais de cem rodagens. Em 2017, foram 500, quase metade das realizadas na capital francesa. “O clipe no Louvre, um baluarte da cultura ocidental, representa uma abertura da cultura europeia e da cultura parisiense – da tradição – ao campo pop”, analisa o curador geral do Museu Brasileiro da Escultura (MuBE) e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Cauê Alvez em entrevista ao G1.

E a economia criativa no Brasil…

Para além das questões econômicas, a iniciativa do Louvre mostra também o quanto é possível ser inventivo no universo da economia criativa e como os setores que a compõem podem trabalhar em conjunto por um mesmo objetivo (e não de maneira isolada e em nichos específicos). Um movimento que está em curso também no Brasil. O antigo Ministério da Cultura (MinC) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), por exemplo, realizaram em novembro de 2018, o Mercado das Indústrias Criativas do Brasil (MicBR), evento que teve justamente o objetivo de estimular a integração de todos os setores culturais e criativos brasileiros.

Entre os países emergentes, o Brasil é considerado um dos maiores mercados para a economia criativa (somos o maior mercado de vídeo on demand, tv paga, música e games da América Latina, segundo dados da consultoria PwC, por exemplo). “As atividades culturais e criativas já representam 2,6% do PIB brasileiro, geram 1 milhão de empregos diretos e englobam mais de 200 mil empresas e instituições. Há um vasto potencial de crescimento e isso passa também pela internacionalização dos nossos talentos e da nossa valiosa produção cultural”, afirmou durante o evento o ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, hoje Secretário Estadual de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo. Quanto mais fortalecido e diverso for o setor, mais impactante (e interessante) serão as iniciativas. Viva a criatividade!

Criatividade para usar espaços

Esse movimento internacional de tornar os espaços cada vez mais democráticos e aproximar o público de museus e instituições culturais, também já acontece no Brasil.

Os arquitetos Mila Strauss e Marcos Paulo Caldeira, nossos professores no curso online de Arquitetura e Urbanismo, defendem a ideia de espaços multifuncionais, ou seja, uma área só atendendo vários usos. Acreditam que usar o mesmo imóvel para diversas funções, principalmente imóveis públicos, faz parte de um processo de urbanização que as grandes metrópoles precisam passar.

“Quanto maior o número de funções ou de utilizações você inventar para aquela metragem quadrada dentro de uma metrópole, mais você otimizará sua receita”, conta Marcos Paulo Caldeira, no curso online.

Os dois arquitetos foram convidados, alguns anos atrás, para participar da revitalização de um espaço em cima do túnel da Avenida 9 de Julho, que era um espaço quase que invisível – o Mirante 9 de Julho, que na época era um espaço quase que residual. Hoje, depois de revitalizado, é um espaço aberto ao público, com atividades culturais e um café, e voltou a ser um ponto turístico da cidade. Durante o processo, Mila e Marcos tinham uma questão em mente: como devolver esse espaço para a cidade, tornando-o um espaço seguro, onde as pessoas frequentassem? Estudaram muito a história dele, um mirante que, desde o início, já tinha a característica de ser utilizado para contemplar o centro da cidade. Tentaram potencializar essa atividade. Foram muitos estudos e pesquisas para entender a população local, como a cidade poderia ativar esse espaço e usá-lo de forma a integrar todos os usos que estavam nesse lugar – pessoas que passavam pela 9 de Julho, moradores locais, pessoas que usavam a Avenida Paulista, e as que usavam o MASP.

O ícone abandonado foi retomado e agora constrói uma nova história, já cheia de expectativas. As mudanças no Mirante incluem visual moderno, balcões de madeira construídos em cada lado, infraestrutura usada como restaurante e café. Durante o dia, o Mirante 9 de Julho é aberto como ponto de encontro para trabalho, reuniões e palestras. Existe um coworking de uso livre, sem taxas, que disponibiliza internet, mesa, espaço, comida boa e café para quem precisa.

Descendo uma escadaria de 1932 em espiral, bem estreita, encontrada durante as obras da reforma, você encontra a chamada Galeria Vertigem, outro pequeno espaço expositivo. Um espaço onde diferentes iniciativas podem dialogar: arte urbana, projetos musicais, exibições de filmes ao ar livre e feiras independentes, com curadoria do produtor cultural Akin Bicudo. Um lugar que celebra um novo momento de resgate da cidade e ocupação dos espaços públicos.

A ideia dos envolvidos no projeto é fazer com que o Mirante seja um suporte artístico, especialmente dedicado a performance. Ainda recebe feiras independentes, mostras de arte urbana, intervenções culturais de grupos de dança e música e sessões de cinema ao ar livre. Abriga o projeto “Mercado Efêmero”; que dá oportunidade a chefs que ainda não possuem seus próprios estabelecimentos poderem usufruir da estrutura. Os pratos do restaurante custam no máximo R$ 25 e toda a programação cultural é gratuita.

• As imagens contidas nesse post são de divulgação do videoclipe Apeshit!

#escolasaopaulo #descubra #reinvente #viva

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COMO OS TELHADOS VERDES E AS HORTAS URBANAS ESTÃO MUDANDO A CARA DE SÃO PAULO

É muito importante colaborarmos com o desenvolvimento sustentável do planeta e da sociedade como um todo. Afinal, nós somos as pessoas responsáveis pela transformação de hábitos alimentares e culturais. A agricultura urbana vem sendo implementada por algumas organizações sociais, comunidades e empresas como uma alternativa sustentável; construindo o conceito de qualidade de vida, respeitando e utilizando nossos recursos naturais com responsabilidade e planejamento. Além de utilizar áreas de terra desocupadas e improdutivas, promove a interação social, estimulando a produção do alimento pelos próprios consumidores. No Japão, por exemplo, devido à carência de solo fértil para plantio, grandes obras urbanas foram integradas com sistemas para cultivo de frutas e hortaliças. Também no Japão, um famoso edifício em Tóquio teve sua fachada reestruturada com um sistema de jardim vertical. Na América Latina, a principal concentração de hortas urbanas é em Cuba. 

Morar nos grandes centros urbanos não precisa ser um fator excludente de alguns bons hábitos do interior como, por exemplo, utilizar alimentos que sejam provenientes de hortas para a sua alimentação. Uma das formas para garantir que essa realidade não seja distante das grandes cidades é através da criação de hortas comunitárias. Há algumas décadas, a técnica do telhado verde vem sendo desenvolvida através de pesquisas e projetos inovadores na criação de soluções sustentáveis e consiste no plantio de árvores e plantas nas coberturas de residências e edifícios. Esse tipo de técnica tem inúmeros benefícios, como a captação de água da chuva, o tratamento de efluente (esgoto sanitário), a captação da energia solar e a atuação como um agente purificador da poluição urbana. Os Ecotelhados funcionam como um isolante térmico e absorvem 30% da água da chuva reduzindo, por exemplo, a chance de enchentes nas cidades. Ou seja, quanto mais telhados verdes, menos possibilidades de enchentes. 

Os telhados convencionais acumulam o calor e o transferem para dentro das construções. Com o telhado verde a cobertura vegetal se encarrega de dissipar ou consumir esta energia pela evapotranspiração e pela fotossíntese, reduzindo significativamente a amplitude térmica do interior do prédio. É uma ótima solução para a redução das ilhas de calor nos centros urbanos, diminuindo o consumo do ar condicionado e auxiliando no conforto térmico, o que dá maior durabilidade às construções, pois diminui a amplitude térmica. Testes realizados comparando telhados verdes com telhados comuns mostraram uma diminuição de até 15ºC dentro da edificação no verão. No inverno, o sistema conserva o calor dentro da edificação, aumentando a eficiência de aquecedores ou lareiras. Essas zonas verdes contribuem ainda para formação de um miniecossistema, atraindo diversos pássaros, borboletas, joaninhas, abelhas, etc., que foram eliminados do ambiente com o crescimento urbano. O valor do investimento para a construção de um telhado verde é em geral o mesmo que para um telhado convencional, considerando-se um telhado de boa qualidade. Ele pode ser colocado, diretamente sobre a laje impermeabilizada e com proteção anti-raízes. Se você levar em conta os benefícios de conforto térmico, retenção de água, limpeza do ar e vida útil de duas a três vezes maior, a vantagem a favor do telhado verde é grande. Aqui em São Paulo como exemplo prático desta técnica temos o telhado verde do prédio da Fundação Cásper Líbero, na Avenida Paulista. Aberta em 2016, a área de 700 metros quadrados conta com mudas de 130 árvores típicas da Mata Atlântica, como Jacarandá bico-de-pato, araçá-do-campo e embaúba, tem ajudado a reduzir o calor e melhorado a umidade do ar na região. Há também a floresta suspensa da cobertura da prefeitura, no centro da cidade. A área de 300 metros quadrados abriga árvores como palmeiras-jerivá e pau-brasil, além de pés de café e de manga, plantas medicinais e um lago com carpas.

A cobertura do Shopping Eldorado, na zona oeste, abriga uma linda e enorme horta, com mais de 1000 metros quadrados, onde crescem alfaces, manjericões, berinjelas, legumes, hortelãs e outras verduras, além de plantas medicinais. O projeto foi criado em 2012 e oferece um destino ecologicamente correto a cerca de uma tonelada de lixo orgânico gerado diariamente na praça de alimentação do shopping. Esse resto de comida se transforma em adubo para o cultivo das plantas, reduzindo a quantidade de lixo jogado em aterros sanitários.
Neste ano, o Shopping Metrô Itaquera, na zona leste, começou um projeto semelhante. Na área antes vazia da cobertura do espaço, hoje há alface, agrião e cenoura, plantados em mais de 20 caixotes. Os restos de comida da praça de alimentação (40 toneladas semanais) são transformados em adubo para a terra e os produtos orgânicos, futuramente, poderão ser consumidos por funcionários e pela comunidade local. 
Há um ano, funciona no telhado de um galpão em Paraisópolis, na zona sul, o projeto Horta na Laje em que as moradoras do bairro aprendem a cultivar legumes, verduras e frutas. Promovida pelo Instituto Stop Hunger Brasil e a Associação das Mulheres de Paraisópolis, a iniciativa já beneficiou mais de mil mulheres. De acordo com a Associação, elas são o público-alvo porque sustentam 23% das famílias da comunidade. Por meio de cursos técnicos do projeto, elas aprendem a cultivar hortaliças em vaso, reproduzem em casa e, além de uma alimentação mais saudável para si e para suas famílias, conquistam independência financeira. “Nós queremos tornar Paraisópolis uma comunidade sustentável”, afirma Davi Barreto, superintendente do Instituto Stop Hunger Brasil, em entrevista ao portal R7.  Outras iniciativas interessantes são a horta do Centro Cultural São Paulo, no centro, que produz tomate, batata doce, rúcula e banana no terraço; e as hortas implementadas nas unidades do Sesc Parque Dom Pedro II (no centro) e Campo Limpo (zona sul) – ambas cuidadas pela Pé de Feijão, um negócio social criado em 2014 que é responsável por outras quatros hortas na cidade. “Queremos transformar a relação das pessoas com a comida”, afirma a bióloga Luisa Haddad, sócia-fundadora do projeto, em entrevista à revista Veja São Paulo.

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NADA SE PERDE, TUDO SE RENOVA

O impacto que o consumo desenfreado provoca no mundo é uma questão discutida por ambientalistas e economistas há tempos. Desde a década de 1980, a lógica “extrair-produzir-descartar” da economia linear (o modelo econômico até hoje em vigor) tem sido questionada e suscitado debates sobre a necessidade da criação de novos modelos que sejam funcionais, demandem menos recursos naturais e gerem menos resíduos prejudiciais ao meio ambiente.  

A economia circular é uma dessas propostas. Inspirada na inteligência da natureza, em que nada se perde, mas tudo se renova, ela é voltada para os serviços com foco no desempenho e no impacto dos produtos, ao contrário da economia linear, que tem como foco a produção e a venda. “O conceito de economia circular propõe que os recursos que extraímos e produzimos sejam mantidos em circulação por meio de cadeias produtivas integradas. Assim, o destino final de um material deixa de ser uma questão de gerenciamento de resíduos, passando a fazer parte do processo de design de novos produtos”, explica o economista holandês Douwe Jan Joustra, especialista no assunto, em entrevista ao Instituto C&A

Uma animação da Fundação Ellen MacArthur, do Reino Unido, explica de uma maneira bem interessante e didática os princípios básicos da iniciativa. Joustra diz que o grande desafio de hoje é fazer com que as empresas sejam responsáveis por seus materiais e encarem os produtos, incluindo os resíduos, como seus ativos.  “O foco das empresas não deveria estar mais nos produtos apenas, mas neles e nos serviços, porque é isso o que o cliente quer. Essa é a mudança econômica real que queremos com a economia circular”, afirma em entrevista ao jornal O Globo Autor do livro Cradle to Cradle: criar e reciclar ilimitadamente, uma das referências bibliográficas no mundo sobre economia circular, Michael Braungart defende que mais que reduzir o consumo dos recursos naturais, precisamos encontrar soluções técnicas que produzam objetos que no processo de degradação possam ser reabsorvidos pela biosfera na forma de nutrientes ou reincorporados ao ciclo produtivo. “Temos de encarar os humanos como um recurso capaz de trazer benefícios para o planeta, e não como um fardo cujo impacto deve ser minimizado”, explica em entrevista à revista Época 

UMA IDEIA EM CIRCULAÇÃO 
Nos últimos anos, diversas empresas mundo afora passaram a seguir a cartilha da economia circular. Muitas por compreenderem que a economia linear não é sustentável (do ponto de vista ambiental e financeiro), mas a maioria por enxergar a lucratividade que a proposta pode trazer. De acordo com levantamento da Fundação Ellen MacArthur, a economia circular pode garantir às empresas na Europa um incremento de € 900 bilhões no faturamento até 2030. Isso tudo levando em consideração os benefícios proporcionados pelo modelo econômico: incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias; redução do uso de recursos naturais, economia financeira e ganho de competitividade. 

Na Dinamarca, por exemplo, o parque industrial da cidade de Kalundborg já opera no sistema de economia circular desde o início da década de 1980. Os resíduos gerados pelas atividades de uma empresa se tornam matéria-prima para outra: a água doce, usada pela refinaria de petróleo para resfriar máquinas, é vendida para a termelétrica que, por sua vez, compra os gases liberados pela refinaria, que são reaproveitados para geração de calor.  Aqui no Brasil também temos iniciativas interessantes como a da Cooperárvore, cooperativa de moda sustentável com sede Betim, Minas Gerais, que transforma sobras de cintos de segurança e aparas de tecido automotivo em acessórios, como bolsas, mochilas, chaveiros e outros produtos. Com mais de dez anos de atuação, a cooperativa já produziu mais de 230 mil peças e reutilizou 25 toneladas de itens doados por empresas automotivas que antes seriam descartados no meio ambiente.  

Há também a Votorantim, que desenvolveu uma tecnologia que substitui o coque de petróleo, usado na produção do cimento, por resíduos (pneus velhos, papel, papelão, óleos, produtos químicos, resíduos industriais e urbanos). A iniciativa é duplamente rentável para a empresa, uma vez que ela ganha dinheiro para receber lixo gerado por outras indústrias e economiza por não precisar comprar mais petróleo. “É uma unidade de negócios que ao mesmo tempo presta um serviço e produz um impacto positivo na produção do cimento, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa”, explica André Leitão, diretor de Gestão de Resíduos na Votorantim, em entrevista à revista Época 

“Uma economia circular não se trata de ter um produto mais verde, uma empresa mais sustentável ou uma prática melhor, muito menos de ser mais sustentável do que era. Significa fazer parte de um sistema que funciona melhor e que, ao longo prazo, revela e exclui os fatores negativos desde o princípio da cadeia de valor. Na vida e no planeta, as coisas se regeneram e se restauram o tempo todo. A ideia é incluir esse princípio na economia”, analisa Luísa Santiago, representante da Fundação Ellen MacArthur no Brasil, em entrevista ao Instituto C&A 

Uma maneira mais inteligente e sustentável de viver e se relacionar com o mundo.

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TECNOLOGIA E HUMANIDADE

Por Danilo España, time da Humans Can Fly e colunista da Escola São Paulo

Através do teclado do meu computador digito esse texto e através da sua tela você o lê. Aqui criamos um elo de comunicação, neste momento somos ajudados pela tecnologia.

A tecnologia nos ajuda em diversas áreas, facilita processos, acelera as comunicações e gera resultados rápidos. Acontece que para tudo há um limite, e ainda que não façam tantos anos que a tecnologia atingiu um certo ápice, existem pessoas comprovando na pele que o excesso de tecnologia pode prejudicar a vida social e até mesmo a saúde.

Não só o fato de vermos famílias inteiras ou grupos de amigos em um restaurante, por exemplo, imersos, todos, em seus celulares e tablets ultramodernos sem conversar. Há também outras situações que nos mantém reféns da modernidade: ter que olhar o e-mail diversas vezes por dia, acompanhar as atualizações das redes sociais, responder centenas de mensagens e de depender de uma conexão de alta velocidade 24 horas por dia para satisfazer nossas curiosidades, buscar informações, cumprir tarefas, pagar contas, descobrir tendências, ideias, empresas, pessoas etc…

Mas como definir se a quantidade de contato que temos com a tecnologia chega a ser prejudicial?

David Backer, fundador da The School of Life deu uma palestra em São Paulo algumas semanas atrás sobre o tema Tecnologia e Humanidade e por sorte estivemos presentes para escutar o que ele tinha a dizer. Seu discurso foi sobre o quanto a tecnologia tem influenciado as relações pessoais, sociais e o quanto deixamos que ela invada nossa vida, acabando com a nossa privacidade, desrespeitando nosso ritmo psíquico, biológico e afetando até mesmo nossa saúde.

Máquinas, equipamentos, dispositivos são essenciais para sobreviver em um modelo de sociedade onde o virtual está cada dia mais próximo do real. Descobrir um limite de interação com as tecnologias é algo individual, cada um deve buscar essa equação para respeitar sua própria natureza.

Por mais que busquemos as tecnologias mais incríveis, ainda assim é o homem que as inventa, as cria, ou seja, todo potencial de sua criação está no homem. Esse encontro me fez pensar quão alta é a tecnologia do nosso próprio corpo. Possuímos a mais avançada tecnologia, a tecnologia natural, biológica, humana… ou seja, não podemos esquecer as funções que nosso corpo desempenha, a quantidade de informações que armazenamos, como conseguimos acessá-las a uma velocidade absurda, a capacidade de bilhões de cálculos, o potencial analítico que temos, auto-regulações corporais, sentimentos, emoções, razão, etc.

A tecnologia evidentemente evolui, mas e a humanidade? Estamos evoluindo nosso lado humano e tendo orgulho dessa evolução tanto quanto da tecnologia? Precisamos de um movimento que valorize as características naturais do homem, que respeite seus limites e que trabalhe dentro de um nível de tolerância individual, considerando que somos diferentes, que suportamos coisas absolutamente distintas. Os talentos também são individuais, devem ser exercitados, desenvolvidos e o tempo que nos prendemos à tecnologia muitas vezes consome esses importantes momentos. Outro importante momento que não estamos desfrutando e que nos é essencial é o ócio. David lembrou que perdemos o poder da lentidão, por exemplo, de cultivar o pensamento lento, e perdemos também a alegria da imperfeição, afinal estamos longe de sermos perfeitos seja no que for.

O que não nos damos conta é que podemos escolher o que pensar e como pensar, as imposições da atualidade dificultam esse processo, mas ainda depende de nós essa escolha.

Então que sejamos usuários da tecnologia e não seus escravos…

O mundo anda mais preocupado com o High Tech. Escrevemos recentemente uma matéria sobre isso. Hoje há uma necessidade de se recuperar o High Touch. High Touch para quem nunca ouviu falar, quer dizer a alta tecnologia do toque, do afeto, do carinho, ou seja, da humanidade. Ela sim nos toca verdadeiramente, não é fria como uma máquina que reage aos nossos estímulos por pura programação.

A naturalidade humana vem se perdendo por diversos motivos, pelo excesso do uso de tecnologias, pelos sistemas falidos que vivemos; sejam políticos, sociais ou econômicos. Por uma cultura popular globalizada em que existem apenas dois grupos de pessoas os “winners” e os “loosers”. Você é um vencedor na vida se tem dinheiro, sucesso e reconhecimento, caso contrário é um perdedor, depreciado pelos que possuem mais dinheiro.

Esses dias conversando com um amigo ele me disse: você já parou pra pensar no que significa estar “bem de vida”?

E aí parei para pensar que o “bem de vida” hoje significa “estar bem financeiramente”. É triste que assim seja, mas sou otimista e a favor do movimento humano. Quem sabe um dia estar bem de vida se torne uma expressão que tenha mais a ver com VIDA do que com dinheiro, a vida é mais do que isso. Então te convido a refletir sobre como anda pensando, e no que, para que nosso olhar e posicionamento sobre o mundo evolua e essa evolução seja mais importante do que a evolução tecnológica. Para que a expressão estar “bem de vida” signifique ter saúde, paz e estar de acordo com sua própria jornada.

A era do comportamento padrão se foi, entendemos bem o termo globalização e já experimentamos seus efeitos positivos e negativos. O acesso à informação nos permite decidir com mais base, nos traz reflexões diversas. A era da tecnologia está aí para nos servir e nos ajudar, o que vale é saber usá-la para continuarmos “bem de vida”.

Via Exame

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COWORKING E EMPREENDEDORISMO CONSCIENTE

Uma dobradinha cada vez mais eficaz.

Já falamos aqui no blog sobre como a tecnologia alterou para sempre a maneira como nos relacionamos com o mundo, em todos os sentidos. No campo do trabalho, ela contribuiu para a criação de tendências como a do freelancing, em que profissionais decidem abrir mão de cargos fixos em empresas e optam pelo trabalho autônomo, em busca de uma realização pessoal, ou se reinventam como prestadores de serviços independentes diante de uma demissão.  

Essa nova dinâmica de trabalho demandou a criação de ambientes mais adequados à novidade, modelos como o do coworking. O termo surgiu em 2005 nos EUA, quando o engenheiro de software Brad Neuberg criou uma comunidade de trabalho com os amigos e percebeu que a troca de ideias e experiências em grupo resultava em maior produtividade. Totalmente conectada a uma outra tendência mundial, em que o compartilhamento de informações e a troca constante são valorizados, a proposta rapidamente ganhou adesão e passou a ser reproduzida mundo afora. 
No Brasil, o conceito chegou há quase dez anos e, desde então, tem crescido de uma maneira bastante expressiva, não apenas nas capitais, mas também em cidades do interior. Segundo levantamento do site Coworking Brasil, que reúne empresas do setor, em 2017 havia 810 espaços de coworking conhecidos no Brasil, um aumento de 114% em relação a 2016.  

De uma maneira geral, os coworkings são espaços nos quais profissionais de diferentes áreas trabalham de maneira autônoma, porém dividindo o mesmo local. Inicialmente, o modelo foi adotado por profissionais das áreas de Comunicação e Direito, mas hoje em dia abarca também jovens empreendedores, profissionais liberais e até funcionários de multinacionais. Em geral, profissionais e empresas que adotam o modelo de coworking buscam flexibilidade ambientes de trabalho mais descontraídos, menos formais e mais propensos à troca de conhecimento. “[É] muito melhor do que trabalhar no isolamento de casa ou fechado em um escritório. Aqui tem o inusitado, não sabemos quem está ao lado, o que vou encontrar e isso é ótimo porque possibilita novos encontros”, disse o estrategista de marketing Wesley Silva, em entrevista ao portal R7 

Com a adesão cada vez maior de profissionais, surgiu a possibilidade de ampliação do modelo de coworking para além do âmbito do trabalho e do compartilhamento de ideias, alcançando as esferas do empreendedorismo e do impacto social. O Co labore é um exemplo dessa nova dinâmica. A iniciativa busca promover a aproximação de empreendedores criativos e sociais com potenciais investidores, um verdadeiro celeiro de novos negócios. “A Co_labore é um espaço que acolhe um coletivo de pessoas que gera um coletivo de ideias. Um coletivo de ideias que inspira estimula cada pessoa a criar seu negócio e cada negócio a evoluir. É uma nova forma de trabalhar e gerar riquezas. Esse é o jeito que encontrei de contribuir com este mundo de trabalho que está surgindo. Um mundo onde a força nasce da colaboração”, explica Antonin Bartos Filho, fundador da proposta.  

Outro exemplo interessante dessa nova vertente é o Cubo, espaço de inovação e empreendedorismo do Itaú Unibanco criado em parceria com o Redpoint eventures (um dos principais fundos de investimento do mundo). Aberto em 2015 e considerado o maior e mais relevante centro de empreendedorismo tecnológico da América Latina na atualidade, o espaço conecta empreendedores, grandes empresas, investidores e universidades com o intuito de discutir sobre tecnologia, inovação, novos modelos de negócios e novas formas de trabalhar 

Na mesma linha, temos também o Campus São Paulocriado em 2016 e, atualmente, o maior coworking do Google no mundo, com mais de 100 mil membros cadastrados. O espaço abriga dez startups a cada seis meses, mas cede espaço também para profissionais interessados em fazer uso da sua estrutura – basta fazer um cadastro gratuito no site. “Nós envolvemos nosso time com as startups e aprendemos com elas. Além de ajudar os empreendedores a entenderem nossos produtos, como tecnologia de nuvem, uso do YouTube ou nossas soluções de publicidade, a gente tem a oportunidade de saber o que eles precisam para evoluir. Com isso, podemos desenvolver o que será necessário no futuro”, explica Fernanda Caloi, gerente de programas do Campus São Paulo, em entrevista à revista Época Negócios

Outro exemplo interessante de incentivo ao empreendedorismo e à economia criativa e colaborativa em voga é o House of Food, um coworking, também instalado em São Paulo, que reúne chefes, professores, estudantes de culinária e aspirantes dispostos a pilotar um fogão industrial e criar receitas. “Aqui, as pessoas podem experimentar, testar receitas e ver o que tem ou não aceitação no mercado, se esse for o objetivo”, explica Wolfgang Menke, criador do espaço, em entrevista ao Draft. Os interessados alugam o espaço por um dia ou por uma semana, podem utilizar o staff da casa na realização de seus eventos e ficam com 100% do lucro obtido na empreitada. 

COWORKING E IMPACTO SOCIAL 
Há também diversos exemplos de coworking que buscam incentivar a realização de projetos que tragam melhorias para a sociedade ou promover atividades em prol da comunidade na qual estão inseridos. É o caso do Civi-co, o primeiro coworking do país com foco em negócios de impacto cívico-social. Inaugurado em São Paulo, em 2017, o espaço conta com startups e ONGs como a Feira Preta, a Hype60+, a Pipe Social e a RedeDots, entre outras.  

O nome Civi-co vem de civismo, da ideia de pertencimento, de cidadania. “Nosso propósito, resumindo, é tornar o Brasil mais justo. Não dá pra olhar só para o lucro. Estamos entre as dez maiores economias do mundo, mas também entre os países mais desiguais. Isso pode ser mudado. As pessoas querem mudança”, explica Ricardo Podval, um dos sócios-investidores do espaço, em entrevista ao Draft. “Queremos que o Civi-co vá além do espaço. Que crie vínculos, sinergias de trabalho e seja um caldeirão de ideias”, diz Patrícia Villela Marino, também sócia-investidora, em entrevista à revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios
Civi-co conta ainda com uma iniciativa voltada a startups que não conseguem pagar para ficar no espaço. Batizado de Adote uma Startup, o projeto é subsidiado por empresas que queiram causar impacto social ajudando outros empreendedores sociais. Podval, que por sete anos atuou na China como business developer de uma fabricante de bens de capital, conta que sua experiência na Ásia o fez conhecer de perto o impacto da chamada Nova Economia e que a proposta de ampliação do modelo de coworking, adotado pelo Civi-co, está totalmente atrelado a este novo modelo econômico.  “Na China, hoje, parece que em cada cidade, em cada província, existe um ‘Vale do Silício’ talvez maior até do que o californiano, com mais investimentos, novas formas de trabalho, modelos de escritórios extremamente modernos…Há uma nova visão de empreendedorismo”, afirma.

No Rio de Janeiro, alguns espaços de coworking começaram a oferecer cursos, palestras, bate-papos, clube de cinema, almoço e até happy hour. O Templo, por exemplo, é um coworking que, além das estações de trabalho, funciona como um clube e transformou o seu espaço em cenário para exposições, cineclube, palestras, workshops, aulas de meditação e de ioga.  

Já o Fazedoria oferece cursos de idiomas, iluminação, cosmética natural e de conteúdos voltados mais para o dia a dia dos participantes. “A curadoria dos cursos também é feita com base no que diz o slogan daqui, do fazer acontecer, e por isso eles têm um caráter mais prático. A coisa de querer fazer e de movimentar a economia criativa faz parte do nosso DNA”, explica Marcos de Oliveira, gerente do coworking, em entrevista ao jornal O Globo 

Mantendo o espírito colaborativo, que é a essência do coworking, grande parte das atividades oferecidas nestes espaços acontecem por sugestão dos clientes (em alguns casos, são organizados por eles) e atraem um público bastante diverso, que não necessariamente frequenta os espaços no dia a dia. Provas de que a máxima “juntos somos mais” (e melhores) tem feito cada vez mais sentido. 

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A CIDADE É VOCÊ!

Hoje em dia, mais de 50% da população mundial vive em áreas urbanas. Segundo especialistas, até 2050 esse número deve alcançar 70%. Tal cenário cria uma série de problemas (trânsito, alto custo de vida, estresse, degradação do meio ambiente) e coloca em debate o futuro das nossas cidades. A razão de tantas pessoas decidirem viver nos grandes centros urbanos está ligada à nossa ancestralidade: somos seres sociais e é em grupo que gostamos de viverE, de acordo com estudiosos do assunto, é justamente o trabalho coletivo, e principalmente o envolvimento individual, que transformará as nossas cidades em lugares melhores para se viver. “Se você quer uma cidade melhor, envolva-se. A cidade é você. Aprenda sobre as melhores políticas públicas. Engaje-se na sua vizinhança. Seja sensível, mas seja ativo”, afirma Edward Glaeser, professor de Economia da Universidade Harvard, em entrevista para a revista Época Negócios.  

Edward Glaeser – Foto: Divulgação

Autor do livro O Triunfo da Cidadeconsiderado o mais completo e atualizado estudo sobre o futuro das cidades, Glaeser  também é criador do curso on-line CitiesX: The PastPresent and Future of Urban LifeO treinamento, disponível gratuitamente nas plataformas edX e Arq.Futuromescla economia, sociologia, artes e até música para falar sobre o que constitui uma cidade, tanto nos aspectos positivos, quanto nos negativos. Nele, o professor explora os principais conceitos de desenvolvimento urbano examinando cidades do mundo todo, incluindo Londres, Rio de Janeiro, Nova York, Xangai, Mumbai e Kigali, e aborda de que maneira centros urbanos como a antiga Roma resultaram da consolidação do poder imperial e cidades como São Paulo cresceram como importantes focos de indústria. Cada disciplina traz algo que contribui com o entendimento sobre as cidades. Eu sou um economista, mas também quero entender como o Rio de Janeiro ajudou a tornar um Tom Jobim tão grande. E isso requer conhecimento sobre música. Eu quero entender como as favelas funcionam e isso requer conhecimento em sociologia. As cidades são incríveis e nós precisamos nos valer de diferentes tipos de conhecimentos para entendê-las”, explica. 

Glaeser voltou ao Brasil em 2017 especialmente para preparar e gravar algumas das aulas, entrevistando diversos interlocutores nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e conhecendo locais emblemáticos do processo de urbanização brasileiro, como a comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro. Sobre as favelas, por exemplo, ele coloca que elas podem ser vistas por diferentes óticas: por um lado, como uma expressão da autossuficiência e engenhosidade da população pobre, que vem paraas cidades em busca de melhores condições de vida e produz moradia barata para si. Por outro lado, a ausência de um Estado de Direito no local.  CitiesX também mergulha em questões urgentes de planejamento social e urbano, como saúde pública, transporte, zoneamento, custo de vida, crime e congestionamento e gentrificação, um tema bastante presente em São Paulo nos últimos anos. Para o professor, a melhor maneira de combater o aumento no preço dos imóveis e construir mais moradia. “A oferta é o caminho certo para tornar cidades baratas. Além disso, construir mais em áreas ricas diminui a pressão pela gentrificação em áreas pobres. Com relação a uma comunidade perder sua essência, isso envolve necessariamente ação de seus moradores. Não necessariamente se posicionando contra novos moradores, mas celebrando e mantendo a tradição viva. Centros comunitários, grupos comunitários e trocas culturais intensas, são as ferramentas para manter uma área viva”, analisa.  O docente afirma também que as novas tecnologias sozinhas não conseguem resolver os problemas das cidades: é preciso implementar políticas públicas e cita como um bom exemplo as cidades de Cingapura e BostonNa visão de Glaeser, o trânsito, a violência e a falta de planejamento são os principais problemas e desafios da capital paulista. “São Paulo seria uma cidade melhor se fosse mais vertical e os distritos comerciais não fossem apenas comerciais – mas misturassem espaços residenciais. A chave é eliminar as regulamentações que impedem a construção mais alta em locais onde esta é a solução mais valiosa”, avalia. 

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PAULO MENDES DA ROCHA É TEMA DE DOCUMENTÁRIO

Criador de obras importantes como o Museu Brasileiro da Escultura (Mube) e o Museu da Língua Portuguesa e o arquiteto brasileiro mais premiado da história, Paulo Mendes da Rocha é tema do documentário Tudo é Projeto, que deverá chegar aos cinemas no segundo semestre de 2018. Produzido pela Olé Produções, o filme apresenta uma conversa franca e descontraída entre Mendes da Rocha e sua filha, Joana Mendes da Rocha (que divide a direção do filme com Patrícia Robano), sobre sua vida e, principalmente, sua emblemática obra.

Natural de Vitória, Espírito Santo, Paulo Archias Mendes da Rocha formou-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, em 1954, e desenvolveu uma prestigiada carreira acadêmica, a partir da década de 1960, na Universidade de São Paulo (USP) – na qual se aposentou em 1999. Conhecido como “arquiteto-cidadão”, é um dos mais renomados arquitetos modernistas brasileiros e criou obras que se tornaram referência em arquitetura brutalista no mundo. É também um dos principais representantes da chamada Escola Paulista, que defendia uma arquitetura crua, limpa, clara e socialmente responsável.

Premiado com o Pritzker (considerado o Nobel da arquitetura e a maior honraria para os profissionais da área), em 2006, já dividiu o troféu norte-americano Gordon Bunshaft com Oscar Niemeyer (1907-2012), em 1988, e, ao longo de 2016, foi reconhecido em três importantes premiações internacionais: o Leão de Ouro da Bienal de Arquitetura de Veneza, o Prêmio Imperial do Japão e o Royal Gold Medal, do Institute British of Architects (Riba).

Neste ano, foi laureado com a Medalha de Mérito Cultural, um condecoração concedida pelo Ministério da Cultura do governo de Portugal a indivíduos ou grupos, nacionais e estrangeiros, pela dedicação a atividades de impacto cultural – ele foi o segundo arquiteto a receber o prêmio (o primeiro foi Álvaro Siza Vieira, em 2009). Além disso, inspirou uma exposição no Mube, em São Paulo, que buscou traçar um paralelo entre a arte e o seu trabalho.

Aos 88 anos, Paulo Mendes da Rocha segue em plena atividade. Um de seus últimos trabalhos foi a museografia do Museu Nacional dos Coches, em Lisboa, que abriga a maior coleção de carruagens do mundo.